Archive for novembro \18\UTC 2003

18/11/2003

RUNNER

O câncer de mama é o mais hype dos cânceres. É o único que provoca algum tipo de correria com gente famosinha cheia de silicone e muitas vezes sem peito nenhum, mas que aparece igualmente na TV. Ou isso ou provoca caminhada, maratona, corrida, meia-maratona, meia-caminhada, marcha atlética, qualquer coisa que tenha que se deslocar a pé “em prol do câncer de mama”.

Como se câncer de mama precisasse de ajuda pra existir. Sim, porque é tanta pagação de peitinho, tanto rosa, tanto laço, tanto logo nessas campanhas que é fácil achar câncer de mama uma coisa legal.

E ele é o câncer que tem mais “mídia espontânea”. Nunca vi nenhuma linha, nenhum outdoor, nenhuma loira falando do câncer de esôfago ou do câncer de tireóide. Talvez o câncer que possa se orgulhar de aparição “favorável” na mídia seja o de pele, uma coisa verão, bronzeada.

Quando se fala de câncer de pulmão, por exemplo, é sempre um horror; é aquela coisa enegrecida por anos de cigarro, é rato morto, é tubo saindo do esterno numa cama de hospital. O câncer de pulmão, coitado, é marginalizado. Nunca teve uma Avon pra fazer correria pra promovê-lo, nada.

Câncer de mama é tão hype, mas tão hype que outro dia apareceu uma dessas neopiranhas da TV fazendo o sinal da paz durante uma dessas corridas. Não entendeu nada! E tudo bem, o importante “é conscientizar”.

Sem contar com camiseta exclusiva. Algum outro câncer tem camiseta com logo próprio? O comitê executivo do câncer de próstata disse que seu maior sonho era ter uma linha de camisetas desse tipo, só que customizadas para se diferenciarem. É improvável que consiga algo assim. Próstata não é fashion como mama.

Apesar de ambos estarem em regiões erógenas, o de mama tem mais apelo. Mulher pelada vende mais do que… enfim, do que qualquer outra coisa.

Vende tanto que uma vez uma dessas piranhas não tão novas assim ficou pelada e disse que “quase teve um câncer de mama”. E tenho certeza que muita gente achou uma pena.

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08/11/2003

MALANDRAGEM, DÁ UM TEMPO

Os taxistas cariocas são inseguros. Apresentam dúvidas de toda espécie a partir do momento que você diz o lugar para onde quer ir. Muitas vezes o passageiro não pode ajudá-lo, o que é um tanto frustrante.

Quer ir por dentro ou pela praia? Por cima ou por baixo? Pelo túnel ou por fora?

Ora, pare de me testar e vá pelo caminho que achar melhor; você está sendo pago para isso.

Ih, nessa hora, é melhor ir aqui por dentro porque do outro lado está com trânsito, mas você é quem sabe… Vamos pelo outro lado. Bom, você é quem manda… Tá vendo? Num falei? Tudo parado… Tudo bem, eu não estou irritado, quem está irritado é você.

Os taxistas cariocas são inseguros, mas se distinguem pela audácia. Eles optam por levar você ou não. Ah, nessa hora você não vai arrumar nenhum táxi que o leve até lá. Como assim? Você não vai? Não. Eles acham que estão em Nova York? Nem turbante usam!

Em compensação, quando eles querem passageiros (sim, esse momento existe), oferecem a “honestidade” como diferencial do serviço. Pode entrar, senhor, é tudo no relógio, garantido. Ah, é no relógio, claro, que alívio, não é? Como se todos estivessem na Índia.

Porque há os que não usam o relógio, essa convenção de números vermelhos facilmente adulterada. Outro dia, um passageiro ia do Santos Dummont para Ipanema e estranhou, em Copacabana, que o tal relógio não havia sido acionado e alertou o taxista. Puta que o pariu, me esqueci merrmo. Mas, porra, tu só vem avisar agora? Assim é foda.

Veja que o relógio é uma questão sensível para os taxistas do Rio.

Mas enquanto você é submetido ao questionário padrão (por cima ou por baixo?; por dentro ou pela praia? quer que entre aqui ou mais na frente?), o melhor das rádios cariocas chega até você. É uma beleza. São rádios que se tornaram retrô à revelia. Devem ser aquelas rádios que foram submetidas à criogenia desde os anos 70 e 80 e foram ligadas novamente agora. De modo que Dalto, Dulce Quental e Queen servem de trilha sonora para as dúvidas do taxista.

E esse é o tipo de música boa para ouvir à beira-mar na companhia de um desconhecido. Então decida firme: vamos pela praia. E pronto.

08/11/2003

Daca doriti sa aflati mai multe informatii despre cum se comanda,cum se plateste si cum sunt livrate cadourile noastre va rugam sa consultati casuta cu informatii din stanga jos.

08/11/2003

SUPER CREEPS

She asked for my love and I gave her a dangerous mind

David Bowie

08/11/2003

O RETORNO

Live at the Social Vol. 2. Curioso como o Monkey Mafia pode fazer parte de um pequeno pedaço de sua vida da maneira mais imprevisível. Não que haja modos prováveis, mas é raro ter duas caixas originais do mesmo disco e apenas uma delas conter CD.

Por quê?

Perguntas para si mesmo é uma técnica de discurso abominável.

O CD da caixa 1 estava num toca-discos de carro que foi roubado (com os outros é furto, com você é roubo mesmo). A caixa ficou, o ladrão não se interessou. Uma caixa de disco vazia é uma paisagem desoladora. Há saudade, perda ali. Alguém de quem você gosta foi embora sem se despedir. O fato de estar no carro revela, no mínimo, atenção para com o disco. Ele se foi, ficou a caixa. De papelão, então era caixa/capa. Era o quarto arrumado do filho que não voltava.

Um filho que havia sido redescoberto havia pouco. Estava esquecido na estante com os outros irmãos, sem reclamar. Tinha sido revitalizado após alguns anos e estava feliz por isso. Teria o seu valor reconhecido _ e estava tendo. Mas, tchau, foi-se embora (foi-se o cacófato também).

Então o vazio tinha de ser preenchido. Com o mesmo disco, claro. Em “plena era da internet”, a coisa mais fácil é baixar o disco e colocar o CD-R na caixa original. Mas não. Seria um enxerto muito forçado. Haveria incompatibilidade de órgãos.

Eis que chega o irmão gêmeo, de segunda mão, tax free. Barato, perfeito.

Mas… a história vai acabar ou tá difícil?

O fato é que ele está tocando, e Monkey Mafia está pulsando de modo muito mais apropriado do que nunca.

Reggae, hip hop e dancehall blended, safra 1996. Intoxicante.

Welcome back.

07/11/2003

SHEATH

This is going to make you freak

LFO