Archive for outubro \31\UTC 2005

31/10/2005

FÊMEA

E eis que haverá o espetacular 1º Congresso Brasileiro da Mulher Moderna. “Inovador, arrojado e único”, diz o release da coisa (sim, isso existe!).

Entre os temas mais do que triviais do tal evento, há um que, sim, é moderno pra caralho: “Se tornando mulher”. Ou ninguém aí pensou em mudar de sexo?

Vai ser em março do ano que vem em SP. Aguarde.

31/10/2005

eu quero ser backing vocal de voz sobre IP.

31/10/2005

SÉRIO

Vou te falar uma coisa pra você, isso aqui está sério demais. DEMAIS. Calma que tudo volta ao normal.

30/10/2005

APARIÇÃO

Há alguns anos eu costumava me irritar muito com o “público da Mostra”, uma espécie de entidade cinematográfica que aparece uma vez por ano em SP. Há uma excitação levemente exacerbada por entrar numa sala de cinema, um ato prosaico que ganha ares quase mágicos, afinal o filme a ser exibido talvez nunca mais o seja por aqui. Então esse momento único é saboreado desde a fila (o mesmo tipo de momento único que provoca certa histeria quando determinados bandas/djs/cantores estrangeiros fazem show por aqui), com conversas animadas sobre quantos e quais filmes já viu na Mostra _e as respectivas opiniões definitivas sobre cada um deles_ e sobre o que se sabe do filme a ser visto em breve. Enfim, trata-se de um evento, uma pequena celebração, ou, antes, uma auto-celebração.

Já na sala, o comportamento desse “público da Mostra” continua diverso do daqueles que vão ao cinema no resto do ano (claro que há um público interseccional aí, mas isso não importa). Já nos letreiros iniciais, vêm os risos. Mas de quê? Talvez de você, que não vê motivos para rir naquela situação e portanto não está “entendendo” o que o sorridente está _ e o riso é a manifestação socialmente aceita mais usada para se comunicar com o vizinho num cinema. Ou seja, você deveria rir também. Isso é uma quase senha para que os risos inoportunos se alastrem pela sala em momentos posteriores e igualmente inadequados.

O filme não é uma comédia, mas isso tampouco importa. Estamos todos em um evento e num micro-evento único dentro desse “espetáculo” maior, que é a Mostra. É preciso aproveitá-lo.

Há alguns anos, isso me irritava. Hoje encaro o comportamento dessa aparição anual uma parte integrante do evento, o que me leva a desconfiar se não se trata de uma claque cinéfila que ganha lanche grátis. Mas é claro que não é. Eles realmente entendem muito mais.

29/10/2005

– Que música é essa que está tocando?
– Ah, é de um disco velho do Carl Cox, de 2004
– Mas 2004 é o ano passado!
– É que eu sou do tipo Hellooo!?!

29/10/2005

KING KONG

E Peter Jackson? Depois dos três “O Senhor dos Anéis”, o diretor neozelandês rapaginou-se a ponto de se tornar irreconhecível para o novo “King Kong”. Pede pra ele a dieta da Terra Média.

Vê lá.

29/10/2005

HYPE-CADÁVER

Você conhece. Ou já ouviu falar. Hype-Cadáver é aquilo que se acha tendência, que pede para que os seus supostos leitores “se joguem”, que considera Paulo Ricardo “absurdo”, que se cerca de travestis e Hype-Cadáver-Adjuntos para lhe conferir importância num círculo de, no máximo, 50 pessoas aspirantes a HC.

Hype-Cadáver tem sede infinita por qualquer tipo de novidade (de fósforo a filme; de banda a meia-calça) apenas porque é novo e tem a ilusão de que o novo, por ser novíssimo, lhe confere juventude ou frescor. Mas o Hype-Cadáver é morto.Vive num mundo defunto onde os valores que importam não entram _mas, ah, o que importa é a “baguncinha”.

É claro que é saudável a existência de Hype-Cadáver. Viva o Hype-Cadáver. Porque provocar risos faz o sangue circular melhor.

29/10/2005

Existe uma maneira de tocar discos num clube, bastante convencional, que é não deixar espaços entre as músicas, além de remexê-las ou remisturá-las durante a execução. Existe uma outra, às vezes desnecessária e de resultado duvidoso, que é falar ao microfone, durante as músicas, tal uma tentativa de MC.

O pior dos mundos é quando o tal “DJ” une uma voz terrível a uma equalização deficiente. O resultado é que o público dança com interferências da voz da promoção relâmpago do supermercado Extra, aquela voz que diz que a seção de tupperware está com promoção de 20% nos próximos cinco minutos. De acordo com a música que está a tocar, também pode parecer que o homem da pamonha entrou no clube de néon. Muitas vezes é um encontro dessas duas vozes presentes no inconsciente urbano.

É um pesadelo. Mas a voz insiste em não perceber o desastre e grita: “Errezza”. Sim, arrasa qualquer noite.

28/10/2005

Débora Colker: Oi, você sabe se o Vincent Gallo já tocou?
-: Não, é o próximo hahaha
DC: ???
-: Desculpe-me, mas você acaba de dar um NÓ na minha cabeça

28/10/2005

Foi uma dose cavalar de hedonismo os últimos sete dias e 16 shows. Não era o planejado há oito dias, por exemplo. Confio cegamente na providência e tenho me afeiçoado cada vez mais ao imprevisto. E os imprevistos que aconteceram (imprevistos não são maus em si, apenas não foram previstos) com a providencial ajuda da providência tornaram tudo mais especial (especial não é bom em si, apenas não é comum). Apesar de eu ter me esforçado em contrário, não vou me esquecer desses eventos e seus milhares de desdobramentos e surpresas, tudo com uma belíssima trilha sonora executada ao vivo _a melhor experiência musical é a “live”.

De Jamie Lidell logo após a ponte, que, ela própria, já havia causado em pleno ar e antes disso, a Stereo Total com um “Amour a Trois” com o amigo no palco, passou-se um período em que parecia que eu não estava nele, não nesse tempo; havia saído, saído de onde eu sempre quero sair. E como é bom sair. Melhor se o destino não for específico e mudar conforme os ventos. Ainda que não se trate da fuga pela fuga, o que seria pífio, essa saída do terreno mundano e habitual só é proveitosa, como foi, se houver o retorno. É importante esse tipo de deslocamento dimensional.

No oitavo dia, acabei de entrar no Clube dos Hedonistas Fatigados, como Oscar Wilde. Satisfeito.

28/10/2005


Eu não tenho palavras. Ou melhor, tenho-as, mas a emoção quase me impede de dizê-las.

Depois de anos (e há anos) chamando o sexy symbol das Alagoas de DJ Avan, finalmente esse luminar do canto popular seguiu a minha dica e adotou esse nome no seu novo disco, criativamente chamado de “Na Pista, Etc.” Sic, né?

É um disco de remixes dos seus “maiores sucessos”. É sério. Ele fez isso! Não é incrível?

Quase tive vontade de chorar quando soube disso e quando ouvi uma das versões dos hits dele. Mas era um choro cheio de dilemas. Primeiro pela felicidade de ele ter adotado uma espécie de novo nome baseado na minha “sugerencia”. Depois pelo choque que a música provoca. Imaginava que ninguém teria coragem de lançar algo tão… tão… arriscado (hahaha) e assinar com o próprio nome, ainda que tenha uma variante “eletrônica” nessa assinatura. Mas, sim, há muita gente que é capaz de tal ousadia.

E viva a música brasileira!

26/10/2005

2005 foi o ano de:

1. lcd soundsystem, lcd soundsystem

2. hello stranger, kaos

3. less than human, the juan maclean

4. multiply, jamie lidell

5. you could have it so much better, franz ferdinand

6. thrills, ellen allien

7. arular, m.i.a

8. everything ecstatic, four tet

9. let us never speak of it again, out hud

10. you’re a woman, i’m a machine, death from above 1979

11. the campfire headphase, boards of canada

12. silent alarm, bloc party

13. 64-95, lemon jelly

14. no wow, the kills

15. a certain trigger, maxïmo park

16. smash, jackson and his computer band

17. we are monster, isolée

18. anniemal, annie

19. axes, electrelane

20. la maison de mon rêve, cocorosie

21. blue eyed in the red room, boom bip

e das apresentações de:

1. lcd soundsystem

2. iggy pop and the stooges

3. jamie lidell

4. the flaming lips

5. the go! team

6. de la soul

7. elvis costello

8. the arcade fire

9. regina spektor

10. nine inch nails

11. ollie teeba

12. cut chemist

13. dizzee rascal

14. !!!

15. the strokes

16. the kills

17. riton

21/10/2005

O show do !!! em SP foi bom, muito bom, mas havia deficiências técnicas que fizeram da apresentação um ?!?

Coming of age

21/10/2005

COMING OF AGE

Numa das festas mais caídas do ano, Paulo Cesar Pereio (parece que virou Peréio), aquele mesmo, que tenta comer a Suyane em Árido Movie e acaba morto, chamou a minha atenção por um detalhe curioso.

Ele usava uma camiseta por dentro da calça _o que provocava uma arquitetura bacana, já que a sua barriga fazia com que a gola caísse o suficiente para mostrar uma floresta cafajeste de pêlos brancos no peito_ em que se lia Rock 70.

Legal, um lance vintage que rejuvenescia o ator de pornochanchadas, porra. Mas me ocorreu que foi a primeira vez que vi uma camiseta em que havia a palavra rock ao lado da idade do dono dela.

iStove

15/10/2005

iSTOVE

Parece que todo mês a Apple lança um novo aparelho que dará início a uma nova revolução (pelo menos é isso que se percebe quando se vê uma foto do Steve Jobs de camiseta, do tipo bilionário casual, diante de um telão com um troço pequeno nas mãos. E um sorriso revolucionário no rosto).

E a revolução se dá ou porque o novo gadget tem mais capacidade do que a “revolução anterior” ou porque a coisa tem bem menos funções do que a antiga _e parece que isso é considerado tão bacana quanto.

bom, eu quero um fogão da Apple, pode ser? Toca mp3, mostra vídeo, envia email, faz fotos, tem iTrip para acampamentos e acende uma chama para esquentar a sua comida _vendida por US$ 1,99 no iTunes, é claro.