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Não entendo de futebol, deixa quieto

21/06/2010

A Globo usa (e paga bem por isso) os jogos da seleção para atrair anunciantes. Ela ganha muito dinheiro com isso, é óbvio.

O futebol e a F1 são as únicos “shows” da emissora em que os “artistas” desses shows não são contratados da Globo. Mas seria muito bom pra ela se fossem. Não por acaso, Galvão Bueno arrota até hoje a amizade dele com Ayrton Senna.

Apesar disso, a Globo manda e desmanda no futebol nacional. Muda horário de jogo para que ele seja exibido de acordo com as suas necessidades e veta até mesmo o uso jornalístico de imagens desses jogos por outros veículos. Ou seja, ela é a dona do futebol local.

Na Copa isso é (ainda) impossível pra ela. Então o ideal seria cooptar esses tais artistas e fazê-los, eles também, uma atração da emissora. Mas a Globo não paga o técnico nem os jogadores. Ela paga o direito de transmitir as partidas –assim como a Band, aliás.

Quando um bugre como o Dunga (e como é, em geral, quem está em campo; isso não é uma surpresa) fala palavrões para um jornalista da emissora, a Globo entra em colapso porque ela não tem gerência na seleção, ainda que ela torça para que o Brasil ganhe para que ela continue tendo audiência.

Então é um dilema muito benvindo em que vejo dois cenários, nenhum favorável à emissora carioca: 1) a Globo corre o risco de ver a sua audiência se voltar contra ela (afinal “o Brasil é más”) e /ou 2) de parecer só uma emissora besta que chia por uma bobagem sem tamanho como essa.

E daí que o técnico da seleção “trata mal” os jornalistas? A quem interessa isso a não ser aos próprios jornalistas? Melhor ganhar e cuspir em jornalista do que cuspir no torcedor e puxar o saco de jornalistas. Então amplificar esse tipo de coisa, e, especialmente, neste momento em que o Brasil está ganhando, pode ser um belo um tiro no pé.

Mas eu não entendo de futebol, então deixa quieto.

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