ARTIST UNKNOWN

Eu até que gostaria de tocar no Brasil. Acho um país legal, são os melhores no futebol, tem praias lindas, mulheres idem, e todos os meus amigos que já tocaram lá dizem que o público é “wild”.

Mas, você sabe, o Brasil é um país onde acontece poucos shows internacionais… É uma pena porque conheço várias bandas que adorariam se apresentar lá, mas os organizadores não têm dinheiro para levá-las. Além disso, existe um problema grave _e é exatamente por isso que não vou pra lá.

Veja, eu sou um cara underground, não sou tão famoso, nunca tive discos entre os mais vendidos em nenhum país (nem no meu próprio!). Mas no Brasil existe um assédio desmedido em relação a apresentações que não são de brasileiros. O meu agente já recebeu vários telefonemas de jornalistas que querem me entrevistar pelo simples fato de eu lançar discos. Acho isso ótimo, não me entenda mal, mas é esquisito um lugar tão longínquo ter essa sede toda.

Conheço artistas amigos meus que ficaram chocados com a quantidade de capas de jornais nas quais estiveram estampados quando foram para lá. E não eram publicações especializadas (me disseram que não há tantas lá), eram os maiores jornais do país!

E perguntam coisas idiotas, do tipo se conhece alguma música do Brasil, qual é a expectativa em tocar lá, o que eu vou fazer quando chegar lá, como será a apresentação, se haverá alguma surpresa para os brasileiros… Imagine se algum jornalista espanhol ou francês vai me perguntar se conheço alguma música do país ou “qual é a minha expectativa” em relação ao show. Isso é tão passé…

Coitados dos brasileiros, até entendo a situação deles. Como nunca vêem shows de artistas estrangeiros, quando aparece algum, ficam tão entusiasmados que exageram na dose. Chegam a chamar qualquer cantora ou DJ de “diva”, qualquer veterano da guitarra de “deus” ou “mestre” pelo simples fato de estar presente em carne e osso. Menos, menos.

Tenho um amigo que conhece o roadie do Rush que disse que nunca viu nada igual nos 30 anos da banda quando foi agora ao Brasil. Histeria é pouco para descrever a reação dos fãs e da mídia em relação à banda. E, pelamordedeus, era o Rush!

De modo que tenho certo receio por essa superexposição desnecessária num país onde nunca estive. Deve ser um lugar ótimo para passar férias e tal, mas para fazer show exige uma disposição para agüentar toda essa avalanche midiática que não tenho.

Além disso, não gosto de criar muitas expectativas antes das minhas apresentações. O público, claro, tem de ser vibrante, gostar do meu trabalho, curtir o som. Mas é bem diferente de tocar num lugar onde todos estão lá para ver a sua cara, para medir as suas reações, para analisar cada passo que você dá. Dizem que no Brasil isso é conhecido como “hype”…

Então eu torço para que um dia os shows de artistas gringos sejam mais constantes no Brasil. Isso cria um universo em que o público se torna mais habituado e se estressa menos com as atrações. Assim eu vou me sentir mais à vontade para tocar lá.

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