2003 ATÉ AGORA

Eis os discos que saem das caixas de som mais próximas desde 1° de janeiro. Uns novos, outros nem tanto, mas quem se importa?

  • The Soulsavers Soundsystem The Soulsavers Soundsystem Presents.. Fear and Loathing on the Wheels of Steel – Não faço idéia de quem seja. Esse disco é uma amostra promocional vendida apenas na loja da Rough Trade londrina. Mais de uma hora de soul music dos 60 e 70, alguns rocks da mesma época e uma versão sensacional de Like a Rolling Stone, cuja autoria também desconheço. Um Baú Pop, tudo numa faixa só, como o filme Arca Russa: imagens/sons que passeiam por você numa única tomada. As músicas são costuradas umas nas outras, mas quase não há interferência nelas, como fazem os 2 Many DJ’s.
  • Artist UnknownFuture – Primeiro e único álbum dessa dupla berlinense da qual não se sabe nem a cara que tem. Eles se vestem completamente cobertos, de terno branco, óculos e gorro de bandido, na capa desse disco, de 2000. E de calça, máscara e jaqueta jeans abotoada até o pescoço, com óculos de motoqueiro, num show na Espanha _um visual sado-terrorista num verão de 33°C. Eletropunks e pervertidos, a dupla é mais bem comportada no disco do que no palco. Por todo o disco, os sintetizadores são servidos crus e o eletropop dos 80 é chutado para lugares violentos. Às vezes seco (Anthem), rude e “Numanesco” (The Piper at the Gates of Detroit), a destruição está por toda parte. Porque para ser hardcore e EBM há de ser tosco _e nem todo electro é glamouroso.
  • Colette N° 4 – Quarta coletânea da lojinha da Saint Honoré, com músicas “do momento”, como House of Jealous Lovers (The Rapture), Losing My Edge (LCD Soundsystem), Comfortably Numb (Scissors Sisters), além de Hooked on Ebonics (Knifehandchop) e Seventeen, do Ladytron, remixado pelo Soulwax. Como de praxe, há uma faixa escondida: a bizarra Fashionist, de Waldorf, em que nomes de grifes de roupa são declamadas em canto gregoriano. Apesar de ter outro disco remixado pelos 2 Many DJ’s (16 minutinhos), esta coletânea não é a melhor das quatro.
  • Radio 4Gotham!Dance to the Underground tem uma levada da breca, mas a melhor do disco é Struggle, cujo baixo tem cordas feitas de Emerald, Saphire e Gold (as tais ESG). Das bandas nova-iorquinas que costumam fazer revivals e chamar isso de “nova cena”, a Radio 4 cumpre direitinho o seu papel de déjà-vu, e os produtores do DFA fazem dançar. E a caixinha do CD é legal o suficiente para chamá-la de estojo. Para ouvir bêbado num muquifo calorento.
  • DJ VadimU.S.S.R The Art of Listening – É Ninja Tune, é russo, é hip hop e é experimental prakarai. O mais novo disco do moço apresenta uma participação especial em cada música, dos franceses do TTC ao norte-americano Motion Man. Como o nome sugere, é um disco difícil de digerir porque amplia alguns limites a fórceps _e o risco de tudo está em apreciá-los.
  • The RemiXFM² – Segunda coletânea dupla de remixes da rádio inglesa XFM. Me gusta mucho de remixes. E há uma penca deles aqui, são tantos, novos e antigos, que nem vou enumerá-los. O mais interessante porque destoante é o que a Peaches fez para Get Me Off, do Basement Jaxx. Ô, disco divertido.
  • Sneaker PimpsBloodsport – O que leva alguém a comprar o terceiro disco dos Sneaker Pimps? Quando descobrir, lhe aviso. Completamente diferente do trip hop original da banda, este disco está mais sujo e mais fraco, com o vocalista Chris Corner no lugar de Kelli Dayton, que cantava no primeiro álbum. Rock sub-Depeche Mode, o que, convenhamos, é bem próximo de uma bosta.
  • Missy ElliottUnder Construction – Oh, yeah! Shake your booty down. A Mulher Maravilha do hip hop continua se apropriando do discurso tipicamente machista do gênero e usando-o a seu favor. Com boas doses de deboche e sarcasmo, Missy ultrapassa a superfície rígida do hip hop (a mesma em que os rappers brasileiros estão encalacrados) e ousa o que o maisntream permite. Se não chega a subverter algumas regras _afinal tudo ainda é muito sexual_, ela deixa claro que cada faixa é uma “Missy Elliott exclusive”. E foda-se.
  • Badly Drawn BoyHave You Fed the Fish? – O querido da imprensa inglesa tem o mérito de ter um selo com Andy Votel. Além disso, este segundo álbum é mais bem acabado e menos lo-fi (leia-se indiezinho) que o primeiro (sem contar a trilha de About a Boy), de modo que possui um estalo de originalidade. Mas é inofensivo, e quem não gosta de ouvir algo assim de vez em quando? É tão pop quanto dar comida ao peixe.
  • Beth OrtonDaybreaker – Se existe uma trilha do verão 2003 (que teve uns quatro dias, considerando verão um período quente e de ócio), é esta. Assim como foi The Good, the Bad and the Funky, do Tom Tom Club no verão de 2000, ainda que não haja nenhuma ligação formal entre os dois. Este álbum é mais ensolarado e, ahn, orgânico que o anterior, Central Reservation, e só isso basta. Sem mais conjecturas, é para ouvir durante a viagem de férias, sem pensar em nada, com cabelos ao vento, beijando quem você gosta. E, acima de tudo, para ouvir depois, pensando em todos esses momentos em que o disco esteve tocando enquanto você estava de férias, sem pensar em nada etc. E Ryan Adams está muito bem como coadjuvante.
  • Shirley BasseyThe Remix Album… Diamonds Are Forever – Exceto a horrenda última faixa, If You Go Away, remixada por Moloko, o disco é uma beleza. Os Propellerheads remixaram mais uma dela, Goldfinger (este disco é de 2000), desta vez mais com um resultado mais classy. Por falar em classe, adjetivo tatuado em Ms. Bassey, a versão dela de Light My Fire, remixada por Kenny Dope, deixa no ar a pergunta: o que seria um remix dessa música na voz de Maysa? Mantronik, Groove Armada, DJ Spinna e Nightmares on Wax fizeram um trabalho digno, em que respeitaram a voz dos filmes de James Bond, remexendo com propriedade nas músicas sem que elas perdessem o que têm de melhor: a alma de Shirley Bassey.
  • Everything But the GirlLike the Deserts Miss the Rain – Gosto de coletâneas de grupos de que não possuo nenhum álbum. Isto posto, esta coletânea é a dose suficiente de EBTG de que minha estante precisa.
  • Beth Gibbons & Rustin ManOut of Season – Não é porque ela canta mal, que os discos são maus. Longe disso. Mas ainda não estive no mood adequado para escutar este disco como se deve.
  • CassiusAu Rêve – Bons momentos recheados de outros nem tanto. É o disco que se costuma classificar de “irregular” (ou atira para todos os lados). Thrilla, com Ghostface Killah, e Till We Got You and Me são o que eu gostaria de ouvir num disco desta dupla francesa. Não I’m Woman nem Protection.
  • Groove ArmadaLovebox – Antes: o disco possui uma faixa bônus na internet, e isso é legal. E Groove Armada está em ótima forma, avançando na mesma direção jamaicana de Vertigo e Hello Country Goodbye Nightclub. Eles deviam estar de saco cheio de estar asociados à mellow music, chill-out, essas coisas. Groove Is One e Final Shakedown são músicas que gostaria que houvesse num disco da dupla. E, para além das influências reggae, o Groove Armada dosa bem house, funk e rock sem caricaturas. Discão.
  • Triple RFriends – Disco de remixes deste alemão, que remisturou músicas dos amigos, como Dntel, Ada, Luciano, Pwog e Oxtongue, que, exceto o primeiro, são ilustres ninguéns. O melhor disco de remixes da década é formado por tekno minimalista, com quase nenhum vocal _ e os que existem são sussurados_, o que confere uma deliciosa paisagem abstrata (um Pole menos vanguarda, digamos), que nunca se perde de vista. A melhor música: Tanz Mit Mir, de Schaeben Und Voss, que ativa regiões adormecidas no cérebro, que por sua vez emitem sinais intricados para o resto do corpo. Dance comigo, baby.
  • Andy VotelAll Ten Fingers – Rock experimental com glitches utilizados de forma lúdica. Ah, vai ouvir, num aguento mais escrever.
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