Archive for março \31\UTC 2003

31/03/2003

ALÍVIO

Ainda bem que o filme 2 Perdidos Numa Noite Suja vai estrear nesta sexta. E aí nunca mais vou ter de assistir àquela merda de trailer no cinema.

29/03/2003

A FRASE

A Guiness a day keeps the doctor away

Ozzy Osbourne

28/03/2003

YEAH

Discos bons, bons discos:

Unrest, Erlend Oye, um norueguês e dez gringos na produção.

Vocalcity, Luomo, uma compilação de três EPs que põe a house num lugar aconchegante: em casa.

Slight of Hand, Mike Shannon, minitekno do jeito que o povo gosta, mas sem os nomes da música.

Up in Flames, Manitoba _este um dos melhores do ano até agora.

E entrei numas de discos da Escandinávia. Da Dinamarca pra cima só tenho ouvido coisas legais. Isso merece uma prateleira de discos nórdicos.

28/03/2003

RAPPIN’ HOOD

Esses prédios enormes com vidros espelhados (azuis, pretos, cinzas, marrons) na fachada, além de serem de muito bom gosto, provocam cenas curiosas num fim de tarde ensolarado. Todo o quarteirão fica refeltido com o sol que bate no edifício.

Parece que a vizinhança está com vitiligo.

27/03/2003

SAIBA TUDO

Quer saber? Chega de guerra, já deu, me alienei. Não quero saber sobre esse mundo monotemático e horrorizado e em choque e sob o comando de bárbaros. Vou criar o meu próprio mundo. Não aguento mais “saber tudo” sobre a guerra, ver “mais de mil fotos”, mapas, glossário, diários do front, especificações dos aviões, tanques, mísseis, o caralho _até porque fiquei decepcionado ao saber que cavalaria não tem cavalos e infantaria não tem crianças. Isso é muito, muito chato, tedioso.

É muito foda ler que 15 iraquianos mortos é um massacre. Um final de semana na periferia de SP é o quê? O Holocausto? É bastante cansativo.

Que se fodam os americanos e as notícias da guerra. Quando isso tudo acabar, me avise. Porque a partir de agora estou de headphones para o mundo.

27/03/2003

ESTRANHO

A CNN mudou o seu selo da guerra de Strike On Iraq para Strike In Iraq. É um detalhe sutil, mas que faz toda diferença. O Iraque deixa de ser o “inimigo”, o alvo, para se tornar o cenário da batalha. O ataque é contra Saddam, não contra o país, diz nas entrelinhas.

Cafajestes.

E alguém pode parar aquelas letrinhas que ficam passando embaixo da tela? Elas não param nunca! Aquilo é infinito, sempre tem uma notícia que vai passar pelo seu nariz, da direita para esquerda, sobre uma tarja vermelha, como se fosse muito importante e como se você tivesse de saber. E então você não consegue desgrudar os olhos da tela esperando a próxima notícia que vai entrar e fica lendo até ela acabar e espera a seguinte e assim por diante.

Que saco.

27/03/2003

TÉDIO

E quem aguenta mais canção anti-guerra em site oficial de banda? Bom, talvez essa tenha sido a saída para os artistas se promoverem *durante* a guerra, já que todos eram contra a guerra antes mesmo de ela começar. Mas é uma saída bem demagógica. E, por ter gente tão díspar como Green Day, Beastie Boys, Madonna, Lenny Kravitz, Zack de la Rocha e DJ Shadow, esse “protesto” se esvazia.

Ou cai no ridículo, já que, entre esses citados, há pelo menos três que estavam sumidos/decadentes _e a guerra é uma boa hora para aparecer de modo “favorável”.

Agora é aguardar um Top 10 das músicas anti-guerra mais baixadas da semana. Ou um bootleg com todas elas juntas. Ou, o que seria sensacional, um revival do Culture Club via War Song, aquela do war is stupid and people are stupid

26/03/2003

NOUSSA…

Sabe o que a camisa falou pro ferro elétrico?

Tou passada!

20/03/2003

DOUBLES

Essa guerra podia se chamar Gulf War – Episódio 2: Ataque aos Clones.

20/03/2003

ZEIT-MÚSICA DO DIA

Mesopotamia, The B-52’s

19/03/2003

HINO DA GUERRA

Guerra no gueto

Pode vir, pode chegar

Misturando o mundo inteiro

Vamos ver no que é que dá

Hoje tem guerra no gueto

Pode vir, pode chegar

Misturando o mundo inteiro

Vamos ver no que é que dá

Tem míssil de todo alcance

Tem raça de toda fé

Explodindo o ditador

Bomba de arrancar o pé

Vai lá pra ver a tribo se balançar

O chão da terra tremer

Os EUA de lá mandou chamar

Avisoouu, avisoouu, avisoouu, avisoouu…

Que vai rolar a guerra, vai rolar…

O povo do Texas mandou avisar

Que vai rolar a guerra, vai rolar…

O povo do Texas mandou avisar

A musiquinha de minha autoria é uma homenagem a todos os iraquianos que dirigem Passat 88 fabricados no Brasil.

18/03/2003

ZEN

Me mandam cada link bizarro por icq…. Aí eu mando pra outras pessoas também, porque diz que, se você fica com link parado, é ruim pra energia, sã?

18/03/2003

O DIA TODO

26 Mixes for Cash, Aphex Twin

18/03/2003

LEAVE ME ALONE

Se você estiver fazendo uma matéria (matéria é jargão para reportagem) sobre blogs ou a “febre dos blogs” ou qualquer coisa que tenha sido notícia há mais de um ano, você não está autorizado a usar a url deste blog para nenhum fim. Não adianta argumentar que estará na lista dos 10 mais legais ou que é “bem escrito” (?) ou qualquer outra obviedade da qual eu já saiba.

Dica: há centenas de outros blogs “interessantes” que gostam de aparecer, de serem citados, de figurarem em listas, de serem elogiados e de serem detonados. Basta uns dois ou três cliques.

Diferentemente das pessoas normais, eu prefiro o anonimato, a paz e tranquilidade da obscuridade. Esse tipo de “celebridade” (é uma celebração, convenha), monitoramento e notoriedade eu desprezo.

Quando _e se_ eu fizer algo com o objetivo de me tornar notório, não se preocupe, você saberá facilmente.

18/03/2003

48 HOURS

Vem cá, que horas acabam essas 48 horas? Quando o Bush terminou de discursar na TV, ele falou “valendo!” pro Collin Powell?

Se eu fosse o Saddam, também não iria aceitar esse prazo. Imagine um cara com dezenas de palácios enoooormes, tendo que empacotar tudo, contratar trasnportadora (quem aceitaria essa roubada?) e ainda negociar o lugar pra onde ele iria _que é em outro país. Tudo isso em 48 horas. Cara, é impossível. Os EUA estão loucos…

16/03/2003

PUTZ

Sabe como o canal Warner chama essa nova guerra no Iraque?

Não é reprise. É second chance.

15/03/2003

JAP

Turning japanese

I think I’m turning japanese

I really think so


The Vapors

15/03/2003

FRENCH USA

Depois que um ilustre político norte-americano sugeriu trocar o nome das french fries para Freedom Fries _um nome muito mais suculento, adimita_ devido à discordância bélica entre França e EUA, vou aqui sugerir outras mudanças para abolir o “francês” de algumas expressões.

Por exemplo, não há mais clima pra dar um French Kiss depois do posicionamento da França contra a guerra. Simplesmente não dá! O melhor a fazer em tempos assim é chamar o sensual beijo de língua de We Will Never Forget Kiss, numa alusão à faixa estendida nos escombros do World Trade Center.

French também é um termo associado ao boquete em alguns países de língua inglesa (é o equivalente geográfico-sexual à nossa Espanhola, termo em alta). Um boquete não pode ser chamado de French, agora definitivamente. Depois de Bill Clinton, boquete já vinha sendo chamado nos EUA apenas de Lewinski, termo que ganha força neste período pré-guerra por reforçar o, ahn, apetite patriótico do país.

As mulheres também não devem mais fazer Unhas Francesas (French Nails) sob o risco de serem confundidas com esses seres pacifistas desmiolados.O método de pintar a unha de uma cor e a borda dela de branco agora é conhecido como Unhas da Justiça (Justice Nails).

E o Buldogue Francês (o French Bulldog)? Sim, estamos no Brasil, pero nosostros somos baianos! Então usamos os mesmos procedimentos inteligentes dos EUA. Apenas os que não gostam dessa raça de cachorro chamá-lo-ão assim. Os demais dizem Buldogue da Paz (Peace Bulldog), para humilhar todos os outros buldogues.

Pão francês também perderá o seu nome. Não se pode mais comer esse prosaico alimento e não evocar esse país maléfico que é a França. Para isso, o Brasil exporta novas gírias: da Bahia para o mundo, o pão francês passa a se chamar Cacetinho (Little Dick) e a América passa a se alimentar melhor.

Little Dick e Freedom Fries pela manhã, depois um We Will Never Forget Kiss na esposa com Justice Nails, que vai passear com o Peace Bulldog, no qual aplica uma (é feminino agora) Lewinski. E assim os Estados Unidos permanecem como o país mais sensato, equilibrado e calmo do mundo.

14/03/2003

DANÇARINA RADICADA

Eu acho uma graça nestas coisas. A moça é puta se fizer show na Baixa Augusta e outras zonas nacionais. Mas a moça é “dançarina” se ela for uma brasileira assassinada nos EUA.

É a mesma história para o famoso “radicado”. Se o cara for estrangeiro/importante que nasceu num país e mora em outro, ele é “radicado” nesse outro país. Mas, se ele tiver nascido em, digamos, Pernambuco e morar em São Paulo, é um retirante. Ou alguma fez você leu que o Lula era “radicado” em São Bernardo?

13/03/2003

VIZINHO: EPISÓDIO FINAL

Eis que fui pedir o caderno de Veículos ao vizinho, como se eu não soubesse que ele roubava o tal suplemento do meu jornal havia um mês.

Leia aqui.

V é o vizinho, E sou eu.

E: Oi, Chico, tudo bem? Será que você pode me emprestar o seu caderno de Veículos?… O meu não tem vindo esses dias, não sei…

V: (vermelho. E, quando digo vermelho, não é só o rosto é a cabeça inteira, porque ele é careca) Eu roubei o seu! (risos sem graça)

E: Ah, não diga. Que coisa…

V: Mas você viu que eu deixei um recado, né?

E: Sim, o do recado eu vi, que foi logo quando vocês chegaram, um mês atrás, não é?

V: Isso, isso. Você vai comprar um carro também? (tentando mudar de assunto e minimizar o micão)

E: Não, é que eu preciso olhar essa seção, por causa do trabalho. (aham…)

V: É mesmo? Nunca ia imaginar (mais risos sem graça). Peraí que eu vou pegar…

E: Pois é, Chico… E eu achava que estava acontecendo algum problema na distribuição do jornal, ia até comentar com o zelador (gente do céu, vou ser ator agora)

V: É que eu peguei porque estou procurando um carro, né?… Pronto, tá aqui. Nem li ainda.

E: Ah, obrigado.

V: Mas, sabe, nem abri ainda, mas vi que tem uma página específica sobre o Scénic (neste momento ele aperta os olhos e faz um gesto com o polegar junto do indicador, mostrando precisão)… Depois você deixa eu dar uma olhada?

E: Ah, claro, pode deixar… Bom, então tchau, obrigado.

V: Tchau, tchau (indeciso no momento de fechar a porta, ainda meio róseo).

Logo depois dos pulos de alegria, joguei o tal caderno de Veículos direto na pia, abri a torneira e joguei aquela meleca no lixo. E sabe que ele nem me pediu para ver a “página específica” do Scénic depois?

I am evil as hell.

13/03/2003

DÚVIDA

Será que existe lésbica pedófila?

Veja, não são adolescentes nem crianças que transam entre si, como as meninas do Tatu. Aquilo não tem nada a ver com pedofilia, é showbiz mesmo.

12/03/2003

DESDE ONTEM NO AR

In a World Gone Mad, dos Beastie Boys, só aqui.

A música diz algo assim:

Now how many people must get killed?

For oil families pockets to get filled?

How many oil families get killed?

Not a damn one so what’s the deal?

Aiai, só quero ver se não rolar guerra…

12/03/2003

TAÍ

Grande Leonardo envia o o slogan do ano por email:

Bombing for peace is like fucking for virginity.

12/03/2003

ALPINESTARS FRENZY

Para ver:

Snow Patrol

Carbon Kid, com Brian Molko.

Para ouvir:

Burning Up

NuSEX City

12/03/2003

Do you know diwali?

11/03/2003

O DIA TODO

Gosta de Andrew Weatherall? Então ouça.

Não gosta? Então veja o que perde.

11/03/2003

KICKS ASS

O DJ-Kicks de Tiga é surpreendentemente muito bom; não há traço de Sunglasses at Night ou desvarios electro. Não se engane com o visual andrógino e laid-back da capa do disco. Em uma palavra: classy.

O que é um pouco esquisito, já que o também disco de remixes Mixed Emotions: Montreal Mix Sessions, Vol 5 (2001) está longe, muito longe da qualidade de produção _e especificamente da de remixagens_ deste DJ-Kicks.

Isso corrobora o que vinha desconfiando há algum tempo sobre uma das séries mais bem-sucedidas da música eletrônica recente: há um nível de excelência mínimo num disco da série DJ-Kicks. E pouco importa se o repertório, a produção, a finalização etc. não seja de autoria/escolha do DJ que figura na capa do disco.

11/03/2003

QUE VENHAM OS 40

Muito bem. Os 40 estão a pouco mais de um mês. É uma sensação estranha de ter visto tudo, mas é óóóbvio que não só não vi nada como o que há para ser visto é bem mais interessante do que já vi. 40 anos parecia uma idade inatingível, que cairia num longíquo 2003, como se fosse o ano em que se passava algum filme de ficção científica _ninguém estaria vivo para ver se aquilo era mesmo daquele jeito.

Os cabelos continuam, a barriga dá alguns sinais de que gostaria de ser maior, mas ela foi feita para ser “embutida” mesmo etc. etc. O legal de fazer 40 é que todo esse papo de “balanço” e “revisão” da vida não faz o menor sentido. A não ser quando se trata de discos. É um pouco demais ter todos os discos do The Farm, por exemplo. Aos 40 você percebe que os discos possuem prazo de validade; outros se transformam em lembrança de uma época, uma pessoa… Enfim, ele será lembrado por um fato completamente diferente do que o motivou a comprá-lo.

O ruim, ruim mesmo, de completar 40 é ter de ouvir de idiotas (ou seja, 100% dos que falaram omigo sobre o assunto) que “depois que entrou nos ‘enta’….” e segue uma risada de escárnio. À puta que o pariu, falei?

De resto, os 40 são a tranquilidade almejada aos 30, mas que demorou 10 anos para chegar. Como já disse a inssossa Sheryl Crow, os 40s são os novos 30s. E não é que ela tem razão?

10/03/2003

A VERDADE

Já falei que adorei este layout? Poizé, ficou excelente.

Ficou tão bom que o slogan deste blog mudou para “Além de ótimo, lindo”.

10/03/2003

MARKETING DE GUERRA

Alguém tem de avisar a esses artistas, cantores e bandas “pela paz” em geral que a guerra não começou. Está havendo um grande erro de timming mercadológico: há uma antecipação enorme de algo que não existe; como dizem os jornalistas de música em relação a álbuns vindouros, é a “much anticipated war”.

Guerra não é como disco nem filme, que podem ser promovidos por meio de pré-estréias e vazamentos calculados na Internet antes do lançamento oficial. Com a guerra não é possível capitalizar antes que ela aconteça.

O artista só deve ser contra uma guerra quando ela existir, quando o perigo for real, quando os prejuízos e mortes estiverem acontecendo de fato. E os seus assessores devem ficar atentos a isso, para que o artista tenha uma “boa mídia”, para que as suas declarações tenham destaque e não fiquem ao lado das de um Dave Matthews, o que é péssimo _nesse caso, é melhor até ser a favor da guerra, a repercussão é mais vantajosa.

Tudo ficará bem se a guerra não acontecer; os protestos e manifestações artísticas anti-guerra farão sentido no futuro. Mas e se acontecer? O que o showbiz pode oferecer durante a guerra sem se repetir com o mesmo discurso “no war”? Uma coisa é pedir para que a guerra acabe, outra é pedir para que ela não comece _e isso só está acontecendo em escala mundial pela primeira vez agora.

Estará a indústria do pop preparada para se promover com uma guerra nessas circunstâncias?

É.. Precisa pensar em tudo hoje em dia…