BUATSI

Obviamente eu não tenho saudades de boate. Mesmo se a boate se chamar de clube. Principalmente se esse clube me aceitar como sócio (carteirinha nº 011).

Ocorre que eu vi uma série de depoimentos, todos um pouco emotivos demais, sobre o tal clube, que se chama Lov.e e vai fechar depois de dez anos –surgiu como Lov.e Club & Lounge, porque tinha pufes…. Esse “.e” é uma das coisas mais passé ever, mas, por isso mesmo, é algo divertido e simbólico da neo-cafonice paulistana.

Então resolvi contar uma ou duas coisas.

Até o “advento do Vegas”, o Lov.e tinha sido o lugar aonde eu mais havia ido em SP. E as idas começaram em 98. Com drum’n’bass, veja só. Durante meses, ia todas as quintas com meu amigo. Todas. Era um som fresco (apesar do calor e do fedor da pista), tinha a ver com o momento, era agressivo e delgado na medida.

Fiquei muito bêbado, muito louco e, poucas vezes, muito sóbrio nesses e em outros dias. O som que saía das caixas, definitivamente, foi o melhor que já ouvi na cidade. Era bom ficar no meio da pista, o corpo se movia direitinho, impulsionado pelos graves e pelas luzes na pista, nunca muito escura, nunca muito clara, nunca muito feérica, mas sempre “moving”.

A máquina de tirar foto grátis que ficava na entrada do banheiro era “a maior legal” e não durou muito.

Aí teve um momento, um só, que não se repetiu nunca mais em lugar nenhum do mundo. Num dado dia, estava eu em outra balada e decidi, sozinho, ir ao Lov.e porque eu queria dançar um pouco (aliás, esse era um dos principais motivos para ir até lá).

Cheguei às 5h e pouco, deixei o carro no manobrista, abri a porta do Lov.e, e “Blue Monday”, do New Order, começou a tocar num remix ótimo. Como não houvesse ninguém na minha frente, continuei meu passo até a pista e dancei como se deve. Quando a música acabou, uns dez minutos depois, segui o caminho de volta e fui embora. O meu carro ainda estava à espera do manobrista. Entrei e fui pra casa. Era esse momento resoluto e mágico que eu precisava naquele instante –e foi espetacular.

O DJ que fez isso pra mim sem saber foi The Hacker, soube depois.

Pronto, acabou, tchau, que venham novas boates, novos clubes, porque os que existem hoje em SP são muito esquemáticos.

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