HORROR

Era pouco depois das 9h quando liguei para ela, ainda sonolenta. Havia chegado pouco antes ao trabalho, e a imagem que estava na TV parecia uma piada. Um piloto bêbado havia batido em uma torre do World Trade Center com um avião pequeno. Tínhamos estado lá quatro meses antes, no subsolo, na primeira vez em que eu estava em Nova York e na primeira vez que viajávamos juntos, uma viagem linda em todos os sentidos, por isso o motivo do telefonema, como se aquele prédio e aquela cidade fossem _e são_ um dos capítulos mais tenros da nossa história.

– Liga a TV, você não vai acreditar, um bêbado bateu no WTC! Sim, liga, é inacreditável.

A partir daí até o fim da noite, só conseguia ver ad nauseum essas imagens e as imagens que se sucederam a isso (o desconcerto, a brutalidade, o abismo, o horror que foi assistir ao vivo a colisão do segundo avião no prédio causou apenas uma reação imediata em todos: era replay do primeiro impacto, não era possível ter havido outro. Não ao vivo; talvez no cinema).

Ao final do dia, estava exausto. Em casa assistia a vídeos do ataque e chorava um choro de tristeza e desesperança profundas _por mim, por ela, pelos mortos, pelos que sobreviveram, pela cidade, pelo mundo, pelo homem, por nada.

Esse choro angustiado voltou com “United 93” (a distribuidora brasileira ainda não se decidiu se o filme se chama “United 93”, “Vôo 93” ou “Vôo United 93″…), um dos filmes mais perturbadores do cinema recente, uma experiência cinematográfica que desnorteia o especatdor com extrema habilidade.

A câmera na mão característica de Paul Greengrass, que escreveu e dirigiu o filme, é usada à perfeição, sem concessões nem inapropriações. O tom realista do longa choca, mesmo cinco anos depois do fato.

Um filme é um grande filme por inúmeras razões. Uma delas que considero importante é o poder transformador do que é realizado. Quando você sai da sala de cinema _ e esse “United 93” deve ser visto lá_ diferente de quando entrou, especialmente quando sai atormentado, eis um grande filme.

Uma experiência brutal, especialmnete se você for daqueles que não se anestesiam com o horror que o homem é capaz de provocar.

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