Archive for setembro \24\UTC 2006

24/09/2006

METROCUMBA

Criação coletiva numa festa criou uma modalidade contemporânea de macumba: o despacho metrossexual. A metrocumba, portanto.

Para fazer uma oferenda a Exu, chiquérrimo, use os seguintes ingredientes sugeridos por um pai de santo que usa cremes, faz peeling, se veste de grife da túnica à sandália de dedo, se maquia com MAC, mas não é gay:

– Farofa pronta de mandioca Yoki
– Frango orgânico desossado para microondas
– Pipoca de microondas
– Cachaça Ganyvit
– Charuto Cohiba
– Vela aromatizada

Agora deixe o trabalho na esquina da Oscar Freire com a Haddock Lobo. Luxo.

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24/09/2006

REGGAEMO

Se você vir alguém com franjas dreadlock, cajal nos olhos, camiseta tie-dye e com um baseado na mão, pode ter certeza de que ele gosta de um novo gênero musical: o reggae emo, ou apenas reggaemo.

Sempre chapados, se emocionam com facilidade ao falar ou cantar sobre o amor e a paz entre os homens _e o amor entre os homens aqui ganha conotação hostilizada entre os reggaemen jamaicanos_, o pessoal do reggaemo não está nem aí para o que falam deles.

Eles se dizem “autênticos” (não há como negar isso) e consideram Bob Marley apenas uma referência distante, ainda que o respeitem. The Sweet MJ, The Puffy Jah e Cry Out são as bandas mais populares do gênero.

Apesar do aspecto “telúrico” e quase socialista de compartilhar suas vidas com seus pares, os reggaemo consomem bastante. Já existem versões em pelúcia de Heile Salassie e seda de maconha dos Ursinhos Carinhosos, um mix de referência do qual muito se orgulham os membros desse grupo.

A maior dificuldade que enfrentam (e enfrentar dificuldades legitima sua condição emo e reggaeira em um só tempo) não está no preconceito (eles adoram ser discriminados pelo mesmo motivo) que a “sociedade” tem em relação a eles. Mas, segundo depoimentos, o grande desafio é manter os dreads em franjas.

18/09/2006

Já reservei o meu abadá do Franz Ferdinand para a próxima turnê. Diz que o nome do bloco vai se chamar Franzfer Bambu hahaha.

Não me entenda mal. O show é bom, muito bom, ótimo. Os escoceses fazem uma espécie de carnaval rocker, e o público (e a própria banda nesse último show da turnê) se joga fundo. Difícil recordar de um show de rock em que houvesse “trenzinho” na platéia _ e a banda não fez concessões fáceis nem óbvias para ganhar a massa, apenas tocou suas músicas, quase tudo hit, mesmo as novas como “L Wells”, de modo extremamente afiado e competente.

E um show em que as pessoas celebram sem que houvesse amanhã (e havia, com mais shows, ave) é o tipo de show que me agrada (menos o do Pet Shop Boys haha), por vários motivos, mas não tenho condições de dizê-los agora hahaha.

De qualquer modo, é curioso que uma banda que há pouco tempo estava sempre ligada à palavra “art” possa agora ser vinculada a “carnaval”.

E Peter Hook? Muito bom o Franz Ferdinand do domingo! Se português fosse inglês, seria conveniente inventarmos o verbo “overDJ” para descrever a performance do cara do New Order nos pick-ups (que nem cobrou mais para tocar assim hahaha). Aliás, ele montava nos toca-discos (havia discos mesmo?) como se fossem um cavalo: coices com a perna direita, uma mão para o alto enquanto a outra segurava o botão (a rédea?), poses incríveis enquanto fumava e, a minha posição preferida, mãos no joelho e olhar cansado e satisfeito.

O baixista, que foi apelidado de “DJ Sig Bergamin”, praticamente só tocou extendend versions na íntegra, as músicas não acabavam nunca, pelo amor de deus. E o set gravitava sobre o universo do New Order e do Joy Division, com um punhado de músicas deles, além da versão nervosa de “I’ve Lost Control”, com Grace Jones, “Out of Control”, dos Chemical Brothers com voz de Bernard Sumner, Happy Mondays (também de Manchester), “Dare”, do Gorillaz, com voz de Shaun Ryder (dos Happy Mondays) etc e tal.

Isolée fez um dos melhores sets que vi recentemente. O alemão Rajko Müller e sua música de rico (minimal é a eletrônica esporte fino) foram perfeitos na matiné de domingo na Barra Funda. O modo como ele conduziu o set, que ganhava cada vez mais elementos pequenos e bem colocados, e a ausência do hit “Beau Mot Plage”, muito bem ausente, são alguns dos motivos da nota alta para a apresentação do produtor.

Como disse depois do show o nipo-libanês mais alemão que eu conheço: “É isso!”. Pronto, é isso.

O Modeselektor foi bom, mas quando há um equipamento de som melhor e um local mais adequado, o show é ótimo. Os graves dos alemães pedem mais estrutura do que havia ali.

Beijo, tchau.

12/09/2006

!?!

* OK, Steven, por que você jogou uma garrafa no vocalista do Panic! at the Disco no Reading Festival no último dia 25?
* Bem, eu poderia lher dar todos os motivos do mundo, como eu estava bêbado, já estava de saco cheio depois do Dashboard Confessional [banda que tocou antes do Panic!] e estava lá para ver o Franz Ferdinand [a última atração do palco principal nesse dia]. Mas, tudo bem, um idiota do meu lado estava com uma câmera, filmou o exato momento em que arremessei a garrafa, que era de plástico e de Coca, e colocou no Youtube; agora estou aqui falando com você sobre esse incidente ridículo…

* Sim, é ridículo, mas tudo o que você faz fora da sua casa (ou até mesmo nela) está sujeito a ganhar proporções gigantes em muito pouco tempo. Talvez você não tenha pensado nisso antes de jogar a garrafa, mas você deve ter tido um motivo para fazê-lo, certo?
* Claro que sim. E nem é porque eles são emo ou algo que o valha. Sempre houve grupos e artistas que agem dessa maneira no rock. Isso não é novidade nenhuma. É engraçado que, quando uma banda faz algo em que acredita, seja categorizada como emocional. Até parece que estamos numa época em que apenas máquinas fazem música [risos]. Também o fato de eles serem um pouco overdressed, maquiados, meio barrocos no visual não é novidade nenhuma. Claro que é o oposto do grunge, o último grande movimento do rock _e lá se vão uns 15 anos! Porra, eu estava num festival há horas, num puta calor, tinha bebido um pouco, sei lá, as pessoas atiram garrafas no palco sem que haja uma razão clara para isso, a não ser uma expectativa de acertar algo lá, só pela diversão irresponsável.

* Tudo bem, eu estou quase convencido de que você se arrependeu, mas não é esse o meu objetivo. Você jogaria uma garrafa numa banda de que você gosta?
* Não sei, cara. Não saí de casa pensando “uau, hoje vou jogar uma garrafa em alguma banda”. Simplesmente aconteceu. E é claro que há algo na banda de que não gosto e que soa bastante pretensioso e cafona….

* E?…
* É a porra da exclamação no meio do nome da banda, caralho! Pra que isso? Qual o objetivo dessa porra? É uma artimanha visual tão passée que me envergonho por eles. Veja por exemplo The Go! Team. O que essa exclamação está fazendo ali? Não é engraçado, não é ousado, não é nada, é idiota! É apenas um artifício cretino para que o nome se destaque num texto. Se você me perguntar se eu gosto de M/A/R/S/S ou ¡Forward Russia!, eu vou rir na sua cara. É quase um acinte ao bom gosto! Eles são os novos ricos gramaticais, ostentam com ignorância. Mas não me entenda mal: não tenho nada contra a Man or Astroman?, por exemplo. O sinal está bem colocado, é uma pergunta legítima.

* Você não acha que sua motivação é tão exagerada quanto a reação do vocalista da banda ao se jogar no chão e levantar uns dez minutos depois?
* Bem, as pessoas gostam deles porque são dramáticos [enfatiza a sílaba tônica]. Eles devem ser assim. Talvez a minha atitude seja proporcional a isso, ainda que não tenha tido essa intenção especificamente.

* Imagino que você jogaria três garrafas nos caras do !!!
* [risos] Olha, nunca pensei nisso, mas talvez três exclamações sozinhas como nome de uma banda sejam um ótimo motivo para nem passar perto do palco em que ela esteja tocando.

* Você já assistiu ao filme M*A*S*H, de Robert Altman?
* Você está de sacanagem comigo! Um cara teve a manha de fazer um filme desses? Sinto muito por ele. Pena que seria ainda mais ridículo atirar uma garrafa numa tela de cinema. Mas deve haver alguma saída para isso.

12/09/2006

EFEITO ESPECIAL

George Lucas deverá permanecer imobilizado pelas próximas três semanas. Uma para cada filme da segunda trilogia de “Star Wars”? hahahahaha.

Nada disso. George Lucas é brasileiro. E mais: ele joga bola na Espanha! Deus abençoe os criativos pais dos jogadores de futebol hahahahaha.

Quer mesmo saber o que rolou? Aqui.

12/09/2006

Eu acredito no acaso fashion.

11/09/2006

A Folha se diz um jornal “pluralista, crítico e apartidário”. Bullshit. Esta semana, as primeiras páginas do jornal causaram-me espanto. Não pelo que publica contra Lula (porque é até divertido ver um jornal tucano noticiar que o vencedor das próximas eleições não é tucano, apesar das condições editorias auto-impostas), mas porque começa a ficar evidente que existe um certo “desespero”, num aspecto mais superficial, e uma tentativa de algum tipo de manobra, numa esfera mais profunda e conspiratória, para que Lula não seja eleito no primeiro turno. Mas isso não importa porque ninguém lê jornal.

Aliás, uns poucos lêem. E, dos que lêem a Folha, 41% dizem votar em Alckmin e 13% são eleitores de Lula. Ou seja, a Folha publica o que o seu leitor quer ler _e portanto, pelo menos, mantém as vendas (desagradar ao cliente é um risco muito sério).

Veja o que o jornal publicou nas primeiras páginas dos últimos dias e conclua algo diferente disso se for capaz.

Na segunda, dia 4, uma chamada pequena: “Lula repete FHC e só perde se os mais pobres mudarem o voto”. Duas considerações aqui. “Repetir” é um verbo que tem caráter negativo quando usado pela imprensa para se referir a uma ação de um político. Se o sujeito da frase for Lula, tanto melhor. “Perder” é um verbo que prescinde de significados quando se tratam de eleições. Mas o melhor não é isso. Basicamente ela diz o mesmo que “Lula perderia as eleições se a maioria votasse em outro candidato”. Dã! Mas é isso que está acontecendo? Não, mas parece que o jornal gostaria que fosse assim.

Quarta-feira, dia 6, uma estratégia chocante: Uma foto de Lula num avião Mirage e outra, dentro dessa maior, de Collor, no avião do mesmo tipo. O título das duas fotos: “Ases Indomáveis”. Por favor! Essa associação é tão absurda que seria hilário se não fosse trágico. A comparação entre os dois é tão descabida (Lula participava de uma cerimônia de apresentação de dois Mirage comprados da França, e Collor pilotava o tal avião) que essa edição depõe apenas contra o próprio jornal, e não contra Lula. E o jornal não se dá conta disso.

Quinta-feira, feriado da Independência e o Dia Nacional da Ocupação Total de Caetano Veloso na Mídia em 2006, a foto principal era do cantor com a chamada “Caetano Veloso lança disco com influência punk e diz que não vota em Lula”. Muito rebeldão mesmo. Mais ao lado a chamada: “Veja as 50 perguntas que Lula deixou de responder”. Como assim “deixou de responder”? Ele ficou calado diante das 50 questões feitas? Não, ele não foi à sabatina do jornal como os demais candidatos. Mas o enunciado deixa claro o aspecto “negligente” do presidente. É uma não-notícia, mas algo importante para destacar na página mais lida do jornal.

Sexta, duas fotos lado a lado, com as legendas “Ordem…”, na qual Lula e a mulher desfilam na parada militar de 7 de setembro, e “…E Protesto”, em que aparecem manifestantes da marcha Grito dos Excluídos. Na edição, está clara a intenção de associar o protesto ao governo Lula e à figura do presidente, o que, obviamante não era o caso, como mostra o próprio texto que acompanha as fotos: “‘A gente não deve votar em corruptos’, disse [d. Claudio Hummes], sem referência direta a partidos, mas citando os casos dos mensaleiros e sanguessugas.” Mas é importante começar a incutir a idéia de impopularidade do presidente, apesar dos altos índices de aprovação à sua gestão.

Ontem, Lula e Collor estavam novamente próximos na chamada “Lula ‘usurpou’ ética de Collor e a Bolsa-Escola, diz Cristovam”. O verbo usurpar cai bem quando o sujeito é Lula, seja qual for a situação.

Hoje, mais uma chamada antiLula: “Lula é o Adhemar de Barros dos novos tempos, diz Weffort”. Francisco Weffort foi o ministro da Cultura do governo FHC, mas o primeiro epíteto que aparece no texto é o de “ex-ideólogo do PT”, o que lhe confere muito mais credencial para dizer bobagens as mais diversas, não é mesmo? Não só diz que Lula é do “rouba, mas faz”, como crê que o segundo mandato do presidente pode levar “a uma grave crise institucional do país”. Cada um diz o que quer, e cabe aos veículos publicarem _e destacarem_ aquilo que mais lhe convém, é claro.

Tenho a impressão de que as coisas tendem a ficar mais divertidas com a proximidade das eleições. E o melhor: a probailidade de efeito zero (em qualquer esfera) do que é publicado no jornal (nesse e em qualquer outro) é cada vez maior. Mas o jornal (esse e qualquer outro) acredita no contrário e acredita também (talvez só esse) que connvence ser “apartidário, crítico etc.”. É engraçadíssimo.

09/09/2006

Era só o que faltava: techmo, o techno emo. E o narigudo do James Holden parece que é o “expoente”.

Falassério.

Quase prefiro o electroxente do Montage hahahaha.

09/09/2006

GOOGLE POR TELEFONE

Essa idéia ótima foi dada por uma amiga quando fazia uso do “google pelo msn”. Isso pode dar muito certo.

Você liga para um número, tipo os numerais correspondentes às letras g,o,o,g,l,e no teclado, e pergunta o que quer saber. Um oráculo com voz, como sempre foi.

Digite 1 se estiver com sorte hoje, digite 2 se quiser ouvir todos os resultados da busca.

Um serviço para você, sujeito offline.

08/09/2006

TAPAS

Tem palmeirense que alega “motivos de foro íntimo” para não ver a peça “Timão de Atenas”.

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The Cardigans é o Kid Abelha sueco versão sax-free.

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Se Caeatano fosse fazer realmente um disco com influências “rock e punk” (só o Supla pode falar isso e ficar livre de piadas, porque ele já é a própria), o tal álbum se chamaria “Pô”, assim, bem radical.

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Está na hora de os mashups cinematográficos ficarem mais populares. Por exemplo, eu quero ver “Serpentes a Bordo do Vôo United 93”.

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Da próxima vez que eu encontrar um desses DJs que se diz “pesquisador musical”, vou perguntar se ele aceita uma bolsa (ops, um case!) da Capes.

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Ouça Prince Language.

02/09/2006

HORROR

Era pouco depois das 9h quando liguei para ela, ainda sonolenta. Havia chegado pouco antes ao trabalho, e a imagem que estava na TV parecia uma piada. Um piloto bêbado havia batido em uma torre do World Trade Center com um avião pequeno. Tínhamos estado lá quatro meses antes, no subsolo, na primeira vez em que eu estava em Nova York e na primeira vez que viajávamos juntos, uma viagem linda em todos os sentidos, por isso o motivo do telefonema, como se aquele prédio e aquela cidade fossem _e são_ um dos capítulos mais tenros da nossa história.

– Liga a TV, você não vai acreditar, um bêbado bateu no WTC! Sim, liga, é inacreditável.

A partir daí até o fim da noite, só conseguia ver ad nauseum essas imagens e as imagens que se sucederam a isso (o desconcerto, a brutalidade, o abismo, o horror que foi assistir ao vivo a colisão do segundo avião no prédio causou apenas uma reação imediata em todos: era replay do primeiro impacto, não era possível ter havido outro. Não ao vivo; talvez no cinema).

Ao final do dia, estava exausto. Em casa assistia a vídeos do ataque e chorava um choro de tristeza e desesperança profundas _por mim, por ela, pelos mortos, pelos que sobreviveram, pela cidade, pelo mundo, pelo homem, por nada.

Esse choro angustiado voltou com “United 93” (a distribuidora brasileira ainda não se decidiu se o filme se chama “United 93”, “Vôo 93” ou “Vôo United 93″…), um dos filmes mais perturbadores do cinema recente, uma experiência cinematográfica que desnorteia o especatdor com extrema habilidade.

A câmera na mão característica de Paul Greengrass, que escreveu e dirigiu o filme, é usada à perfeição, sem concessões nem inapropriações. O tom realista do longa choca, mesmo cinco anos depois do fato.

Um filme é um grande filme por inúmeras razões. Uma delas que considero importante é o poder transformador do que é realizado. Quando você sai da sala de cinema _ e esse “United 93” deve ser visto lá_ diferente de quando entrou, especialmente quando sai atormentado, eis um grande filme.

Uma experiência brutal, especialmnete se você for daqueles que não se anestesiam com o horror que o homem é capaz de provocar.