MALANDRAGEM, DÁ UM TEMPO

Os taxistas cariocas são inseguros. Apresentam dúvidas de toda espécie a partir do momento que você diz o lugar para onde quer ir. Muitas vezes o passageiro não pode ajudá-lo, o que é um tanto frustrante.

Quer ir por dentro ou pela praia? Por cima ou por baixo? Pelo túnel ou por fora?

Ora, pare de me testar e vá pelo caminho que achar melhor; você está sendo pago para isso.

Ih, nessa hora, é melhor ir aqui por dentro porque do outro lado está com trânsito, mas você é quem sabe… Vamos pelo outro lado. Bom, você é quem manda… Tá vendo? Num falei? Tudo parado… Tudo bem, eu não estou irritado, quem está irritado é você.

Os taxistas cariocas são inseguros, mas se distinguem pela audácia. Eles optam por levar você ou não. Ah, nessa hora você não vai arrumar nenhum táxi que o leve até lá. Como assim? Você não vai? Não. Eles acham que estão em Nova York? Nem turbante usam!

Em compensação, quando eles querem passageiros (sim, esse momento existe), oferecem a “honestidade” como diferencial do serviço. Pode entrar, senhor, é tudo no relógio, garantido. Ah, é no relógio, claro, que alívio, não é? Como se todos estivessem na Índia.

Porque há os que não usam o relógio, essa convenção de números vermelhos facilmente adulterada. Outro dia, um passageiro ia do Santos Dummont para Ipanema e estranhou, em Copacabana, que o tal relógio não havia sido acionado e alertou o taxista. Puta que o pariu, me esqueci merrmo. Mas, porra, tu só vem avisar agora? Assim é foda.

Veja que o relógio é uma questão sensível para os taxistas do Rio.

Mas enquanto você é submetido ao questionário padrão (por cima ou por baixo?; por dentro ou pela praia? quer que entre aqui ou mais na frente?), o melhor das rádios cariocas chega até você. É uma beleza. São rádios que se tornaram retrô à revelia. Devem ser aquelas rádios que foram submetidas à criogenia desde os anos 70 e 80 e foram ligadas novamente agora. De modo que Dalto, Dulce Quental e Queen servem de trilha sonora para as dúvidas do taxista.

E esse é o tipo de música boa para ouvir à beira-mar na companhia de um desconhecido. Então decida firme: vamos pela praia. E pronto.

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