MOLEQUE CRETINO FILHO DA PUTA

Pela frieza dos números, Eminem é um moleque. The Eminem Show ocupa a quinta posição no curioso ranking dos álbuns mais vendidos na primira semana do lançamento nos EUA, com 1,32 milhão de cópias _mesmo sendo pirateado à exaustão pelo menos duas semanas antes do lançamento, antecipado em duas semanas por causa disso.

As primeiras quatro posições são ocupadas por ‘N Sync (1° e 2° lugares), o próprio Eminem novamente (The Marshall Mathers LP) e Backstreet Boys. Estão empatados na quinta posição Marshall Mathers com o disco novo e Britney Spears (1,31 milhão de cópias de Oops!… I Did It Again em junho de 2000).

Caralho, os discos mais vendidos em menos tempo nos EUA desde 1991 são álbum feitos por e para crianças. Enquanto ‘N Sync, Backstreet Boys e Britney Spears fazem parte da coleção de discos de meninas bonitinhas, certinhas e bobinhas, Eminem está na prateleira de Cartman, dos moleques da última fila da sala de aula, dos revoltadinhos que gostam de palavrão pelo simples fato de ser “proibido”.

Mas Eminem é o mais velho dessa turma de best sellers, com 29 anos _apesar de dizer que Moby é “velho” aos 36. Um cara dessa idade acha legal falar palavrão e se vangloriar de dizer todos eles com todas as letras. Algo está errado. Ou podre.

OK, os EUA são o país ideal para florescer esse tipo de aberração artística. Um lugar onde quase tudo é proibido em nome do politicamente aceitável faz com que um motherfucker soe tão violento quanto um avião derrubando um prédio alto. Mas Eminem não é inteligente o suficiente para ver isso. Ao contrário, ele reforça esse aspecto e se torna a vítima que todos querem ouvir _ele deve ter algo a dizer…

Mas não tem. Ele é um dos melhores rappers que já existiu por lá. Mas é bobo. Dizer “foda-se” para a mulher do vice-presidente dos EUA e fucking bitch a cada frase é cretino e não tem nenhum traço de transgressão ou rebeldia.

É o império da cretinice, onde há os cretinos obedientes e os cretinos Eminem. Antes de compor as músicas, Marshall deve sentar com o seu amiguinho e excelente produtor Dr. Dre e listar uma série de episódios e pessoas que serão malditas no disco. “Hmm… Ms. Cheney, sai Fred Durst e entra Moby, Tipper Gore, MTV, negros, tekno, misoginia em geral, “hipocrisia” branca, minha mãe e “Bush administration” etc. etc. para chocar os americanos. Sadam Hussein, Bin Laden e terroristas para engrossar o coro da classe média local, ok?” Done! “E que tal eu me colocar no lugar dos ouvintes, dizer que eu poderia ser o Eric (digamos, Maurício em inglês) e que Erica (er, Patrícia, em inglês) gosta do que faço?” Ótimo! Diga também que se, você fosse negro, não venderia metade. Uau, quanta verdade jogada na cara da White America, não?

Sono, muito sono… Para dormir de vez, Superman e a relação do rapper com uma puta sendo discutida…Talvez essa rebeldia infanto-juvenil seja monótona mesmo, daí os tiros em escolas de ensino médio por lá. Eminem se torna repetitivo no seu terceiro álbum, mas ninguém não está nem aí. Mais: ele está em crise. Marshall Mathers, Slim Shady e Eminem parecem não se encaixar mais tão perfeitamente quanto antes na mesma pessoa. Ele é engolido pelo próprio ego. Sayin’ Goodbye to Hollywood é sintomática nesse sentido.

Mas o que interessa mesmo, seu filho da puta do caralho, é ouvir Without Me (com homenagem a Malcolm McLaren, no trecho de Buffalo Gals, e Batman), Business, Soldier e Hailie’s Song, esta última uma bosta, mas interessante porque é a primeira música em que Eminem não esculhamba uma mulher, no caso, sua filha de dois anos, hahaha.

Sing for the Moment é tão constrangedora quanto chata por praticamente copiar Dream On, do Aerosmith. Coisa de moleque.

Moleque que acha que canta a “realidade”, mas não passa de um fantoche dela; moleque que tenta fazer um show controvertido e polêmico, mas não passa de um palhaço melancólico num stand-up comedy que a capa do disco sugere; moleque cujos argumentos estão somente nos palavrões e xingamentos; moleque que não consegue vender mais do que o ‘N Sync.

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