VIOLÊNCIA DA VIDA

Sinceramente não queria estar vivendo hoje, na Idade das Trevas. Melhor seria se tivesse a opção de escolher o cenário, as pessoas e as condições com que vivo, como em The Sims. Mas eu sou obrigado a ficar aqui, esperando um dia passar 24 horas depois do outro. Você não se sente aprisionado?

Não me foi dado nem a escolha do período histórico em que eu gostaria de estar consciente. E este começo do século 21 está se saindo bem chato. Eu quero robôs dos anos 60, os carros voando de Blade Runner, mas o que sobrou foi a mão pesada do Big Brother controlando a vida, a sua e a minha. E não há nenhuma inocência digital. Nunca houve; no máximo, uma exuberância irracional.

Quando haverá o novo Iluminismo? Por favor, seja rápido e faça florescer as artes e o homem. O ataque aos EU da A deveria funcionar como um marco nesse sentido, mas acelerou todas as formas de estupidez e irracionalismo nas esferas que deveriam, em tese, ser menos propensas a isso.

Whatever. Foda-se. A violência é tão natural quanto a virtude, mas muito mais eloqüente. Mais sufocante. E é irreversível _e irresistível, saborosa, sensual.

Eu só queria poder escolher uma vida, e não seguir a que me foi imposta. Tampouco me agrada sair dessa vida por vontade própria _isso seria a vitória “deles”. Mas cansei de brincar de anos 2000. Vamos pra 2010, 2020. O risco de ser pior do que é hoje é maior dop que o de ser melhor, mas ao menos é diferente. Mas nunca ir para o passado, porque deve ser constrangedor ter noção do que estaria por vir. E viver com vergonha do futuro é assassinar da esperança.

A Internet é a parte mais visível do mal que se tornou o mundo uno. É uma facilidade que esconde uma perversão infinitamente maior da qual não há como escapar, sempre estar-se-á (mesóclises são pretensiosas) sujeito à ela, não há ação que anule ou elimine isso. Não há escolhas.

Os futuristas deveriam voltar de suas tumbas para ver e sentir o mundo que elege a velocidade como prêmio máximo à condição humana. Velocidade é a violência que “une” o mundo, que se eletrocutará, unido, como se um planeta metálico e molhado produzisse poderosas descargas elétricas.

Tudo o que queria era ver isso de longe.

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