Archive for janeiro \31\UTC 2002

31/01/2002

ELEMENTAR

Você sabe o seu saldo do FGTS? Você sabe o número da sua Carteira de Trabalho? Você já entrou no site da Caixa Econômica Federal?

Então você foi demitido.

31/01/2002

CAMISINHA DE DENTE

Tive uma idéia. Como ainda não inventaram a camisinha de dente? Nunca mais iria fazer nenhuma obturação maldita.

Esse produto seria fino e resistente como um preservativo _a sensibilidade seria mantida_, mas mais transparente e absolutamente aderente à arcada dentária. Seria colocado antes das refeições e jogado fora logo depois. Não haveria milho que ficasse entre os dentes, não haveria carninha gostosa que se infiltrasse em obturações pré-existentes. Para garantir, escovar-se-ia os dentes e seria usado o fio dental depois das refeições, a título de prevenção apenas.

E poderia ter o mesmo slogan de uma camisinha: Comeu, tirou.

30/01/2002

A FRASE

If you can remember everything about the ’60s, you weren’t really there

Marianne Faithfull, a diva.

30/01/2002

STILL ALIVE, DUDE?

Segundo a Mixmag (um lixo de revista; a Muzik não fica atrás), o clubber inglês médio toma ecstasy há quatro anos e oito meses e o consome numa frequência de 4,12 comprimidos ao mês. Fuma cigarro há dez anos e consome maconha há oito à razão de um baseado a cada dois dias.

E esse cara ainda está vivo e trabalha?

30/01/2002

A FRASE

A Ellus tem 30 anos de jeans, e eu, de idade. É uma combinação ideologicamente perfeita. Somos jovens, forever young.

Fernanda Iângui, a retardada.

30/01/2002

JORNAL

Ô, custava colocar a url certa, filha? Assim não dá!

30/01/2002

TOURO SENTADO

Clebber, o Clubber é um revolucionário. Voltou de Londres cheio de idéias. Está organizando um “protesto” a ser realizado em clubes de SP. “Quero mostrar que o hedonismo reinante nos anos 90 (ele chama de náintis) já não faz mais sentido”, diz Clebber, o Clubber, doravante chamado pelos amigos de Clebber, o Crazy.

É uma manifestação “válida”, como ele diz. “Vou reunir pesosas que pensam como eu, entrar nos clubes e vamos cruzar os braços e nos sentar na pista de dança. Isso é uma forma válida de protesto”, afirma Clebber, o Clubber.

Mas, por cristo, protestar contra o quê? “Contra tudo. Nos anos 2000 (ele fala tchu táuzands), o ser humano vai se voltar para os outros numa resposta à decada passada. Pela conscientização clubber!”

OK, then.

30/01/2002

MALANDRAGEM

Bandido bota banca em entrevista coletiva e exige: “Marginal não, sou criminoso, doutor”.

Sensacional.

30/01/2002

DOWNWARD SPIRAL

Começar o dia de mau humor, ouvir Nick Cave e ter a TV atrás de mim ligada nessa BOSTA desse programa de gente bagaceira e imbecil trancada numa casa é de foder.

Eu sei que não deveria ter ouvido o Mr. Nick

30/01/2002

BOM TUNE

Existe coisa mais ridícula do que DJs que tocam bem, mas que resolveram apresentar programas no rádio e dizem que “Vocês acabaram de ouvir mais uma tune do Breakbeat Era“?

Ouvir uma tune num dá.

30/01/2002

MORTE

Todos esses trabalhadores honestos e filhos da puta que instalam um megafone de péssima qualidade nessas kombis idem deveriam ser mortos empalados com as porras das frutas que vendem. Seria lindo ver essas pessoas simples, analfabetas, que vêm de longe, ganham pouco, mas fazem um barulho insano, selvagem e brutal na minha janela, morrerem entaladas com melancias, uvas e laranjas enfiadas no cu.

Mas vivemos todos num páis miserável, então devemos nos acostumar com essa selvageria e nos resignar: “é o ganha-pão desses coitados. OK, podem continuar vendendo uvas e melanacias durante mais de uma hora com um megafone histérico em bairros de classe média. Com direito a música de Ivete Sangalo para ‘atrair’ a freguesia. É melhor do que sequestrar”…

Eu amo este país.

29/01/2002

MOTTO

Big Brother: caguei.

29/01/2002

60 MINUTOS

Chemical Brothers durante uma hora psicodélica. Dukarai.

29/01/2002

NOMES

Nomes que não fazem o menor sentido:

Pé-direito: ó, senhor, por que isso tem esse nome? Qual a relação entre o pé (e o direito!) e a altura entre o chão e o teto? A altura entre o subsolo e o térreo deveria se chamar pé-esquerdo.

Macaco de carro: Nos US isso seria politicamente icorreto, sujeito a pena de prisão. Um animal selvagem com funções “desumanas”. Um bicho em extinção (todos estão, o macaco também está) fazendo força para levantar o carro cujo pneu furou. Que idéia…

Macho-e-fêmea: Deve ter sido inventado por algum eletricista tarado. E ainda colocou o tal benjamin (macho, claro) entre eles pra causar um curto-circuito.

Meio-fio: Onde estaria o fio por completo? E que fio é esse? Deve ser coisa de português.

29/01/2002

WARPED

Brothomstates é meio assim… Nem tão lá nem tão cá. Claro. O cérebro já sentiu isso antes.

29/01/2002

THAT’S WHAT PRESS IS FOR

A melhor coisa da imprensa, principalmente dos jornais, são os erros involuntários que resultam engraçadíssimos. Por exemplo, hoje ocorreu um que há muito não via. Numa matéria sobre a não aceitação de cartões de débito pelos supermercados, a repórter foi ouvir as adiministradoras de cartão, como uma boa repórter. Aí publicou: “As adiministradoras ouvidas pelo jornal não se pronunciaram”. Sensacional!!!!!!!

Outros exemplos que me lembro de cabeça: o repórter escreveu uma notícia sobre um acidente de ônibus no interior do Estado que ocorrera durante a noite anterior e em que todos os passageiros haviam morrido. Um trecho sobre os passageiros dizia: “Quando acordaram, estavam todos mortos”, hehehehe.

Outro, na mesma linha, era sobre um boxeador que morrera durante uma luta: “O boxeador Fulano de Tal foi atingido pelo seu adversário, perdeu a consciência e não a recuperou mais”, rararararararara.

Se não é pra isso, pra que serve a imprensa?

29/01/2002

DÁ UM TEMPO

Quem, por cristo, precisa de 16 volumes de coletâneas de chill-out que levam o nome de algum bar? Isso era pra ser cool?!

Acho que vou vomitar.

28/01/2002

GIRA-GIRA

O que David Bowie, Mariah Carey e Maria Bethânia têm em comum? Estão sem gravadora. E isso vai se tornar uma norma para a indústria fonográfica: não vende, não nos interessa. O que é bom. A despeito de Bowie e Mariah serem da mesma EMI, cuja nova direção, desde dezembro, prima pelo lucro muito mais do que a anterior, essa vai ser uma regra para o mercado em geral, além de contratos de curta duração.

Depois da queda de 5% nos negócios de discos em 2001, quem não vende está fora. Em compensação, quem vende muito, vai vender mais ainda, porque todos os esforços estarão concentrados nesse tipo de estrela (Britney Spears, Eminem etc.)

As gravadoras se tornarão meras distribuidoras de artistas médios e grandes agentes e detentores dos direitos de super-estrelas. Um papel de ótimo tamanho para a capacidade artística de seus executivos.

E os artistas serão mais frilas, terão mais gravadoras próprias, lançarão mais músicas apenas pelo site oficial. E o que o visionário Chuck D disse em 1998/9 (“em 2003, quem vender mais de 700 cópias será minoria”) começa a se tornar verdade _nem tão cedo e nem tão pouco, mas a idéia é essa.

28/01/2002

PERIGO

Ninguém é obrigado a ler nem a escrever, e muitos jogadores de respeito foram batizados com nomes de ídolos pop. Roberto Carlos é o mais conhecido. Também há o baiano do Vitória, Alan Delon, que desgraça.

Mas eu vi em algum lugar que existe um jogador de futebol chamado Will Robinson! Will Robinson?! Por que alguém faz isso com o próprio filho?

28/01/2002

DOUTORES DO GELO RAPPER

Dr. Dre

Dr. Octagon

Dr. Ease

Ice-T

Ice Cube

Vanilla Ice

Fica aí um tema pra pensar, hehe.

26/01/2002

CRASH

Eram 15h30 de alguma sexta-feira de outubro de 1998. Saiu de casa pensando no que faria naquela página de discos em que teria que fazer o abre. E a noite seria longa. Saco.

Foi para o trabalho ouvindo Fantasma, de Cornelius, o tal disco do abre. Passou por uma esquina. Ups, quase que o carro que vinha da esquerda o acertou.

Na esquina seguinte, um outro carro de fato não parou. CRASH. Ele estava ouvindo a quarta música do disco quando ele teve a impressão de ter escutado o verde da Caravan 79 entrando no seu corpo. CRASH. Foi atingido em cheio.

Havia um caminhão estacionado na esquina, de modo que ele não vira que um carro cruzaria pela esquerda nem o motorista dessa Caravan verde 79 viu que ele estava a 60 por hora _na preferencial.

Com o impacto, o carro do cara rodou 180°, ficou na “contramão” com os três pneus sobre a calçada _o quarto ficou preso na boca de lobo, que fazia com que a calçada fosse mais alta nesse ponto. Por menos de um metro o seu Uno prata não entrou numa vitrine (vidro) lotada de objetos de decoração (vidros). Seus óculos escuros estavam do outro lado da rua. O disco no chão. A porta muito próxima. O banco do motorista junto do do passageiro. CRASH.

Em menos de um segundo ele não estava mais indo ao trabalho, o tempo havia parado, ele estava na contramão na rua de onde estava indo na direção oposta havia menos de um segundo. Havia duas hipóteses até ele realizar o que tinha de fato acontecido: um avião caíra na sua cabeça ou o asfalto explodira. CRASH. Nada fazia sentido. Ele não viu o que acontecera.

A primeira coisa que ele viu quando os olhos se abriram enquanto ele gritava dentro do carro _foi o maior susto da vida dele até hoje_ foi um senhor e um adolescente saírem pelo vidro da frente da Caravan verde 79 que estava tombada no meio do cruzamento.

Que porra era aquela? De onde vinham aquela dor no peito e aquela falta de ar? O que estava acontecendo? Ele havia batido o carro. Perda total. Nenhum arranhão.

Começou a juntar gente; ele estava tremendo, assustado e com falta de ar. Não é uma situação confortável. Ele precisava de alguém, da namorada, da mãe, do tio de algum conhecido. Tudo menos aquelas pessoas que perguntavam se estava bem, como aconteceu e oferecia água. Responder como tinha sido àquelas pessoas naquele estado não ajudou nada.

O motorista da Caravan verde 79 era um feirante. Salsinha, alface, cenoura e outros vegetais lotavam o porta-malas. Ele era o filho da puta do culpado. Mas era um feirante imbecil que não tinha onde cair morto. Um pobre coitado por muito pouco não o matou. Era muita sacanagem. Ele não teve coragem de argumentar mais de duas frases. O feirante estava tão assustado quanto ele. E ainda trazia consigo o filho que o ajudava na feira. A Caravan verde 79 era o seu principal meio de sobrevivência. O Uno prata era do pai.

Por coincidência, uma policial militar à paisana estava passando pelo local. Falou com ele, perguntou o que acontecera (ele já havia ligado para a namorada e para o chefe explicando tudo, mas com a policial era a explicação definitiva, aquela que iria acabar com o que estava acontecendo). Ela chamou uma kombi da CET, deu as instruções que deveriam ser dadas, resolveu a situação com o celular dela.

A Caravan verde 79, obviamente sem seguro, foi retirada do meio do cruzamento e colocada na esquina oposta de onde estava o caminhão que cegara os motoristas _lugar onde ficou por mais três meses até ser incendiada e levada para o ferro-velho. O Uno ficou onde estava à espera do guincho. As pessoas começaram a se dispersar. A kombi da CET levaria os envolvidos primeiro para o PS da Barra Funda (pesadelo sem fim) para ver que dor era aquela que ele sentia no peito e depois para a delegacia para o B.O.

Antes de se despedir, ela deixou o seu nome num papel. Ele ficara agradecido pela gentileza da policial. Ela deve ter ficado algo mais. Abaixo do nome dela, havia o telefone e o seu endereço se houvesse alguma “eventualidade”. “Moro aqui perto”, disse ela. Ele não entendeu nada, ela não precisava fornecer aqueles “dados”.

Uoou. A policial estava a fim depois de um acidente de carro. O que deveria ser um dia com bastante trabalho como qualquer sexta, foi o dia mais David Cronemberg da vida dele. O dia em que houve o maior susto. CRASH.

26/01/2002

MAKING OF DE UM POST

Estava tentando fazer um making of de um post, mas é muito difícil. Um post por trás das câmeras. Isso tem de ser possível. Um making of de um livro iria se chamar Rascunho? Er…

Talvez um making of de posts (não um só) seja mesmo o blog. Essas coisas que ficam escritas não são perenes. Eu mudo direto, acho que ninguém vê. A idéia de texto fluido é legal. Texto mutante e líquido.

Então um making of de um post não faz sentido. Só existe making of daquilo que fica. Daquilo que muda não existe o antes, só o durante.

26/01/2002

PESADELOS

E se nada fosse real? Se tudo fosse um sonho do qual não se pode acordar jamais? Você não existe. Eu acho que existo. Quais elementos me fazem existir de fato? Essa bomba potente que funciona no peito é movida a quê? Ela vai parar.

Essa sincronia é muito estranha. O sol nasce todos os dias, o coração bate umas 70 vezes todos os minutos, todo ano tem 12 meses. A existência é uma bomba que ticks infinitamente. A vida é caos.

Ficar livre do que mesmo? No more illusions.

24/01/2002

SHERLOCK

Vamo procurá direitinho que essa moça cantora aí tinha tóchico no corpo. Até a Veja falou que ela tinha e botou até na capa, então tem de ter muita droga, vamo procurá.

24/01/2002

COOL

24/01/2002

MÃOS À OBRA

Mulheres, podem ir à luta.

Ei, isso não faz baby-liz!

24/01/2002

MAL POSSO ESPERAR

Leio com atenção nota de uma gravadora que diz que o disco novo de Babi (ela canta nesse disco) está “cheio de suingue”.

No further comments.

24/01/2002

ALÍVIO

O melhor de eu não estar inspirado e ter levado os discos errados é saber que alguém com mais bom gosto toca na mesma noite.

24/01/2002

FELIZ ANO NOVO

2001 deve ter sido um ano de merda pra quase todo mundo mesmo. 2002 é o primeiro ano em que as pessoas continuam a desejar um feliz ano novo no dia 24 de janeiro. Acho que desde o dia 1º recebo um “feliz ano novo” por dia.

Bom, feliz ano novo pra você também. (Tô bonzinho hoje.)

23/01/2002

ELE VOLTOU

Sem avisar nada a ninguém, o inestimável Clebber, o Clubber está de volta depois de uma temporada em Londres. “Onde mais eu iria pode me reciclar?”, pergunta Clebber, o Clubber, animadíssimo.

E já chega destruindo antigos ídolos, como a emergente Erika Patolino. “Realmente ela decaiu bastante, não sei como pude levar a sério aquilo tudo, esse negócio de ‘hype, tudo, bi’, ‘se joga’. Em Londres eu senti isso, sabe? Aquilo que ela faz é muito de retardada”, afirma Clebber, o Clubber sem meias palavras.

Clebber, o Clubber está mais cool, mas não abandonou “a noite”. As roupas ficaram mais discretas, mas “manteve-se a originalidade”, garante ele. “Estou numa fase de festa na casa de amigos, um lance style”. Style é a nova palavra do (mini)dicionário de Clebber, o Clubber. Tudo é style. Quer dizer, quase tudo. Algumas coisas são “trendy” (ele quase não se contém quando pronuncia essa palavra). “Trendy é tudo, muito legal. É mais do que hype e fashion juntos.”

Clebber, o Clubber deixou o seu emprego de office-boy, juntou todas as suas economias e passou quase 4 meses na capital britânica vivendo de bicos. “Aprendi a dar mais valor à vida, a respeitar o diferente”, disse o moço, que parece que absorveu muito mais do que fog londrino em sua estada (uh, subtexto, subtexto!).

“Agora quero viver 2002. Porque tudo vai ser diferente”. Na bagagem, discos novos para animar as reuniões na casa de amigos, muitos Café del Mar, Thievery Corporation…. “Mas continuo fiel ao meu Prodigy, que parece vai voltar mesmo. Prepare-se.” Esse é Clebber, o Clubber.