Oooopa! A Veja já decidiu, tá? Foram os dois, e beleza. Precisa julgar não, bobagem, bora pro linchamento público, que tá firmeza.

Eu espero que eles não sejam os assassinos. Não porque ache que eles sejam inocentes, obviamente estou cagando pra isso. Mas porque a imprensa seria, quase sem exceção, esculachada pela irresponsabilidade de condenar, função, não custa dizer, que não cabe a ela em hipótese nenhuma, muito menos condenar a priori. Talvez a imprensa queira “furar” a Justiça.

E condenar (ou inocentar, mas isso não é notícia) não é só chegar a esse ponto baixo que só a Veja consegue. É apurar mal, é tomar como fonte única o que diz a polícia (e o que a polícia decide dizer), é editar imagens que condenam por si, é editar textos de modo a satisfazer o “que o leitor quer” (adoro jornalista, uma espécie bem curiosa de paranormal que sempre *sabe* o que o outro quer).

Já foram publicados, aqui e ali, muito discretamente, indícios do “circo da mídia”, uma espécie de tentativa de se distanciar de uma postura editorial tomada quase unanimamente (não sei se é unânime porque não leio todos os jornais, sites e revistas nem vejo muita TV) que é o de capitalizar, da maneira mais burra, uma morte trágica como essa.

Burra como foi a entrevista exibida no Fantástico ontem. Foram mais de 35 minutos de entrevista com esses dois. Se o Fantástico fosse um jornal impresso, essa entrevista ocuparia uns dois cadernos grandes inteiros, sem anúncios, um desporpósito.

Não houve nenhuma pergunta que prestasse, nenhum questionamento de fato, nenhum confronto, como o básico: Como você acha que a sua filha foi morta? Ou: O que você vai fazer para descobrir o assassino? Ou ainda: Quais atitudes vocês pretendem tomar caso se descubra que os assassinos não são vocês? Ou também: A decisão de dar essa entrevista e se mostrarem “carinhosos” e “religiosos” não é um ato de desespero?.

Nem pensar. O repórter queria que os dois chorassem. Nunca confio em lágrimas na TV. Isso é tudo menos jornalismo. É entretenimento da mais baixa categoria, porque usa dois coitados, pessimamente articulados, mal orientados e acusados de assassinato, a seu próprio favor, apenas para ganhar audiência, não para obter informações relevantes.

Ou você ficou sabendo de alguma novidade depois de TRINTA E CINCO MINUTOS de entrevista? Então essa entrevista, tão exclusiva quanto irrelevante, deveria ter, no máximo, uns cinco minutos, o que já seria longa. Mas por que fazer isso, né? Bora pro picadeiro. Só não vale publicar textos “chocados” com os “populares e curiosos” que querem linchar os dois, tá?

Uma coisa está diretamente relacionada a outra. Ainda mais num país pobre. Aliás, isso tudo é derivado da pobreza geral.

***

Por falar em pobreza geral, hoje a mãe da menina estava no show do padre Marcelo Rossi. Que luto gostoso… E vestida com aquela camiseta horrorosa com a foto da filha estampada. Além de pobre, há algo de podre aí.

Como disse a ex-atriz pornô Xuxa durante esse “evento”: “A violência começa dentro de casa. Você começa com um beliscão, uma pancadinha, aí estrangula, mata e fica por isso mesmo”. Adorei a evolução da coisa, principalmente porque ela já deu vários beliscões em rede nacional. Sorte da Sasha (e azar nosso) que ela ainda está viva, posso concluir. Ou não?

Chega desse assunto, vai.

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