TWOISM

O EP Twoism, de 1995, confirma a viagem de volta ao útero que a dupla escocesa Boards of Canada fazia no começo de sua carreira. Duas das oito músicas de Twoism (algo como “doisismo”, hehe) foram refeitas para o espetacular Music Has the Right to Children, o melhor álbum de 1998, empatado com Mezzanine, do Massive Attack.

Se em Music Has the Right to Children, havia um semi-épico psicodélico, em Twoism o ouvinte é levado direto para o líquido amniótico onde permanecera por uns nove meses, lugar pequeno com tudo o que o bebê precisa para viver.

Já na primeira faixa, Sixtyniner, a sensação de estar fora do próprio corpo _ou de voltar a ele no ambiente mais confortável onde já se esteve, na barriga da mãe_ com total segurança intriga. Aquilo é uma canção de ninar das mais eficientes, trilha de hipnose (o tal ninar da canção) da qual não se quer fugir. Ao contrário: leve-me ao seu líder agora!

Música eletrônica reflexiva, melancólica mas ao mesmo tempo feliz, sem glitches, suave e encantadora. O útero deve trazer esse conforto “solitário-acompanhado” que o Boards of Canda traduz em música. O sangue fluindo por toda a parte, os órgãos vitais seus e de sua mãe pulsando em harmonia e fluidez e os sons moucos de tudo isso num amiente líquido percorrem todo o EP.

EP que foi relançado em 2002 pela Warp, corrigindo a tiragem original de apenas 100 cópias com as quais a dupla escocesa procurava gravadora em 1995.

Depois de ouvir qualquer disco do Boards of Canada, entende-se por que os bebês berram quando nascem: apertaram a tecla stop no parto.

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