Archive for janeiro \31\UTC 2003

31/01/2003

PAZ

Imagine o George Bush todo rebolativo, com a mão nos quartos, convidando o Saddam Hussein, acanhado no canto do salão de black music:

Brother, vem dançar que a banda começou

É o samba-soul que o outro brother me ensinou

Vem dançar, vem dançar, vem dançar, irmão

É a vez do samba-soul

Venha se embalar nesta marcação

É muito importante o clima dessa união

Vem dançar, vem dançar, vem dançar, irmão

É a vez do samba-soul

Este é o momento certo dessa libertação

Se a gente usar a força dessa canção


Lady Zu e Totó

31/01/2003

NOVA GÍRIA

Depois de vários netos matando a avó de várias maneiras sob o efeito de drogas, criou-se uma nova gíria no léxico. A versão hardcore de “enfiar o pé na jaca” agora é DECEPAR A AVÓ.

Tipo, “hoje vamos para a balada que eu quero decepar a avó”. Ou “estou acabado, ontem eu decepei a avó”, rararararara.

31/01/2003

AGORA É MODA

Agora a “tendência” é ser qualquer coisa-chique ou glam. Li outro dia que um sujeito fez desfile sporty-glam. Puta coisa baiana! O cara só teve dinheiro pra fazer roupa de inverno com malha de ginástica, rarara

Só falta a nova onda ser doente-mental-chic, com look hospitalar, muito branco e make asséptico! Há também as tendências bóia-fria-glam, açougue-chic, mecânico-trash, japonismo-caipira e o incrível mendigo-electro!

Agora o melhor é coleção de inverno pro BRASIL! Bando de gente cafona da porra. Mas eu vou sugerir uma coleção para o inverno brasileiro, baseado em dicas de amigos:

  • Canga de pele de raposa
  • Biquíni de gola rolê
  • Coturno de frente única
  • Maiô de pelica
  • Sunga de vison
  • Saída de banho de lã
  • Ia ser um sucesso.

    31/01/2003

    NOTHING COMPARES TO YOU

    Depois de cantar com Massive Attack, Sinéad O’Connor participa do álbum do Asian Dub Foundation. Tipo, qual é da moça?

    30/01/2003

    Se existisse bastard pop na moda, esse Lino Villaventura teria criado um remix com Pablo do Qual É a Música e Thriller.

    30/01/2003

    CLIPE CIENTÍFICO

    Special Cases, do Massive Attack.

    O grupo volta a fazer vídeo com imagens de dentro do corpo a exemplo de Tear Drop, em que um feto “dublava” Elizabeth Fraser.

    29/01/2003

    SANDY DE VÊNUS

    Você leu aqui o dia em que a Sandy trepou como uma cavala com o seu irmão Junior. O episódio deve estar esquecido nos arquivos deste blog mal escrito, procure lá. Pois agora os dois foram à TV dizer que sempre usam camisinha. Pois naquela noite de orgia, sem Xororó e a Noeli em casa, os dois usaram tudo menos camisinha.

    There’s no business like show business, lembre-se disso.

    28/01/2003

    ENGENHEIROS DE BIQUÍNI

    Ingenuamente pensava que qualquer coisa que os Engenheiros do Hawaii fizessem fosse algo que estivesse condenado à ruindade perpétua, sem salvação. Seria um dos poucos grupos que produzem merdas difíceis de serem pioradas.

    Parabéns ao Biquíni Cavadão que conseguiu jogar MAIS cocô no ventilador da banda gaúcha na cover de Toda Forma de Poder.

    Putaqueopariu…

    27/01/2003

    MEU FÓRUM MUNDIAL

    Será que não existe um site onde se pode criar o seu próprio Fórum Mundial? Com opções ricos (econômico) e pobres (social), manifestantes ou platéia com tradução simultânea. Com várias opções de protestos (contra McDonald’s, polícia suíça, transgênicos, e EU da A). Os discursos também poderiam ser personalizados, assim como a repercussão do evento em todo mundo.

    Não existe mesmo?

    E, putz, não fui a Porto Alegre vender as minhas bandeiras inflamáveis dos EU da A. Elas existem desde a época do Osama Bin Laden (lembra dele?). Tudo bem…

    26/01/2003

    REMISTURA

    Então você gosta de remix? Aqui tem 10 dos caras da Astralwerks.

    “Dos caras” é muito íntimo, né?

    26/01/2003

    SOUND OF MUSIC

    Música do dia: Real Life, Audio Bullys.

    Álbuns aguardados (por mim): Clean, Cosmo Vitelli; Love Box, Groove Armada; Gotham!, Radio 4; Colette 4 _que completa a minha coleção de discos da lojinha da Faubourg Saint-Honoré.

    26/01/2003

    TRÓPICO

    A indústria de discos do Brasil é tão tosca que não dá nem para chamar de indústria. Tome-se por exemplo o novo disco de Missy Elliott, distribuído nacionalmente pela Warner. No final de dezembro, a gravadora distribui cópias para a imprensa, que diz que os disco está nas lojas.

    Não está até hoje, é claro. Só chega a partir desta semana ou da que vem, devido ao recesso _de um mês_das gravadoras.

    Bando de vagabundos e incompetentes, deviam vender cartela de Mega Sena.

    26/01/2003

    FREAK WEEK

    Alguém pode me informar quando é o desfile das campeãs do São Paulo Fashion Freek? Diz que o evento é o chamado carnaval fora de temporada, haha.

    26/01/2003

    ANÚNCIO

    A nova marca Paralamas do Sucesso está revolucionando o mercado de cadeiras de rodas jovem. Com design arrojado, as cadeiras de rodas Paralamas do Sucesso são o mais novo hype entre os antenados e descolados, com três modelos de raios de titânio desenhados especialmente pelos moderníssimos Phillipe Stark e Tyler Brûle.

    Como o próprio nome sugere, o grande diferencial das Paralamas do Sucesso são os… pára-lamas. Disponíveis nas versões “night” e “sport”, os acessórios podem ser adquiridos separadamente. A versão “night” traz pára-lamas glow, que brilham no escuro, indicados para festas e eventos noturnos. Já a “sport” oferece pára-lamas aerodinâmicos feitos com material usado pela Nasa, ideal para atividades outdoor.

    Para os mauricinhos, a empresa desenvolveu um modelo rebaixado com potente sistema de som e luz azul sob o assento para você impressionar as garotas!

    E as cadeiras de rodas Paralamas do Sucesso são o patrocinador oficial da seleção brasileira paraolímpica.

    O que você está esperando aí sentado? Corra e garanta já a sua Paralamas do Sucesso!

    26/01/2003

    WORLD PIE

    Confeiteiros sem Fronteiras!! Muito bom, muito bom.

    25/01/2003

    SABOTAGE

    Alvíssaras! Finalmente um rapper brasileiro é assassinado! Depois de uns sete anos das mortes de Tupac Shakur e Notorious B.I.G, o Brasil tem o seu representante do hip hop devidamente alçado à posteridade como se deve. Faltava esse “quinto elemento” ao hip hop nacional.

    Porque rapper tem de ser mau, tem de atirar, tem de traficar. Esse negócio de comunidade, Cohab, “trabalhador” é pra pagodeiro.

    Agora é esperar álbuns póstumos do Sabotage e marketing bacana para o filme Carandiru.

    24/01/2003

    GERÚNDIO

    Reparo que as pessoas começam a não usar tanto o elegante “vou estar fazendo” ou “vai estar peidando”. Agora aprenderam o português e dizem “estarei fazendo” ou “estará entrando em contato”.

    Não é um amor de analfabetismo?

    24/01/2003

    REBECCA

    Depois de vários meses, Femme Fatale estréia no Brasil. Bom, já falei sobre isso, não vou me repetir.

    23/01/2003

    ENGRAÇADINHO

    Olha o bilhete que um mané deixou no vidro do meu carro.

    22/01/2003

    ÍDOLO

    As junkets, ou entrevistas coletivas, são constrangedoras em qualquer lugar do mundo. Nesse caso, por acaso, é sobre o insuportável O Senhor dos Anéis, mas é bastante reveladora de como os jornalistas patetas se comportam diante de artistas consagrados.

    E isso é a regra, seja quando o assunto é cinema ou música. Não há nada mais deprimente do que um jornalista pedir autógrafo ao entrevistado.

    22/01/2003

    SAÚDE DEMAIS

    Danny Boyle diz que os atores de Trainspotting estão saudáveis demais para fazer a seqüência do filme. Hahahaha.

    Parece que eles andaram usando creme facial e loção de vitamina E. Eles estão com uma ótima aparência“, afirmou o diretor.

    Tá vendo? Tá vendo? Creme facial e vitamina E são drogas pesadas que fecham as portas de uma carreira cinematográfica bem-sucedida.

    22/01/2003

    DIVIRTA-SE

    Eu adoro quando o entrevistado enrola o entrevistador _já fui vítima disso, daí o meu apreço a episódios assim. Melhor ainda quando a história inventada é sensacional, como a que o DJ Marlboro falou hoje à Folha.

    O cara disse que o funk carioca começou depois que o Hermano Vianna, irmão do Herbert, mostrou uma bateria eletrônica a ele. Então DJ Marlboro, que não sabia mexer no instrumento, sonhou que sabia programar o troço. E o resto é história, rarara. Tipo Beatles e Stones, diz o texto! Isso não é demais? E tudo aconteceu em 1989, hehe.

    Carioca é malandro prakarai.

    Fora que ninguém leu O Mundo Funk Carioca, tese de mestrado do próprio Hermano, lançado em 1988.

    22/01/2003

    O HYPE MATOU O ELECTRO E SE SUICIDOU

    Em 2001 pensei: uau! isso é legal, estou nessa. Havia um comportamento subversivo que dizia “oi” pra mim. Tinha glamour, mas era sujo; histriônico, mas despretensioso; tinha sexo, mas não havia amor. Perfeito porque nasceu num período de pasmaceira musical/comportamental e, devido a todas aquelas características, não foi feito para durar muito. O electro era a violência despudorada que a música pop precisava, principalmente depois de 11/9.

    O fato de ser underground ajudava na versatilidade de atitudes. A capa de #1, do Fischerspooner, é o paradigma. O sexo sujo de Peaches corrói mais do que a sensaulidade oleosa e dirrty de qualquer Aguilera. A ex-go-go girl Miss Kittin de algemas, num disco em que 1982 vinha à tona, subvertia o período em que éramos crianças.

    É como se os anos 80 pop-trash tivessem sido não resgatados, mas seqüestrados de um passado cada vez mais nostálgico e torturados com sintetizadores, o instrumento que se tornou arma de coerção.

    O rosto de Sid Vicious no corpo de Schwarzenegger como logomarca da gravadora que reúne alguns artistas do gênero diz muito. Foda-se, é um exemplo. Entretanto, isso não resultou numa postura punk “joão-gordica”, armadilha fácil.

    Do punk veio a violência, da disco vieram o exagero e o sexo _mas aqui ele é pan e bruto_ e do pop veio o formato das músicas e do comportamento _moda etc. E o que se chama electro hoje guarda poucas semelhanças ao electro de Bambaataa e Arthur Baker; o aspecto booty talvez seja a única delas, e Dave Clarke um dos poucos a explorar isso pelo menos três anos antes.

    Mas tudo isso já acabou, tornou-se algo que não era. Agora é outra coisa que definitivamente já não me interessa mais. Seja porque o “conceito” se esgotou _e ele não foi feito para durar mais do que, digamos, duas temporadas_, seja devido à histeria das gravadoras que arregalaram o olho para isso e dos fãs aqui no Brasil, sempre carentes do que seguir. Isso é a conjunção perfeita para cair no ridículo.

    Sim, porque aqui não basta gostar, se identificar com o electro, tem de gritar para o maior número possível de pessoas que aquilo é o máximo, “hype” e que talvez a pessoa morra se aquilo não existir *imediatamente*. É o típico caso de distorção brasileira de um gênero/banda/movimento surgido no Hemisfério Norte _veja o hip hop, por exemplo: estancou pelos motivos exatamente contrários aos dos que saturou o electro aqui, a aversão ao hype.

    Se o Brasil chegou, como sempre, atrasado ao electro, pelo menos está em sintonia com a Europa no período sua, ahn, decadência (!). Mas aqui tudo foi diferente, bem menos agressivo e sexual e mais “sério” _hype é coisa séria por aqui, viu?. E foi bem menos divertido, como tudo que é engolido de uma vez sob pena de não ser “in” já.

    De modo que é sintomático que o electro no Brasil tenha se tornado patético justamente pela overdose de hype que ganhou. Porque nos anos 00 estamos vendo a morte do hype como força motriz de divulgação da música, esse óleo que lubrifica a relação mercado-consumidor. Um óleo tão preto quanto os delineadores dos seguidores do electro e tão borrado quanto.

    A saturação de “aclamação geral” começa a causar rejeição em todos os níveis, não só no “caso electro”. E o que se vê pela frente é um período em que o cool vai predominar, em que a histeria geral vai calar, em que alguma coisa vai ser um pouco mais autêntica pelo que é, e não porque tem o megafone mais potente.

    22/01/2003

    CAÇULAS

    As filhas caçulas são as criaturas mais adimiráveis e encantadoras que existem. As três mulheres que mais adoro são caçulas e são caçulas distantes da irmã imediatamente mais velha.

    Essas caçulas têm um je ne sais quai em relação à vida que os irmãos adorariam ter. Vivem melhor do que eles, são destemidas, mais curiosas e muito mais divertidas _apesar de uma dessas caçulas discordar desse último. De certo modo, elas já nasceram certeiras e destemidas, como a conquistar ou minimizar a distância que as separa dos irmãos.

    A beleza também é um fator comum a elas: os pais esperaram mais, mas ganharam verdadeiros anjos.

    E, apesar disso tudo, são fortes. Fortes não, fortalezas que não se subjugam diante de intempéries, quaisquer que sejam. Elas são como são no matter what. Talvez seja esse caldo de doçura e self-empowerment o que mais me fascina nas filhas caçulas. Palavra de filho mais velho.

    21/01/2003

    A caretice é o maior tranca-rua da humanidade.

    21/01/2003

    BAIANOS HARDCORE

    É inacreditável a quantidade de vezes que se falou hoje que a bosta do Cidade de Deus PERDEU o Globo de Ouro. Perdeu, santa? Então vai procurar pra ver se acha, oras.

    A Folha Online até cometeu a estupidez de dizer que Fale com Ela TIROU o prêmio do filme da favela. Jesus! Chama a polícia, né? Manda prender esse safado do Almodóvar que ROUBOU o prêmio que já era NOSSO, de um país tão sofrido e miserável.

    Cambada de baianos.

    18/01/2003

    BOAS

    Drogas são tão legais que não deveriam ter esse nome. Deveriam se chamar Boas. Existem as boas da boa e as boas ruins. Os remédios são drogas, daí as drogarias. Quem toma droga é doente. E quem usa muita boa ou é viciado na boa, na boa, precisa de drogas. Os sãos só usam boas.

    14/01/2003

    Antes que me esqueça, o CD de Twoism é o único com frente e verso pretos que já vi.

    14/01/2003

    O PRIMEIRO DISCO DO ANO

    Ainda estou processando o óptemo 100th Window, do Massive Attack.

    13/01/2003

    POW!

    Jesus, me acuda! O vocalista do Charlie Brown Jr., aquela banda de velhos que se vestem de crianças, deu um tabefe num moleque em Santos.

    O motivo: o adolescente preferiu ouvir o disco do Rouge ao óóóóptemo disco da banda santista. O local: a seção de discos do supermercado Extra.

    O que mais me intriga é o lugar, não o motivo.