Axé 80

Na verdade, 3 músicas dessa lista são dos anos 90 (da Bamdamel, as três do disco Negra, de 1991), mas que ainda tinham aspectos do axé dos anos 80, notadamente o teor político (em Conversa Fiada, uma espécie de hino “vem pra rua” da época dos caras pintadas), em que o Olodum é o exemplo máximo até hoje (Revolta Olodum faz referência à Conjuração Baiana, Lampião, Antonio Conselheiro; que incrível uma música popular com esse tema, ne), mas com que até o festivo/machista Chiclete com Banana “flertou” em Fé Brasileira, de 1988, ano da nova constituição, que captura o zeitgeist, do orgulho de voltar a ser brasileiro.

Além do aspecto político, a Bandamel de 1991 celebra Salvador, o carnaval e o verão em Baianidade Nagô e Prefixo de Verão, um passo adiante ao axé “histórico”, sobre lendas e histórias de negros do sul a norte da África e a respectiva influência na Bahia (do Egito a Madagascar e além: Iraque, em Bagdá, também da Bamdamel), que dominou o começo do gênero, que eu vejo como um movimento de resgate, de orgulho da negritude pós-ditadura num novo tempo de liberdades.

Posso estar enganado, mas o axé do final dos anos 80 talvez seja o gênero e a época em que a música popular brasileira foi mais política e com referências históricas mais marcantes (mas não apenas isso) de toda a sua existência (e o curioso é que isso acontecia concomitante ao auge do Rock Br, com Legião, Capital Inicial, Barão Vermelho, Titãs, RPM, Paralamas, que eram também políticas nessa época, mas sob o ponto de vista da classe média, da relação com polícia e com os políticos etc).

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