Os animais do quilo

Entre outras qualidades, o restaurante por quilo é famoso por reunir uma clientela formada por uns 70% de tipinhos detestáveis. E eles são mais ou menos 40% de todos os tipinhos detestáveis que habitam o Brasil.

Quais sejam:

– A vaca que chega depois de você, mas, como é brasileiríssima, ela quer se dar melhor do que você, o que num restaurante por quilo significa sentar antes de você. Um clássico. Os artifícios usados por esse tipo de animal para “guardar mesa” são: bolsa, crachá e chave (guarda-chuva é raro). Uma vez me sentei numa mesa onde repousava uma chave. Chamei a garçonete e disse que alguém tinha esquecido aquilo ali.

– O viado que brasileiramente “experimenta” um bolinho de queijo ou uma muçarela de búfala antes de pesar o prato. Outro clássico da miséria. Obviamente ele mete a mão e pega, foda-se. Não raro, o mesmo viado encharca o prato de azeite e vinagrete. Depois de pesar o prato, claro, de modo a “se dar bem”, o que no mundo dessa gente significa economizar R$ 0,03.

– A hiena que, na fila do buffet, enfia o braço por baixo do seu prato para pegar a cenoura que está a 5 metros dela, porque, por alguma razão, ela não pode esperar você se servir antes, ela tem que “garantir logo” os nutrientes dela, mesmo que isso provoque um incômodo desnecessário no outro. Foda-se. Deve ser alguma herança da guerra –foram tantas no Brasil, né?

– O celenterado que, “apressado” como a hiena, simplesmente passa na sua frente na fila do buffet, afinal ele não vai pegar nada do que você está pegando, então por que esperar 15 segundos como um vertebrado civilizado? “Vou pegar logo o que preciso, comer rápido e sair daqui. O inimigo pode estar próximo!”. Coisas que só quem passou por uma guerra entende.

– Se o quilo for numa padaria, existe a cadela que, na fila do caixa, já joga o saco de pão e o que tiver na mão no balcão, enquanto você, que está na frente dela, está sendo atendido. São cadelas muito fracas, coitadas, que não conseguem segurar algo mais pesado que 200 gramas por muito tempo. Uma vez uma mulher usou uma torta para empurrar a máquina do cartão enquanto eu pagava. Dois segundos depois, a torta estava no chão, claro. “Ops, desculpe, que desastrado que eu sou, quer ajuda?”, perguntei sem nem olhar pra ela.

Enfim, gosto demais de almoçar nesse tipo de estabelecimento de tempero bem brasileiro.

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