Archive for abril \19\UTC 2007

19/04/2007

VIRGINIA

Confesso que fiquei decepcionado com o massacre na universidade da Virginia. Especialmente por se tratar “do maior massacre a tiros da história dos EUA”, esperava bem mais do que isso. Vamos lá:

– O autor dos tiros tem uma personalidade medíocre, cretina, sem nenhum característica que possa qualificá-lo como uma figura atraente ou sedutora. É um personagem pobre e superficial, como raras vezes se viu no noticiário. Não sei se é verdade ou foi a maneira que a imprensa elegeu para classificá-lo, mas alguém que é “oriental, isolado, tímido e deprimido” não é uma pessoa, é uma clichezada. Se alguém me disser que ele também colecionava histórias em quadrinhos, eu vou ter uma síncope!

– OK, 32 mortes, fora a dele próprio, é um número considerável. Mas, putz, que sem graça essas mortes! Não há nenhuma ligação entre as vítimas ou entre elas e o assassino. Foram mortes a esmo, aleatórias, banais, burras. Faltam-lhes conflito, drama, violência. O conjunto dessas vidas não compõe um panorama que as localize no tempo e no espaço. São apenas mortes. Mortes bestas. Houvesse um critério por parte desse assassino, uma maneira de matar, um motivo para matá-las, aí, sim, as coisas começariam a ficar legais.

– Não existe nada mais chato em jornalismo do que infográfico de massacre em universidade. Quando o assassino é um débil mental que faz esse tipo de atrocidade sem critério, o resultado pro leitor é o mais puro enfado.

– Por falar nisso, aposto uma paçoca como esse assunto vai ser capa de alguma revista com o título gigante “WHY?”.

– Desculpe, mas esse episódio não será adaptado pro cinema. O plot é muito ruim. O personagem principal é tosco, tem uma personalidade tão complexa quanto uma folha em branco e agiu de modo o mais idiota possível. Ele poderia ter matado as mesmas 32 pessoas e ter tido uma repercussão muito maior. E muito melhor. Era só fazê-lo com inteligência, e não porque “eles tinham que pagar porque me humilharam”. Ah, por favor, né?

– Enfim, esperava mais. Seria um grande evento se o sujeito não fosse tão estúpido. De resto, quem morreu, quem foi herói, quem conheceu o assassino, os professores, os alunos, *nenhum* desses personagens dessa história importa. Nada. O que resta é o vazio de uma cagada de um coréia mongol embebido em clichês.

– Que haja outros massacres em universidades americanas (só rola nos eua, baby) com um pouco mais de mistério, de conflito, de violência (apenas matar não vale) e de perspicácia.

15/04/2007

SIMPLE LIFE

I wash my feet
and I feel so good
I brush my teeth
and I feel so good
I clean my nose
and
I’m
ready
for my love affair

“Loffe Affair”, Nôze

13/04/2007

IMPRENSÊS

– Confira não é sinônimo de veja.

– Segue não é sinônimo de continua.

Burros!

13/04/2007

SHAHA RIZA ARRASA

A namorada do Paul Wolfowitz, presidente do Bird (pássaro, em inglês hahahaha), Shaha Riza, passou a ganhar US$ 20 mil anuais a mais só pq dava pro big boss. Ou seja, passou a ganhar US$ 193 mil pelo Banco Mundial (pássaro, em inglês), livre de impostos.

A tia da Nana Shara mandou bem, hein? Rá!

12/04/2007

VI TV

Depois de um período intensivo e involuntário de quatro dias como espectador de televisão, tenho algumas considerações sobre alguns programas que vi, por ordem de lembrança. (Esse volume de tempo dedicado à atividade televisiva foi maior do que o observado em 2005 e 2006 juntos).

Bom Dia Brasil. Fazia tempo que eu não via o BDB 28. Que apresentadora linda a Renata Vasconcelos! Meu deus, acordar com aquela moça olhando para você e falando calmamente as primeiras notícias do dia é como ter praticamente dormido com ela. Só não o é completamente porque ao lado dela está o Senhor Free Shop, Renato Machado (sujeito afeito a vinhos, gravatas e charutos), um pouco chato, um pouco inconveniente nos desnecessários e irritantes comentários após as notícias. Mas a Renata _que deve ser minha parente; me chamo Neo Zeitgeist Vasconcelos_ leva tudo numa boa e se sai muito bem, como em todo o resto.

As notícias, mesmo as pesadas, são apresentadas num tom mais leve, a narração dos apresentadores é mais plácida, talvez para não despertar muito bruscamente os telespectadores. É muito agradável e salutar quando não há o tradicional histrionismo jornalístico para tentar transmitir importância e tensão à notícia.

No mais esse programa serve de matéria-prima para pelo menos 5 (cinco!) “Em Cima da Hora” (ahã, super em cima), da Globo News. Por exemplo, eu vi a mesma matéria da morte do segurança do governador do Rio até umas 15h.

Palmirinha Onofre. Não me lembro do nome do programa, claro, a atração principal é a cozinheira mais fofa e porca da TV brasileira. E uma das poucas que come muito no ar. Come plural, né, minhas amiguinha?

Eu curto a dona Palmira porque ela é ingênua, guarda “as ficha” do merchã na gaveta do armário, chama wok de “frigideira grande” e ensina a complexa receita Frango com Milho Verde com a seguinte observação ao listar os ingredientes: “duas colheres de sopa de milho verde. Mas, Palmirinha, minha família não gosta de milho verde. Não tem problema, pode colocar ervilha. O meu genro, o marido da Tânia, também não gosta de milho verde. Pode colocar ervilha que fica bom também.” Então a receita deveria se chamar Frango com Qualquer Coisa.

A anatomia do frango ganha didatismo ótimo: “Você pode usar qualquer parte do frango, coxa, anticoxa [deve ser antecoxa, mas a Palmira fala anti mesmo], eu falo anticoxa porque aprendi a falar assim, mas o pessoal fala mais sobrecoxa, que é a parte que vem depois… antes, que vem antes da coxa. Ponho também a asa, aqui, ó, tá vendo a coxa da asa? Fica uma delícia.” Anticoxa e coxa da asa, eis o frango da Palmirinha. Aliás, ela podia fazer uma versão culinária de “A Vaca e o Frango”, ambos mortos, obviamente hahahaha. Ia ser hilário.

E ela agora tem de usar luvas pra determinadas operações. Mas ela não consguia colocá-las hahahaha. “Tá vendo, Fulana, tá vendo porque eu não gosto de usar luva, fica, ó, com os dedo sobrando”, reclamou ao vivo Palmirinha.

Bem, Amigos. Percebi que esse programa é uma espécie de conselho de sábios dos comentaristas de futebol. Os convidados também são luxo. Ou são muito importantes, ou são históricos ou são revelações incríveis. Não tem jogadorzinho do Marília.

E é importante não haver esse tipo de convidado de segunda classe porque ele pode ficar intimidado por três motivos: 1) os senhores falam muito do futebol dos anos 70 e 60, das táticas (ou da ausência delas) da época, enfim, arrotam cada um a sua experiência histórica; 2) os relógios dos convidados são maiores e mais dourados do que os dos convidados dos outros programas esportivos (do meu sofá, eu quase vi a hora que marcava o Big Ben do Vanderlei Luxemburgo). Portanto são mais elegantes também. Terno jaquetão, alguns com gravatas, Falcão, ah, o “elegante Falcão do Roma” e seu terno claro, meia vinho, uma ousadia que só um cheese cake poderia ter, e cabelos muitíssimo penteados para trás, a maioria com ajuda de gel ou qualquer troço que segure e faça brilhar; 3) há um cheiro incrível de Bozzano no ar.

Também há atrações musicais ao vivo, é tão descontraído esse programa. O querido Galvão Bueno, sem gravata, circula pimpão pelo cenário, faz piadas com o moço que lê as mensagens pela internet, mostra que sabe (e sabia) de tudo e muito mais e apresenta desta maneira uma música que a banda convidada _decadente, mas que todo mundo gosta, de resto como aqueles senhores do futebol_ ia tocar: “vamos lá, essa música é um sucesso, é do Miltinho, do Fulano Costa, do grande Sicrano de Tal [sim, ele apresentava os compositores da música como se fosse a escalação de um time, sensacional]…, a música é um sucesso, vamos lá, ao vivo, ‘Sapato Velho’, com Roupa Nova”. Quase fui ao chão. O Galvão não sabia o que estava dizendo, não era possível.

360, na CNN. Three-sixty. Três sessenta. Três sessenta são 180, a metade de 360. Ouch!

Enfim, cobertura intensa do caso Don Imus, radialista americano de quem nunca havia ouvido falar porque não ouço rádio AM de Nova York. E demorei dois dias para entender o teor racista e agressivo da expressão “nappy-headed hos”. Isso virou assunto nacional nos EUA depois que Imus chamou disso as moças do time feminino de basquete da Rutgers University. É algo como putas de cabelo ruim. Como o sujeito era da CBS e da MSNBC, a rival CNN só falava disso. Depois de ter sido suspenso por duas semanas, Imus, que não era lá um sujeito adorável e era dois graus além do politicamente incorreto (parece que ele já havia dito no ar que “judeus ladrões é um pleonasmo”) foi finalmente demitido ontem. E ele é horroroso, pelo amor de deus. Ele é tão feio que, quando vi esse assunto pela primeira vez, achei que ele fosse a vítima hahahaha.

Mothern . Taí, gostei, achei muito bom, vi um episódio inteiro. E estou muito longe de ser mulher e mais longe que Netuno do Sol de ser mãe. As atrizes são boas, o texto é esperto e as mulheres não são débeis-mentais do feng shui/boa forma/moda, adeptas das boas maneiras ou da cozinha _ambas modernas, claro_ nem taradas/carentes (os três grandes grupos femininos que aparecem na TV, em qualquer canal). Achei bem produzido e bem dirigido, ainda que o áudio seja um pouco deficiente em algumas cenas. E é legal quando o humor de mulher pra mulher, Marisa, funciona também para um homem.

Irritando Fernanda Young. Como eu disse, foi uma experiência involuntária essa de assistir à TV como um brasileiro médio hahahaha. Me parece que esse programa tem a intenção de ser engraçado ou, no mínimo, divertido. Me parece também que não consegue. É como aquele Diogo Mainardi: é notório o esforço para ser polemicão, mas ele só leva o tédio (se você for tão babaca quanto ele, pode fazer eco ao que ele diz, seja contra ou a favor).

Essa moça que se diz escritora deveria escrever mais livros, porque ela não é boa entrevistadora. Aliás, mulheres-bichas são uma aberração. As bichas, vá lá, são divertidas e são homens com atitudes de mulher. Mas as mulheres-bichas são mulheres com atitudes, gírias e trejeitos de homens com atitudes, gírias e trejeitos de mulher. É tão over quanto um bolo de chocolate, com recheio de doce de leite, cobertura de chocolate e chantily e pedaços de sufflair nas bordas.

E, meu bem, se tem uma coisa que vc não tem, é o timming das bichas hahaha.

* De resto, o Multishow apresenta clipes de bandas emo, de “Irreplaceble”, da Beyonceta (“to the left, to the left”, devo ter ouvido umas 500 vezes nesses 4 dias), e de gostosas seminuas em geral, e de “Berimbau Metalizado”, da Ivete Sangalo, do show que o canal gravou no Maracanã. Todos os estrangeiros com legendas, o que acho divertido.

* Também passei a ter uma atração mórbida por programas esportivos. Mais do que novelas, mais do que qualquer outro tipo de programa, os esportivos, sejam radicais ou convencionais, oferecem a maior quantidade de obviedades e lugares-comuns da TV. E isso, minha gente, é reconfortante, acalma o ser humano.
E toda essa mensagem é dita pelas pessoas mais feias e mais mal vestidas da TV, uma união que só o esporte é capaz de fazer. Ou seja, é questão de talento mesmo.

* Muito programa pra mulher na TV, muito chato isso. Não que eu quisesse um programa “pra homem”, o que em televisão significa uns 12 peitos com silicone se esfregando ou carros potentes e suas vantagens ou ainda futebol (não, chega!). Mas as temáticas do programas são muito femininas, para mulheres, aquelas que “trabalham menos do que os homens e/ou tem mais hábito de ver TV que os homens”. Não sei, foi uma impressão que tive.

* Ah, não, seriados não. Puta coisa insuportável. Não gosto de nenhum: “Lost”, “24 Horas”, todas essas merdas de espíritos, todas essas bostas que se passam em hospitais, “The OC”, “Gilmore Girls”, nada, tudo um saco.
Acabei vendo os que eu gostava: “Friends”, “Seinfeld” e “That 70’s Show”. São engraçados, não há personagens com superpoderes nem passado misterioso, tampouco é preciso acompanhar TODOS os episódios para entender o seguinte (isso parece comportamento de crackeiro).

Agora eu só quero ver TV em 2009. Enough is enough.