Transmitir e informar

Mídia independente (independente do quê? Anunciantes? Público? Governo? Credibilidade?) não é sinônimo, necessariamente, de bom jornalismo —a mídia “dependente” tampouco o é. Só é sinônimo, por enquanto, de má edição.

O destaque que tem tido a Mídia Ninja, com imagens ruins e ausência de edição (forma) e uma posição ideológica bastante definida (conteúdo), diz mais sobre a precariedade da mídia tradicional brasileira do que sobre os méritos dela, MN, que, a rigor, foi o de estar fisicamente presente onde deveria estar qualquer jornalista que estivesse cobrindo as manifestações.

Acho que fazer jornalismo “ativista” decente exige um profissional com um preparo muito acima da média (um especialista que acredita no assunto sobre o qual escreve/transmite, mas que está aberto ao contraditório), se não o ativismo vai se sobrepor sempre, e o resultado vira panfleto.

E aí não é jornalismo, assim como, no campo oposto do espectro, o “infotainment”, cada vez mais usado na TV e sobretudo na internet, também não é.

Mas existe público no Brasil (além dos próprios jornalistas, claro) interessado em jornalismo, com informação crítica e reflexão? Ou é mais lucrativo e seguro para a mídia (de qualquer tipo) corroborar o ponto de vista prévio da audiência, dando-lhe exatamente o que ela quer e enfiando-se em nichos?

De qualquer forma, hoje uma pessoa sozinha é possível transmitir ao vivo qualquer evento (e até não-evento) com muita facilidade e rapidez e pouco dinheiro. Isso, uma então exclusividade reservada a empresas jornalísticas, simplesmente não era possível dessa maneira há 5 anos, muito menos há 10.

O que a Mídia Ninja faz nas manifestações (para ficar no mesmo tipo de evento que a destacou) a PM poderia fazer igualmente, mostrando o outro lado da moeda, sob o ponto de vista do Estado —e isso poderia até funcionar como uma ferramenta para equalizar o comportamento dos PMs nesses casos. Essa prática pode ser saudável. Mas não é jornalismo, é outra coisa e deve ser encarada como tal.

Aliadas a esse aspecto tecnológico estão a queda de audiência dos veículos tradicionais do país; uma relativa incapacidade de eles se manterem relevantes também online; e outra dificuldade, um pouco maior, de os veículos online se consolidarem como críveis —ou seja, há um espaço a ser ocupado.

Assim como as gravadoras não detêm mais a exclusividade da produção e distribuição de música, os veículos tradicionais de mídia também não detêm mais a exclusividade da produção e distribuição da informação. Isso por si só é neutro, um fato da vida, não é positivo nem negativo. O que vai determinar a qualidade desse fenômeno é o uso que se faz disso. E, por incrível que pareça, o jornalismo ainda tem as regras básicas a serem seguidas, se o objetivo é credibilidade e atenção, quando o assunto é veiculação de informação de interesse público.

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