16/06/2006 – 16h01
Dupla sueca The Knife congela Sónar com mistério no melhor show do primeiro dia

MARCELO NEGROMONTE
em Barcelona, Espanha

O melhor show do primeiro dia do Sónar não teve rosto. Vestida com macacões e balaclava (espécie de gorro que cobre toda a cabeça) pretos, a dupla The Knife, formada pelos irmãos suecos Olof Dreijer e Karin Dreijer Andersson, se apresentou apenas com os olhos, nariz, boca e orelhas à mostra.

Assim como Daft Punk, Artist Unknown e o rapper MF Doom, The Knife esconde a commodity mais valiosa do showbiz e integra o grupo radical de artistas partidários do lema “o que importa é o som”.

No palco, grafismos e imagens fluidas eram estampadas num anteparo translúcido, posicionado entre o público e a dupla. Ao fundo, outro telão exibia imagens diferentes, às vezes concomitantemente.

No show de uma hora de duração, o Knife mostrou músicas do álbum recém-lançado “Silent Shout”, como a faixa-título, numa versão poderosa, com baixo sintetizado a vibrar o subsolo do Centro de Cultura Catalã de Barcelona e com imagens do clipe da música no telão translúcido. Foi a música mais dançante do espetáculo.

“We Share Our Mother’s Health”, “Neverland” e “Na Na Na”, também de “Silent Shout”, ganharam mais reverência e seriedade do que no álbum. A voz de Karin era o som de um espectro algo doente, perdido numa floresta de árvores negras no inverno.

Com uma sonoridade oitentista, calcada em sintetizadores e bateria eletrônica, mas completamente remodelada para esta década, The Knife levou, com a ajuda de luzes frias e pequenas torres de lâmpadas coloridas, um clima de mistério congelante e sedutor ao quente Sónar. O curto concerto foi assustadoramente bom.

Jake
Outro bom show no fraco primeiro dia do evento em Barcelona foi o do rapper norte-americano Jake, um sardônico Louis Austen do hip hop. Sujeito barbudo e gordo que se apresenta com a camisa aberta a balançar a pança, Jake cantou sobre bases programadas e levou o público a destruir as almofadas da patrocinadora Vodafone e a jogar as espumas coloridas para o alto no final da apresentação. Jake encerrou o show com uma cover dos Monkees.

Shit and Shine
O grupo britânico Shit and Shine, além de ter esse nome ótimo, foi outro bom destaque da quinta no Sónar. Formado por quatro (!) bateristas e dois baixistas (um deles também programador), o Shit and Shine fez um show de praticamente uma música só. Uma espécie de kraut rock superdistorcido e propositalmente catártico, marcado pelas batidas marciais das baterias –uma delas, que ficava à frente, na posição que seria a do vocalista, era tocada por uma mulher que se parecia com a menina do filme “O Grito”, com longos cabelos a cobrir o rosto. Parece que em 2006 o negócio é esconder a cara atrás de barulhos.

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