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“Conversa com JH” deve ser o documentário mais atual da temporada, porque mostra e discute a “autorização” de João Havelange ao biógrafo dele e diretor do filme, o  jornalista Ernesto Rodrigues, ex-editior do Fantástico, Jornal Nacional e Jornal da Globo.

Antes de publicar o livro, como combinado, o escritor mostrou os originais a Havelange, que se contradisse e desdisse o que havia dito antes em entrevistas filmadas, ameaçou não autorizar a publicação se não fossem cortados trechos que o desagradavam e destratou profissionalmente o cara a valer. Tudo gravado.

“Faz o seguinte: o senhor guarda tudo isso. No dia que eu morrer, o senhor publica”, diz Havelange, chamado de “doutor” por Rodrigues, que por sua vez é tratado por “meu filho”.

Rodrigues mostra as gravações a três amigos jornalistas (Geneton Moraes Neto, George Moura e Ricardo Pereira), que juntos discutem as atitudes de Havelange e também as de Rodrigues durante a tensa leitura dos originais, num produtiva conversa sobre ética e jornalismo.

Como contraprova ao que Havelange dizia ser mentira ou fato que não acontecera, Rodrigues exibe entrevistas produzidas para a biografia realizadas com atletas, dirigentes, jornalistas e amigos de Havelange que o contradizem de modo constrangedor e revelam um homem, além de megalomaníaco, ridículo.

Basicamente o filme é o bastidor absurdo que é publicar uma biografia de um sujeito vivo no Brasil —Havelange chama a obra de “meu livro”, e Rodrigues , em retrospecto, concorda em parte com isso.

No fim, “Jogo Duro – A História de João Havelange” foi publicado em 2007 não pela editora Objetiva, como seria originalmente (que exigiu, depois das ameaças de JH, para evitar problemas jurídicos, autorização por escrito dos mais de 140 entrevistados, o que não foi aceito por Rodrigues), mas pela Record e com algumas (não todas) alterações feitas a pedido do Havelange, que, segundo o autor, correspondem a “menos de 15%” do conteúdo do livro e são “correções” e “acusações irresponsáveis” que Rodrigues optou por excluir. Apesar de ter havido a autorização prévia, essa biografia não é “autorizada” tal como foi publicada.

Desde então Rodrigues, também autor de uma biografia de Ayrton Senna, não falou mais com Havelange —o ex-presidente da Fifa não proibiu a publicação nem processou o escritor, como havia ameaçado.

O filme, com informações até abril deste ano, é uma espécie de epílogo da biografia, publicada quando Havelange ainda era presidente de honra da Fifa e cinco anos antes da renúncia dele diante de acusações de que ele e o genro dele, Ricardo Teixeira, haviam recebido propina da empresa de marketing ISL de 1992 e 2000.

“Conversa com JH” estreou no Festival do Rio em setembro e está em cartaz na Mostra de Cinema de SP.

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