Archive for junho \29\UTC 2003

29/06/2003

FLASHBACK

Salve, oh terra dos altos coqueiros

De beleza soberbo estendal!

Nova Roma de bravos guerreiros

Pernambuco imortal! imortal!

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25/06/2003

CARNAVAL, FIO DENTAL E POP

Ao contrário da maioria dos aficionados por música pop, considero a alegria e, principalmente, a esbórnia tão nobres e legítimos quanto a tristeza e a dor de uma perda. Nesse sentido, o Carnaval não é uma festa sem propósito. A celebração profana (ainda que de molde religioso) e desabrida de vários povos é e sempre foi, há pelo menos uns 600 anos, uma libertação socialmente aceita e incentivada das amarras cristãs. Três dias de sacanagem e libertinagem é o período de profanidade a que os cristãos têm direito durante o ano _cheio de penitências, rituais e outras bobagens.

Por esse caráter originalmente subversivo, o Carnaval me parece simpático. Outro motivo pelo meu apreço, ainda que distante, ao “tríduo de momo” é o fato de eu ter nascido numa região em que esse festejo se confunde com a própria fomação cultural do povo a que pertenço (sério que eu falei isso?).

Isso posto, me jogo no comecinho dos anos 80, época em que acordava muito cedo para acompanhar os desfiles das escolas de samba pela TV. Obviamente, todo esse blablablá acima nunca importou quando decidia me levantar da cama pé ante pé para, quase escondido, tomar conhecimento de a quantas andava o tamanho das fantasias daquele Carnaval.

Era uma época pré-fio dental (esse fio dental institucionalizado como é conhecido hoje), em que a área de corpo exposta aumentava a cada ano, de 1980, 1981 a 1984, 1985, quando Monique Evans provocava todos os “lelês” do Brasil).

Acompanhava o desenvolvimento (ou o “downsizing”, como dizem esses diretores de empresa) dos maiôs e biquínis em três frentes: a praia, o Carnaval e o Cassino do Chacrinha. O programa do Velho Guerreiro era mais ousado do que as demais áreas. Aquelas chacretes, com apelidos engraçados (Furacão, Cadillac etc.), mostravam muito mais bunda e com muito mais displicência do que qualquer “cocota” de praia _e no familiaríssimo horário de sábado à tarde.

De acordo com o grau de exibição das nádegas das chacretes no ano anterior, podia se esperar ousadia maior no Carnaval, afinal, as musas da época *tinham* de ser mais sexy dos que as chacretes. E isso incluía topless, hábito corriqueiro no Hemisfério Norte, mas cheio de salamaleques hipócritas justo aqui, em terras mais quentes.

A medida em que eu crescia _e o o desejo por sexo aumentava_ os biquínis diminuíam. Era perfeito (desconte a nostalgia). Então chegou a Época de Ouro: com uns 13 anos de idade, o fio dental tornava-se popular no Carnaval _e, claro, foi tendência rapidamente absorvida pelas chacretes e, num pulo, foi às praias. Era literalmente um desbunde.

Com o passar dos anos (opa!), a minha tara foi se amainando, mas o Carnaval continou cada vez mais “quente”. Enquanto as senhoras e tias se perguntavam até onde esses biquínis iam parar e até quando essa pouca vergonha ia durar, eis que apareceu, já nos anos 90, a tal genitála desnuda na avenida. Foi, a um só tempo, o retorno do “vestuário” indígena e do pecado da sociedade cristã ocidental comme il faut. Quando ocorreu o fenômeno, a magia se quebrou. O que deveria ser uma explosão de erotismo, sensualidade e luxúria logo se caracterizou pela esterilidade sexual e, para além da ousadia, se revelou uma ferramenta de puro exibicionismo, não de sedução. Broxante.

Sem falar no topless, prática até hoje permitida apenas no Carnaval, com peitos cirurgicamente modificados exatamente para esse fim. Estéril é pouco para definir a inclusão do silicone nos modos e costumes.

A partir do fenômeno genitália desnuda _e aí já não havia mais chacretes e os fios dentais haviam deixado as praias; “incomodava”, diziam elas_, o Carnaval entrou num processo de regressão. As mulheres e alguns homens começaram a se cobrir mais. Mas não voltaram a seduzir.

E agora, em 2003, o Carnaval apresentou desfiles comportadíssimos. Topless ficou destinado às moças conhecidas por mostrarem os peitos em qualquer situação _ou seja, às mulheres que ganham dinheiro com isso. As chamadas atrizes e celebridades não ousam mais. Acabou a subversão. É um tal de “desfile técnico” pra cá, alas ensaiadas pra lá e enredos com preocupação social por toda parte, que o que deveria ser um período de libertação se tornou um evento tão assexuado que pode ser chamado de a maior festa popular do terceiro setor do mundo.

O presidente da República nunca esteve presente em tantos carros alegóricos do Rio e SP. E isso esteve longe de ser uma sátira ou crítica, o que seria de esperar de um Carnaval que se preze. Onde estão os bicheiros? Onde está a contravenção? Cadê os traficantes? Até padre faz Carnaval em trio elétrico, quanta babaquice.

É muito provável que tudo isso seja reflexo do politicamente correto dos EUA. É mais sensato dizer que o Carnaval esteja num processo de refluxo evolutivo, que uma nova era esteja por surgir. Mas uma coisa é certa: ligar a TV para assistir aos desfiles deixou de ser excitante. A libertinagem ganhou contornos burocráticos.

Bom, a música pop também. Mal posso esperar para ver no que isso vai dar.

25/06/2003

MISTÉRIO E DECEPÇÃO

A primeira metade dos anos 80 era uma época em que não havia a palavra interatividade, mas, se existisse, seria usada exclusivamente para o serviço de disque-amizade (145), um avanço em relação aos bate-papos atuais, já que o contato era feito via voz, um luxo. O discador era você mesmo e não havia modems, telas nem teclados intermediários para saciar os desejos mais pervertidos dos sem-o-que-fazer.

Era um tempo em que o Liquid Paper fazia as vezes da tecla delete, em que o Globo de Ouro era o Top 10 de fato, e ninguém discutia. Ombreiras e biquínis asa delta ainda estavam para ser lançados, mas havia o jovem Armação Ilimitada, com sua edição esperta, suas cores de neón e suas aventuras radicais.

Era quando passar um weekend com você siginificava a senha para o novo mundo pop. Um mundo cujas tendências da moda eram ditadas pela modernérrima Beth Lima e seus cabelos loucos direto de Paris no Jornal Hoje.

Jornal Hoje cuja seção de Variedades era apresentado por Leda Nagle e sua voz enrouquecida pelo álcool. Era hora do almoço depois da aula. E a minha compaheira de sobremesa nesses tempos loucos era a persuasiva, a instigante, a sábia Zora Yonara e o seu horóscopo diário.

Ariano, começava Zora, em off, com uma musiquinha new age ao fundo e umas imagens astrológicas na tela, a dizer o que me reservava o dia, o amor, o trabalho e o futuro. Ela falava diretamente com você, telespectador. Que voz. Em termos de penetração no inconsciente de uma geração só é comparável à voz semi-erótica da locutora do Galeão, Iris Lettieri: Varig… Flight… Five… Thirty… Seven… Gate… Nine… Now Boarding… .

Zora Yonara era um mito. Nunca se viu seu rosto, suas mensagens eram profundas e cercadas de mistério. Ela sabia tudo _a sua voz era um poço de sapiência cósmica.

Mas eis que Zora, “a maior astróloga do Brasil”, reaparece das cinzas interplanetárias para anunciar na TV a Castanha da Índia Atalaia cujos benefícios, efeitos e indicações são tão universais quanto a previsão de qualquer signo.

Por que, Zora? Por que se revelar vendendo castanhas justo na Era de Aquário? Há segredos que devem ser preservados para sempre, Zora. Como a maior astróloga do Brasil você deveria saber disso.

16/06/2003

O melhor show: Matthew Herbert Big Band.

A melhor cover: Wanna Be Startin`Somethin`(Michael Jackson) por Jamie Lidell.

O pau no laptop: Akufen.

O melhor norueguês: Strangefruit.

A japonesa mais chata: Tujiko Noriko.

O melhor figurino: com uma saia branca e um suéter laranja de la com duas ombreiras enormes (uma Alice no Pa?s dos Laptops)sob um sobretudo num calor de 37 graus, Jamie Lidell ganhou até da Bjork.

O cabelo mais mudado: Richie Hawtin, com cabelo, e Miss Kittin, com cabelo curto. (tipo, que item mais cretino…).

O melhor remix: Train (Goldfrapp), por T.Raumschmiere.

A melhor versao: Pluto, de Bjork.

O que faltava: Born Slippy, Underworld.

A pior platéia: a de Matthew Herbert, que j? estava *adorando* qualquer coisa antes de o show começar. Indies brasile?os, anyone?

A melhor supresa: Patrick Pulsinger.

A pior supresa: o calor da porra e o excesso de p?blico. (O que se chama de “sucesso de p?blico” eu chamo de fracasso de conforto).

16/06/2003



La chica tiene fuego. Mucho fuego en el escenario. Vale!

13/06/2003

ZUPER

Matthew Herbert e a sua Big Band fizeram um dos shows mais memoraveis e espetaculares e maravilhosos deste ano, e qualquer adjetivo que eu usar nao conseguira expressar com acuidade o espetaculo criativo e original a que o Auditori assisitiu ontem.

Como dizem *todas* as matérias sobre o disco Goodbye Swingtime: and all that jazz!

Ou melhor: and nothing that jazz.

13/06/2003

QUARTA-FEIRA NORMAL

Entao às 8 da noite fiquei sabendo de uma festa que aconteceria logo mais no Razzmatazz. Otimo. Gosto de festas. Tocariam Matthew Herbert, Laurent Garnier, Trüby Trio e haveria um “special guest appearence”. Beleza.

E essa festa, na verdade, seria o programa de radio do Gilles Peterson (BBC) transmitido ao vivo com esses convidados.

Bem, fui la _raggamuffin no set de todos é “tendência”, haha. E a convidada especial cantou quatro musicas com delirio invulgar. Era Bjork.

11/06/2003

There´s no place like FAR AWAY from home.