Archive for dezembro \30\UTC 2002

30/12/2002

MERCADO DE DISCOS

Se no Brasil o disco mais vendido de 2002 foi Rouge (1 milhão de cópias, segundo a própria gravadora; número pouquíssimo confiável), nos US foi The Eminem Show, com quase 8 milhões de cópias (número da Nielsen Soundscan, empresa que registra os discos vendidos ao consumidor na hora da compra; número muito mais confiável, por supuesto).

Mas no Brasil, apesar de uma gazeta paulistana ter afirmado hoje que o mercado de 2002 foi “triste”, o número de discos vendidos este ano foi 8,3% maior do que o de 2001 (de janeiro a setembro, calma lá). Ou seja, a indústria menos profissional e mais bagaceira do Brasil faturou mais este ano, apesar da “pirataria”. Em reais, é um faturamento de quase meio bilhão. E ainda falta o chamado “último quarto” do ano, período responsável por 30% da venda anual dos discos por aqui. Em 2001, foram vendidos 78,2 milhões de CDs, o que resultou num faturamento de R$ 998 milhões.

(Em 2001 os discos mais vendidos foram, nesta ordem, Roberto Carlos Acústico, Xuxa Só para Baixinhos 2 e Acústico ao Vivo (?!?), dos capiaus Bruno e Marrone.)

Nos Isteites, números de janeiro a novembro deste ano indicam queda de 9% em relação a 2001. 2002, aliás, foi, segundo The New York Times, o ano em que a música pop perdeu a popularidade: rap e country são os gêneros mais vendidos nos EUA _gêneros típicos do país, diga-se. Depois do álbum de Eminem _que este ano também foi ao cinema, detalhe importante quando se fala em vendas_, o disco mais vendido é das Dixie Chicks (uns 7,7 milhões de cópias de um disco lançado em novembro), um grupo de moças neo-caipiras de quem nunca ninguém aqui no Brasil ouviu falar (sinceramente, nem precisa mesmo). Assim como não ouviu o terceiro colocado, o rapper Nelly com seu Nellyville, que vendeu uns 4,8 milhões de cópias.

O fato é que, enquanto as vendas (parece que) crescem no Brasil, nos EUA, há queda. E os discos mais vendidos nos dois países simplesmente são completamente diferentes; boysband e bitch pop não fazem o mesmo sucesso de antes nos EUA, mas ainda fazem aqui. E não me venha com esse papo de que o Brasil privilegia a cultura nacional… É falta de sintonia com que acontece no resto do mundo mesmo.

30/12/2002

LOKÃO

Email que chega à minha caixa de entrada, por ocasião da efeméride de amanhã:

Dear,

2003

Love in your heart + Healthy mind and body = Peace on Earth

K.B.

Onde KB é Kodiak Bachine, haha. Sensacional.

29/12/2002

VACA LAS VEGAS

Só há uma palavra para o que Celine Hedionda fez com You Shook me All Night Long, do AC/DC: morte.

27/12/2002

MICHAEL E MANO

Michael Jackson atira MuçulMano Wladimir da janela para ver se quica.

O rei do pop (autoproclamado, sempre) a-do-rou o filho de Marisa Monte e disse que ficou encantado com o pai da criança que, de tão jovem, parece mais novo do que o filho. “Eu amo Marisa Monte, ela tem o equilíbrio de Liz Taylor, a beleza de Liza Minnelli e o cabelo de Diana Ross, que são pessoas que adimiro muito”, revelou o cantor, deixando cair um pedaço do nariz em cima da mesa.

O cantor sem cor sacudiu o bebê da janela da casa de Carlinhos Brownie no Candeal, em Salvador, durante uma visita ao que restou do Olodum, grupo que já tocou com o cantor em They Don’t Care About Us. O grupo baiano executou essa música durante a visita de Michael, que, emocionado, tacou MuçulMano Wladimir da janela do 12º andar do cafofo de Carlinhos Brownie.

“Oh, é tão divertido fazer isso. Eu amo as crianças, e elas adoram quando faço isso”, afirmou o pai de Prince e Paris. MuçulMano Wladimir, para surpresa dos fãs (dele e de Marisa) que se acotovelavam próximos a barracas de acarajé, quicou três vezes e caiu nos braços do pai, que é apenas o neto de um arquiteto famoso no país.

Depois do feito com a criança, Michael começou a gritar e a pedir paz entre os povos, não sem antes de catar o mesmo pedaço do nariz que viria a cair novamente durante a entrevista coletiva que concedeu mais tarde.

MuçulMano Wladimir não sofreu escoriações, mas a mãe e seus amigos de composições infantis já planejam um disco, um livro e um DVD sobre o episódio, todos com capa de cocô assinada por Vik Muniz. “Vamos aproveitar a ida do nosso Gil para o ministério e vamos faturar alto com nossos produtos”, disse um funcionário da Phonomotor que não quis se identificar _na verdade, ele não foi identificado porque usava turbante, dreadlocks, óculos escuros tipo surfista e uma barba bem desenhada.

Diante do sucesso do evento “MuçulMano que Quica”, Carla Perez foi vista entrando no prédio onde Michael estava, com o seu pug Ka Mille Victoria no colo. Até o fechamento desta edição, o astro de Men in Black 2 não havia sido quicado em Salvador.

27/12/2002

OU IEA

No turn back

Elevate your mind

Release your soul


Tiefschwarz

26/12/2002

I’m a street fighting man.

26/12/2002

Não seria uma boa capa para a trilha de Edifício Master?

23/12/2002

A FRASE

O barato é louco e o proceço é lento.

Frase de caminhão em São Paulo.

(Por dois segundos eu achei que o prosecco pudesse ter caído na boca do povo, hehe.)

23/12/2002

ROCK

Havia muuuuuuito tempo que não saía para ouvir rock. Sempre é divertido, mas sábado foi um pouco inusitado também. Durante Fight for Your Right (To Party), dos Beastie Boys, falei para uma amiga que seria óptemo se tocasse uma dos Buzzcocks. Bingo! A música *seguinte* foi Ever Falling in Love, sensacional. Umas cinco múiscas depois, acaba a luz do lugar, tudo escuro e silencioso, só uma lanterna que saía de onde estava o DJ, que dava à pista uma atmosfera de clipe do Pink Floyd. Legal, diferente, mas era hora de ir embora.

Mais rock na seqüência, em outro lugar, mais tosco, mais rock. E em um dado momento, a iluminação da pista falha novamente, mas dessa vez foi só a iluminação e apenas da pista. Outra lanterna se acende de onde está o DJ… Começa a ficar esquisito o troço. Bom, logo depois, era hora de ir embora mesmo.

E, na seqüência desse sábado raro, morre Joe Strummer de “causa desconhecida” (sempre é droga, né?).

Cara, acho que vou pasar mais um tempinho sem sair para ouvir rock, beleza?

21/12/2002

SHIATSU

Depois de passar alguns minutos relaxadíssimo ouvindo coisas do tipo ansiedade da rua, descanso dos olhos e meridiano do corpo, DJ-Kicks, de Kruder & Dorfmeister, fica mais suave ainda.

21/12/2002

DAMA DE COMPANHIA

Passar uns dias acordando com Aretha Franklin é balsâmico, mesmo sem ter dormido com ela. Rock Steady é a música.

19/12/2002

QUASE

O disco Party Mix Volume 1, do Playgroup, é uma sucessão de coitus interruptus de quase uma hora.

19/12/2002

COMEMORAÇÃO

Marisa Monte manda avisar que agradece ao Hamas pelos 7 atentados suicidas em comemoração ao nascimento do seu filho, MuçulMano Wladimir. Porque muçulmano qualquer um pode ser, mas MuçulMano Wladimir só tem um.

Aliás, só falta a Mara Maravilha ter um filha e batizá-la de EvaAngélica Roseli.

17/12/2002

BAIANA ERRADA

Só um filho de chocadeira pode se chamar Mano Wladimir. Aliás, esse nome é perfeito pra filha da Carla Perez, rararara.

17/12/2002

A FRASE

Eu não tenho uma poupança que me permita passar quatro anos vivendo com R$ 8 mil

Gilberto Gil, o baiano.

Ô, dó. Imagine passar quatro anos ganhando a miséria de 8 paus por mês… É muito difícil, gente. Não dá pra sustentar aquela vaca de divinas tetas da Preta Gil e a não menos bahia-bitch Flora Gil. Ganha-se muito mais fazendo cover de Bob Marley com arranjos de churrascaria, claro.

Se eu fosse o Gilberto Gil (toc, toc, toc), também não aceitaria essa esmola. (E o Brasil agradeceria de joelhos, porque aquela Flora Gil não é baiana que se cheire _eca!)

17/12/2002

MELLOW MUSIC

Quando percebi, já tinha adquirido o mediano Gran Riserva, novo do dZihan & Kamien (reparou que a capa tem o mesmo fundo do do palco da chopperia do Sesc Pompéia?); Colorful You, disco de estréia de Miguel Migs, de cuja apresentação gostei bastante em Benicàssim; Bienvenida, também estréia do francês Alexkid, que misteriosamente sai no Brasil; e uma das maiores obras-primas dos anos 90, Boulevard, do St. Germain (ou Ludovic Navarre, o homem), excelente disco de 1995 _que sai agora no país_, uma das maiores lacunas das Minhas Prateleiras, agora já sanada.

Para fechar a sessão chill-out involuntária, o ecletíssimo Back to Mine, do Orbital (de Jethro Tull a John Barry; de PJ Harvey a Plaid), com uma inédita da dupla.

Agora me diga com sinceridade: Isso significa que os 30 estão chegando?

17/12/2002

PRETO PROFUNDO

Por falar em trevas, nada mais apropriado do que uma dupla chamada Tiefschwarz e seu disco Ral 9005, um dos 10 melhores deste ano que me esqueci de incluir na lista e foda-se.

E o disco não tem nada de trevas, só para esclarecer…

17/12/2002

Trevas, baby, trevas…

12/12/2002

O LIDE DO ANO

Noé era feliz e não sabia. Como teria vivido na Terra, há 4.500 anos, pegou só 40 dias e 40 noites de chuva torrencial. Se tivesse nascido em Marte, há 3,8 bilhões de anos, teria enfrentado um dilúvio com duração de uma década.

Pode parecer uma verdadeira catástrofe do ponto de vista de um suposto Noé marciano, mas talvez tenha sido o episódio que deu à vida uma oportunidade mínima no planeta vermelho. É o que sugerem pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder e do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, ambos nos EUA.

Sen-sa-cio-nal! Rarararararara. Deusdocéu, que absurdo hilário! A matéria é “Chuva de meteoros causou dilúvio que inundou Marte, diz pesquisa”.

Se você não se informa, pelo menos se divirta com jornal.

12/12/2002

VIOLÊNCIA DA VIDA

Sinceramente não queria estar vivendo hoje, na Idade das Trevas. Melhor seria se tivesse a opção de escolher o cenário, as pessoas e as condições com que vivo, como em The Sims. Mas eu sou obrigado a ficar aqui, esperando um dia passar 24 horas depois do outro. Você não se sente aprisionado?

Não me foi dado nem a escolha do período histórico em que eu gostaria de estar consciente. E este começo do século 21 está se saindo bem chato. Eu quero robôs dos anos 60, os carros voando de Blade Runner, mas o que sobrou foi a mão pesada do Big Brother controlando a vida, a sua e a minha. E não há nenhuma inocência digital. Nunca houve; no máximo, uma exuberância irracional.

Quando haverá o novo Iluminismo? Por favor, seja rápido e faça florescer as artes e o homem. O ataque aos EU da A deveria funcionar como um marco nesse sentido, mas acelerou todas as formas de estupidez e irracionalismo nas esferas que deveriam, em tese, ser menos propensas a isso.

Whatever. Foda-se. A violência é tão natural quanto a virtude, mas muito mais eloqüente. Mais sufocante. E é irreversível _e irresistível, saborosa, sensual.

Eu só queria poder escolher uma vida, e não seguir a que me foi imposta. Tampouco me agrada sair dessa vida por vontade própria _isso seria a vitória “deles”. Mas cansei de brincar de anos 2000. Vamos pra 2010, 2020. O risco de ser pior do que é hoje é maior dop que o de ser melhor, mas ao menos é diferente. Mas nunca ir para o passado, porque deve ser constrangedor ter noção do que estaria por vir. E viver com vergonha do futuro é assassinar da esperança.

A Internet é a parte mais visível do mal que se tornou o mundo uno. É uma facilidade que esconde uma perversão infinitamente maior da qual não há como escapar, sempre estar-se-á (mesóclises são pretensiosas) sujeito à ela, não há ação que anule ou elimine isso. Não há escolhas.

Os futuristas deveriam voltar de suas tumbas para ver e sentir o mundo que elege a velocidade como prêmio máximo à condição humana. Velocidade é a violência que “une” o mundo, que se eletrocutará, unido, como se um planeta metálico e molhado produzisse poderosas descargas elétricas.

Tudo o que queria era ver isso de longe.

11/12/2002

DIDI

_Papai, eu quero me casar

_Ô, minha filha, você diga com quem

_Eu quero me casar com Marlon Brando

_Com Marlon Brando ôce não casa bem

_Por que, papai?

_O Marlon Brando mantegô Maria Schneida e depois vai mantegá ocê também.

10/12/2002

SUB DO SUB

A importância e representatividade de um prêmio cultural como o dado pela APCA são equivalentes à dos concursos de fantasia do hotel Glória no Carnaval. Pelo menos o número e o nível dos jurados são os mesmos hahahaha.

10/12/2002

Roberto Marinho é a prova de que existe vida após a morte.

09/12/2002

BENEFICENTE PRA QUEM?

Vejo com horror o anúncio de um show a ser exibido no Multishow. Diz lá que os artistas vão cantar para ajudar a ilha de Montserrat, que *sempre* está recebendo ajuda de gente esquisitíssima e ninguém sabe o motivo (nem vou procurar saber, claro).

Mas, enfim, o show em questão tem as seguintes “atrações” (que considero repulsões): Paul McCartney, Elton John, Mark Knopfler, Eric Clapton, Phil Collins e, para coroar o elenco, Sting.

Como pode? A nata da chatice pop reunida num só palco! Disparem esses caras em algum prédio no Iraque (ok, os discípulos de Saddam podem alegar que foi um ataque cultural, haha). E esse show ainda é em prol de alguma coisa! Mais uma prova da minha tese de que nada beneficente presta, nunca é demais lembrar.

No Brasil, imagine que alguém tenha uma idéia semelhante para ajudar os índios Kuruteca do Alto Xingu (é mister um lugar longínquo e que os “ajudados” sejam um misto de politicamente corretos, históricos e bonzinhos). O cast de tal apresentação seria: Zeca Baleiro, Paulinho Moska, Chico César, Júpiter Maçã e, para coroar o elenco, Otto.

O horror, o horror.

05/12/2002

MEDA

No dia seguinte à hecatombe na empresa, vejo o Biafra entrando no prédio. O Biafra!!

Que tipo de sinal isso pode ser?

05/12/2002

DO BAÚ

O bom de ter discos é ouvi-los um bom tempo depois de tê-lo feito pela última vez. O revival da semana é Live at Social Volume 2, de Monkey Mafia, de 1996. Ragga’n’beats narcóticos.

Aliás, o Social deve ter sido a melhor domingueira (odeio esse nome) de todos os tempos.

05/12/2002

ENOUGH IS ENOUGH

É impressionante como ainda se lançam discos de Jimi Hendrix. Haja efeméride com datas redondas: ora é a de nascimento, ora a da morte, ou do primeiro show, ou do último show, ou do show “histórico” em no Filmore Festival ou no não menos “histórico” naquela porra da Isle of Wight _sim, *todos* os shows do maior-guitarrista-do-mundo são históricos…

Isso é apenas uma parte dos discos póstumos. A outra é formada por fitas reveladas pela irmã, pelo pai, encontradas em estúdios, achadas com a empregada do primo, versões demo (essas são as melhores porque são as mais imprestáveis) guardadas no sótão do vizinho do sobrinho do cunhado do primo de Hendrix.

Até quando, minha gente?

04/12/2002

Só digo uma coisa: é hoje o dia da alegria.

04/12/2002

ERA SÓ QUE FALTAVA

Eu acho uma graça dessas “bailarinas” do Tchan recentemente “surpreendidas”. Posam peladas umas 87 vezes, mostram todas as pregas que possuem e depois dizem que são vítimas de sites pornôs americanos…

Vítimas é óptemo!

03/12/2002

AS QUATRO ESTAÇÕES

Os dois estavam prestes a vivenciar o momento que deveria ser o mais aguardado da vida deles. Os irmãos Bernard e Donna Summer finalmenete estavam prestes a se abraçar pela primeira vez em 25 anos. Os Summers viviam em Springfield até serem abandonados pelo pai, Michael Winterbottom, que saiu de casa para ver um show do The Fall e nunca mais voltou. A mãe morrera no parto de Bernard, o mais novo.

Primeiro chegou Donna Summer, linda, com lábios encarnados cintilantes e cabelos negros escovados. Com um vestido vermelho esvoaçante, a diva disco (termo que odeia) sentou-se no sofá do luxuoso hotel The Pierre, ao lado do Central Park, em Nova York. “Estava por aqui mesmo, então vim logo, estou louca para dar uma ‘new order’ na minha vida”, disse Donna se divertindo com a importância da ocasião com um cigarro aceso.

O loiro Bernard veio de Londres e já no avião sinalizava como poderia ser o encontro: “OK, eu não sei o que eu tenho que fazer em NY… Reencontrar a minha irmã me parece um tanto ridículo nesta altura da vida”.

“Papai não quis saber da gente. Por que serei eu que vou me importar agora?”. Bernard estava um tanto irascível.

The Pierre preparara o lobby para a ocasião. Para começar, um globo de espelhos no teto, no lugar do lustre de cristais de Murano. As recepcionistas e os mensageiros estavam vestidos como se fossem à uma disco. O gerente estava de preto. Os sofás eram geométricos, coloridos, no lugar dos de estilo neoclássico, de madeira e veludo verde. O clima era de festa. O fato de Donna morar em NY pesou no bairrismo da decoração.

Bernard!”, gritou Donna ao avistá-lo saindo da limo na Quinta Avenida. Bernard acenou suavemente.

Os dois se abraçaram. Os Summers estavam finalmente reunidos desde os 70. Flashes.

“Olá, Donna, como vai. Você ainda sai com aquele italiano?”, tascou Bernard de cara. “Oh, Giorgio? Faz milênios que não o vejo, dear”. Giorgio Moroder esteve ligado aos dois (mas bem mais a ela) em épocas próximas.

“Sorte sua. Achei que você ainda estaria ainda ‘feeling love, feeling love'”, disse Bernard. A família era dada a gracinhas do tipo… “E você? Sorte a sua de não estar mais com aquele Ian, ô, sujeito mal-enacarado”, rebateu Donna. Ian Curtis, diferentemente de Giorgio, cometera suicídio em maio de 1980, num momento bastante delicado da vida de Bernard.

“Mas, pelo menos, dear, você se tornou um band leader; estar à frente no palco é o máximo, haha”. Donna estava bastante espirituosa e não captou nada à sua volta.

“OK, bom vê-la novamente. Mas eu tenho que promover o meu Back to Mine e preciso ir. Você está igualzinha”, disse Bernard. Donna ficou arrasada. Viu o seu irmão distante ir embora e ficar cada vez mais distante rumo à porta.

Como se desabasse de decepção, ela sentou no chão em meio aos convidados com o globo de espelhos a girar sobre ela, refeltindo o sol das 14h do verão nova-iorquino. “Você, seu cachorro! Você está fodido!”, berrava Donna com o seu agente que arranjou o encontro para alavancar a sua decadente carreira. “C-c-calma, Donna, nem tudo está perdido. Ainda há Summers pelo mundo, não se preocupe. Olha aqui…. no Brasil, isso mesmo, no Brasil, temos um primo seu, muito mais crível do que esse loirinho azedo aí”, disse o agente.

“Você vai morrer! Quem se interessa por um parente no Brasil, canalha?” O agente se esforçava para convencê-la de que o primo era famossíssimo no país de Ronaldo, mas ela estava sem esperanças e bastante nervosa. “Quem? Vera Verão? Que primo é esse? Olha… saia já daqui, seu cretino!”

E o The Pierre quer esquecer que um dia houve o verão dos Summers.