São Sotero e o subferiado carioca

O Rio de Janeiro é uma cidade tão maravilhosa que foram escolhidos dois padroeiros para ela, porque aparentemente um só ficaria sobrecarregadíssimo com tanta maravilhosidade para lidar. A principal função de um padroeiro num lugar católico é provocar feriado na cidade, de modo que o Rio, só de santo local, tem dois por ano (não conto aqui o 12 de outubro, nacional).

Um feriado é 22 de janeiro, dia de São Sebastião —e provavelmente também dia de calor e praia. O outro escolhido foi São Jorge, cujo dia, veja só (como dizem os colunistas cariocas), é 23 de abril, providencialmete dois dias depois do feriado de Tiradentes, perfeito para “emendar”, essa prática para a qual o brasileiro vive. Não é lindo? Não sei se é uma coincidência divina o São Jorge ter ganho o seu dia justamente em 23 de abril ou se algum ishperto católico decidiu que esse santo seria um dos padroeiros do Rio, porque de besta o carioca não tem nada.

Então ficam aqui duas questões, para além do fato de que em 2014 o 21 de abril caiu na segunda-feira seguinte à Páscoa e, portanto, o dia 23 caiu numa quarta (adeus, terça), fazendo deste o maior carnaval  feriado do ano no Rio, depois do carnaval. A primeira questão é: quem é o principal padroeiro do Rio: Jorge ou Sebastião? Deve haver uma hierarquia, nem que seja por ordem de escolha —e aí eu descofio que o Sebastião ganhe, já que nunca houve uma São Jorge do Rio de Janeiro. Ou deve haver quem pagou mais por fora para conquistar o título (ou quem subornou para que não houvesse a divulgação dessa hierarquia).

A segunda é: coitado do São Sotero, celebrado pelos católicos no dia 22 de abril (dia do descobrimento do Brasil, aliás), mas relegado à categoria de “subferiado carioca”, caso o dia do colega São Jorge caia numa terça, quarta ou numa sexta. Fosse eu o Sotero, ficaria putíssimo e armaria um esquema com São Pedro para fazer chover em todo dia 22 que fosse segunda, terça ou quinta-feira.

Assim como ninguém nunca percebeu a existência de São Sotero, ninguém também perceberia a chuva que cairia no meio do “feriadão” —e não há nada mais terrível para o carioca do que uma chuva num dia de folga; é como se o time de futebol dele perdesse de goleada. Assim se faria alguma justiça.

 

 

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