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24/02/2006

Esta semana um jornal publicou algo sobre a livraria Shakespeare & Co., de Paris. Um escritor que morou no local por quatro meses está lançando um livro.

Essa é a livraria mais sui generis em que entrei. O local é minúsculo, com livros, todos em inglês, em todos os cantos possíveis, não apenas em estantes, mostruários ou sob os batentes das portas: há livros do chão ao teto em todo o ambiente. Há obras, ainda, que fazem as vezes de parede, delimitando e criando novos espaços. A maioria é de livros usados, mas também há novidades. E a literatura de todo o mundo está lá, da brasileira à ucraniana, infantil e adulta.

Os vendedores são todos jovens e bonitos, estudantes ingleses e americanos, que tratam George Whitman, o fundador da Shakespeare & Co., como uma criança, sempre a agradá-lo com palavras carinhosas, beijos e abraços. Aos 91 anos, Whitman mora no primeiro andar da livraria que funciona desde 1951. O pavimento é reservado apenas aos livros de consulta; a venda acontece no rés-do-chão. Para chegar lá em cima, é preciso um pouco de acrobacia, e é notável que esse simpático senhor tenha o hábito diário de subir e descer uma escada estreita e sem corrimão. Livros ficam abaixo, acima e ladeiam a escada.

No andar superior, há dois catres com colchas puídas onde qualquer um pode se sentar e ler o livro que lhe aprouver. Um desses catres é a cama de Whitman (o outro provavelmente serviu de cama para o tal escritor que dormiu lá). O lugar é claustrofóbico, cheira a pó e é forrado de livros por toda a parte. Não há um centímetro de parede nua. Ainda assim, é impossível passar menos do que meia hora nos dois andares da livraria, se perdendo em meio a labirintos e becos formados por livros.

No escritório, além de uma mesa grande e umas três cadeiras, há um móvel com uma estrutura similar à de uma bicama. No que seria a cama de cima há livros empilhados; abaixo disso há um espaço onde cabem uma pessoa e uma pequena mesa com uma máquina de escrever. Assim, quem passa por esse “corredor” onde está o “centro de digitação” da livraria só enxerga a pessoa dos ombros para baixo.

Da janela do primeiro andar da livraria, localizada no Quartier Latin, margem esquerda do Sena, avistam-se as torres da catedral de Notre Dame. Recentemente a livraria foi cenário do filme “Antes do Pôr-do-Sol”, com Julie Delpy e Ethan Hawke _ele é um escritor americano que faz uma sessão de autógrafos no local, que não imagino como possa ter sido filmada, com equipe, atores e iluminação, dada a exigüidade da “locação”.

Whitman já esteve no Brasil, nos anos 60, e conheceu Curitiba (de que gostou muito), Belo Horizonte e Rio. Depois desceu para Buenos Aires. Gosta de conversar com estranhos que demonstram interesse por ele e pela livraria, que ele acha que deveria ser considerada patrimônio da humanidade.

Então, na rue Bucherie, 37, está esse oásis literário. Passe lá e se perca no menor lugar onde você pode se perder. Quem sabe você não troca uma idéia com o mister Whitman, que vai considerá-lo um “amitie sincere”, ainda que tenha idéias da vida, do mundo e da própria livraria um tanto pitorescas e irreais. Mas, como ele mesmo diz, ele vive um romance.

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21/02/2006

DICA DE SUCESSO

eu acho que na próxima turnê, o Bono tinha que vir com um cajado enorme (o maior cajado do mundo), dar uma porrada no palco (o maior do mundo), que vai se abrir (a maior rachadura do mundo), e ele vai andar nas cabeças dos fãs (os mais otários do mundo) até a arquibancada. Lá uma pomba branca (a maior do mundo, que lembra a águia da portela, brasil, hexa) vai sair do cu dele rumo à onu.

21/02/2006

CRIANÇA ESPERANÇA

O show do U2 é tão constrangedor quanto possível. É um pouco assustadora, ainda que hilária, a seriedade com que o vocalista se promove por meio de discursos sócio-políticos rastaqüeras e demagógicos. E quando se está num palco gigante, com iluminação adequada e som potente, o terreno para esse tipo de idolatria perigosa não podia estar mais bem irrigado.

A banda trilha como ninguém uma auto-estrada muitíssimo bem pavimentada e irritantemente segura. Não há erros; uma monotonia confortável que o rock de arena (e seus hinários) e esse tipo de postura auto-indulgente pode proporcionar formam o cenário onde a maioria quer estar.

Não confio em um cantor que estimula a sua própria adoração, santificando-se pateticamente diante dos pobres fiéis que acreditam nisso cada vez mais. O U2 promove um espetáculo degradante; como Bono tem a audácia de conectar o punk à banda, ainda que seja a origem deles? Ele não sente nojo de si próprio? Qual o objetivo de ser popular nessas circunstâncias?

Esse universo medíocre que gira em torno da banda tem sua parte mais visível nas barracas dos fãs armadas dias antes do show em SP (OK, isso não é exclusivo deles, mas é sintomático demais aqui). O mesmo acontece em grandes eventos religiosos, em que a fé é alimentada por meio de panfletos baratos _exatamente como Bono faz. Quando ele anda com uma venda nos olhos em que se lê “coexist” com símbolos das três maiores religiões da Terra (não faz a Kátia Cega!), é de fazer qualquer pastorzinho rasgar a grana do dízimo. De ódio por não conseguir executar uma performance tão eficiente.

De resto, um show em que uma criança sobe ao palco para cantar com o vocalista e uma moça diz à TV as palavras “por um mundo melhor” ao final dele é tudo menos um show de rock. É um show de proselitismo.

A boa notícia é que esse tipo de messianismo pop talvez não sobreviva à próxima década e não há no horizonte nenhuma banda que consiga fazer isso como o U2 _torço para que esse isolamento faça com que o ridículo se sobressaia.

E manda avisar que Amapá é um Estado que não existe.

20/02/2006

If you cant’ fix it, you gotta stand it
Heath Ledger, o Pennis del Mar de “Brokeback Mountain”

If you can’t fix it, don’t break it
“Happy Rap”, Junior Senior

19/02/2006


HONKY TONK

Que a banda de rock mais longeva do mundo seja a que mais faturou em 2005 nos EUA é um espanto. Não pela novidade, pois os Rolling Stones já ocuparam o posto algumas vezes, mas por continuarem a executar de modo magistral, após mais de 40 anos de carreira, o blues mais sexy já registrado na história.

Parecia uma previsão sacana quando eles cantaram “It’s Only Rock and Roll” pela primeira vez. Fazem isso como ninguém até hoje, sem nostalgia, sem desvirtuamentos e, o melhor, com o vigor que o gênero, quase tão velho quanto os integrantes da banda, pede. E é apenas isso. Mas eu gosto.

Rock, comme il faut, é Stones. Que isso seja dito em 2006 é algo a considerar.
What a gas.

Maaaaaaaaaaaaasssss….

  • Ron Wood está a cara do Zé Bonitinho
  • Keith Richards é o Moe, do bar dos Simpsons, versão vudu
  • Os cariocas estão de parabéns, compareceram em massa num sábado à noite em que poderiam estar num barzinho, na Nuth, enfim, fazendo o que não presta. Mas não: saíram de casa determinados a pisar na areia, a sacrificar a balada do fim de semana para dar uma força a uma banda cujos integrantes já necessitam de cuidados. E o mundo inteiro presenciou esse esforço coletivo muito bonito.

14/02/2006

Olha, tem de estar muito nervoso para ficar chateado por causa de um desenho. Quem tem essa atitude está à beira de um ataque de nervos. Imagine que alguém comece a gritar, se descabelar, espernear, chorar, se imolar e outros verbos da primeira conjugação por causa de um desenho! Um desenho! Eu fazia muito isso quando o meu pai desligava a televisão na hora do almoço e tomava um “cala boca e come tudo”.

Quando alguém põe fogo em embaixada por causa de uma charge, há o descontrole absoluto (uma amiga minha diria com desdém se encontrasse o sujeito: “rosa cheirosa, a bicha tá nervosa” hahaha). É o caso de uma parcela dos muçul manos _não apenas os radicais, tradicionalmente mais sucetíveis a citações à religião deles, mas também os considerados moderados_ passar uma temporada num spa, com massagens ayurvédicas, banhos de óleo e lama, sauna, meditação e calmaria.

Acho que umas duas semanas assim podem aliviar esse STRESS a que esses muçul manos são submetidos desde sempre. O que eles estão fazendo é sinal de cotidiano sobrecarregado.

Você pode até alegar que esse STRESS é causado pela ausência de sexo entre eles. Talvez você tenha razão, mas esse ponto não deve ser considerado. É complicado fazê-los relaxar. Há uma lista imensa de atividades e comportamentos proibidos.

Curioso que incendiar embaixadas e, com alguma freqüência, se explodir são expedientes legítimos (ainda que criticados por muçul manos mais sensatos). Ou seja, é diversão hardcore a dos caras.

Imagine se cada desenho alusivo a religião deles (e basta um desenho vagabundo como o que foi publicado; eu ia protestar pra trocar o chargista, porque aquele é muito ruim hahaha) gerar esse tipo de demonstração de “jubílio”.

Bom, não quero nem pensar na possibilidade de um gif animado nesses termos. Acho que o mundo explode num ataque suicida em massa.

Os homens são patéticos. Mesmo assim apelo para a calma e tranquilidade, vamos lá, não é tão difícil assim.

Estou tão conciliador hoje hahahaha.

05/02/2006

Escrever bêbado é uma arte que não possuo (tive que apertar o delete umas 15 vezes até aqui).
foda-se. foda-se. hoje, pela primeira vez eu quis quebrar a cara de um sujeito num “night club”. primeiro porque ele despejou (o que é diferente de derramou) cerveja na minha camisa. segundo porque ele é gordo e deve ser diabético, o filho da puta, ou seja é uma questão de tempo para que ele morra logo!

como um sujeito consegue, depois de molhar, pedir para que eu não “ocupe o espaço dele” e da puta que estava com ele? você não encoste em mim! não encoste em mim, filho da puta! vc não me conhece e não deve falar comigo, muito menos encostar em mim, seu merda!

bom, como ele era obeso e menor do que eu, ele não reagiu como um homem reagiria; reagiu como um porco reagiria. e eu adoro quando porcos reagem, porque eu os faço estribuchar como cadelas até eles morrerem de morte lenta e dolorida.

mas havia um sensato amigo por perto e me tirou perto desse doente. eu teria matado ele, é muito fácil matar alguém, já experimentou? puf, e acabou. e essas pessoas simplesmente não merecem respirar, muito menos perto de mim. filho da puta de merda, porco diabético, obeso mórbido que só faz sexo com puta, vai tomar no cu. sério, quero que você se exploda, ainda que eu não precise me esforçar muito pra isso hahaha.

foi a primeira vez que isso acontceu comigo. e isso me mostrou que eu posso matar uma pessoa. tranquilamente. apenas porque ela merece não viver, e eu fui o escolhido para que ela não permaneça entre nós. i can kill a human living. it is not great. but it is what it is.

just dont fuck with me!
ui.

ficção rules.

02/02/2006

RUNIOR

Eu tenho muita sorte de conhecer pessoas que dão uma resposta assim. god bless’em forevah.

– Pra você ver a diferença entre o Brasil e a Argentina: aqui o disco mais vendido da semana é o do Fabio Junior. Lá é o dos Strokes.
– Isso porque eles não conhecem o Fabio Junior.