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20/01/2008

PRETINHO BÁSICO

O diretor da São Paulo Fashion Week adotou uma criança em julho passado, ou seja, esta é a primeira temporada de Paulo Borges versão pai. E pode-se dizer que o “pretinho básico” é tendência. “Botei na cabeça que adotaria filhos negros, e na Bahia, porque eu adoro a raça africana, a descendência afro-baiana”, disse Borges à Folha em setembro. Uma graça, não?

Não sem razão, o “tema” da SPFW, que está rolando esta semana, é “diversidade social, racial e cultural”, eufemismo brasileiro para tratar de negros.

Então a questão da pouca presença de modelos negros nas passarelas, que é pauta antiga, ganha vigor com as circunstâncias.

A rigor, a moda vende sonhos, o inalcançável por meio de roupas, perfumes e acessórios. Imagem é tudo, e, no Brasil, o sonho é não ser negro, apesar de ser o país mais negro fora da África (ou talvez por isso mesmo). Agrava essa situação o fato de os negros serem mais pobres, mais analfabetos e mais presos que os “brancos”.

Sob o ponto de vista de imagens irreais, não vejo problema ou contradição em ter meninas brancas e esqueléticas como “padrão” não de beleza, é claro, mas de cabides onde as roupas são penduradas. Além disso, a pele cor de cera funciona também como uma tela neutra onde a roupa se destaca com mais facilidade nas fotos e vídeos.

Por outro lado, estamos no Brasil, talvez o único lugar do mundo onde existam “pardos” autodeclarados, uma espécie de “raça” off-white, para usar um termo “fashion”. Para quem então os estilistas e a “indústria” da moda brasileira vendem? Não para negros, mas para aqueles que se acham brancos, que são, em média, mais ricos que os negros e que tentam, historicamente, se distanciar deles. É quase um posicionamento (a)político.

Também, como estamos no Brasil, copia-se. Em Paris, Milão e NY, os modelos negros são minoria. Portanto aqui não vai ser diferente, já que queremos ser como eles sob todos os aspectos, inclusive nas roupas, não raro copiadas de modo escancarado das grifes francesas e italianas mais conhecidas.

A Folha publica um placar diário da presença de negros nas passarelas da SPFW. Geralmente dá uns 200 brancos X 7 negros. É um placar quase que o exato negativo da sociedade brasileira.

Mas não há, nunca houve nem vai haver, nenhuma relação entre moda e realidade, seja qual for. É inadequado “pedir” que haja. O desejo, motor básico da moda, está no impossível. Quem quiser que o compre.

A questão mais premente em relação a esse tema é outra e próxima: por que há tão poucos estilistas negros no Brasil? Isso dá bem mais pano pra manga (ainda mais na temporada de inverno hahaha).

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13/01/2008

Não gosto de poesia, ok? É o uso de palavras menos interessante para mim. A métrica, a rima e o aspecto visual são monótonos para mim. Essa rigidez formal é pouco libertária, ainda que haja poesia em que esses três aspectos não sejam respeitados, mas, por isso mesmo, funcionam como oposição a eles, de modo que eles ainda estão lá, sempre a reger as idéias.

Mas gosto quando poesia é acomapnhada de som e se transforma em música, é uma parceria irresistível.

Mas poesia no papel não. Gosto de narrativa, de personagem, de ação (mesmo que seja a mais estática inação), de história, de possibilidades infinitas, de ausência de regras, de conflito.

Ok?