VIRGINIA

Confesso que fiquei decepcionado com o massacre na universidade da Virginia. Especialmente por se tratar “do maior massacre a tiros da história dos EUA”, esperava bem mais do que isso. Vamos lá:

– O autor dos tiros tem uma personalidade medíocre, cretina, sem nenhum característica que possa qualificá-lo como uma figura atraente ou sedutora. É um personagem pobre e superficial, como raras vezes se viu no noticiário. Não sei se é verdade ou foi a maneira que a imprensa elegeu para classificá-lo, mas alguém que é “oriental, isolado, tímido e deprimido” não é uma pessoa, é uma clichezada. Se alguém me disser que ele também colecionava histórias em quadrinhos, eu vou ter uma síncope!

– OK, 32 mortes, fora a dele próprio, é um número considerável. Mas, putz, que sem graça essas mortes! Não há nenhuma ligação entre as vítimas ou entre elas e o assassino. Foram mortes a esmo, aleatórias, banais, burras. Faltam-lhes conflito, drama, violência. O conjunto dessas vidas não compõe um panorama que as localize no tempo e no espaço. São apenas mortes. Mortes bestas. Houvesse um critério por parte desse assassino, uma maneira de matar, um motivo para matá-las, aí, sim, as coisas começariam a ficar legais.

– Não existe nada mais chato em jornalismo do que infográfico de massacre em universidade. Quando o assassino é um débil mental que faz esse tipo de atrocidade sem critério, o resultado pro leitor é o mais puro enfado.

– Por falar nisso, aposto uma paçoca como esse assunto vai ser capa de alguma revista com o título gigante “WHY?”.

– Desculpe, mas esse episódio não será adaptado pro cinema. O plot é muito ruim. O personagem principal é tosco, tem uma personalidade tão complexa quanto uma folha em branco e agiu de modo o mais idiota possível. Ele poderia ter matado as mesmas 32 pessoas e ter tido uma repercussão muito maior. E muito melhor. Era só fazê-lo com inteligência, e não porque “eles tinham que pagar porque me humilharam”. Ah, por favor, né?

– Enfim, esperava mais. Seria um grande evento se o sujeito não fosse tão estúpido. De resto, quem morreu, quem foi herói, quem conheceu o assassino, os professores, os alunos, *nenhum* desses personagens dessa história importa. Nada. O que resta é o vazio de uma cagada de um coréia mongol embebido em clichês.

– Que haja outros massacres em universidades americanas (só rola nos eua, baby) com um pouco mais de mistério, de conflito, de violência (apenas matar não vale) e de perspicácia.

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