Archive for setembro \28\UTC 2001

28/09/2001

DOVE

Onde está Quentin Tarantino?

28/09/2001

PHOTEK & SEVERINA

Photek na cabeça. O lugar ideal para ele estar _mesmo em streaming_ numa sexta.

Ou SEX, como diz o meu celular.

Aliás, Photek é bem a palavra que a Severina ia acertar falar com propriedade. Ela trabalhou lá em casa e… digamos que ela não tinha a melhor das prosódias… Por exemplo ela chamava Vidrex de Vidrek; pirex de pirek; durex de durek.

Aê, Severa (ela não tem blog; no links so far), se joga no Solaris, fia.

28/09/2001

NEWS

Coisas legais do trampo novo:

– O prédio treme. Literalmente

– O telefone tem visor

– A mesa é só minha

– Boas caixas de som

– Gavetas próprias e novas

– Boa cadeira

– Ampla oferta de restaurantes na região

– Horário de entrada

– Silêncio

– Pessoas divertidas (some)

– Webmasters que funcionam (e jantam, hehe)

Chega, que depois eu vou rever esses itens.

O chato:

– O que é aquele estacionamento-catacumba com mão inglesa e vaga de sardinha enlatada???

28/09/2001

QUESTÃ

A minha maior preocupação neste momento tão fundamental para a humanidade é:

Dá pra ver Macy Gray *e* Fatboy Slim?

28/09/2001

IDIOSSINCRASIA

Chamar computador de máquina é o mesmo que chamar ônibus de carro.

28/09/2001

MISTÉRIOS

“The Tijuana sessions vol 1” acaba de sair lá fora pela Palm Records

Como assim, “acaba de sair”? O disco foi lançado no começo do ano!

Mas olha isto, que interessante. Trecho do que saiu na Folha sobre o Nortec em maio passado:

À primeira vista, Nortec pode parecer uma mera mistura de batidas díspares de resultados duvidosos. “The Tijuana Sessions Vol. 1” transmite segurança e uma música (ou várias) que soa absolutamente original (…) O disco começa com “Polaris”, de Bostich (Ramon Amezcua), a música marco zero do Nortec, gênero e grupo. Seca, direta, com repenicados percussivos e ares sombrios provocados por uma tuba, apesar de um latente clima de festa, que revolve a latinidade eletrônica pelo tech-house

Agora, trecho da mesma matéria do Globo de hoje:

Para quem imagina que o som do Nortec é uma bizarra colagem de sons tradicionais com beats eletrônicos, a surpresa vem já na primeira música do disco, “Polaris”, do grupo Bostich, na qual uma tuba sampleada se cruza com elementos de percussão em perfeita sincronia e sem forçar a barra.

Eu acredito em coincidências.

28/09/2001

READ MY LIPS

De Osama bin Laden para George W. Bush:

If I can make it there

I’ll make it anywhere

It’s up to you, New York, New York.

De Bush para Bin Laden:

I would sacrifice anything come what might

For the sake of havin’ you near

In spite of the warning voice that comes in the night

And repeats -how it yells in my ear:

Don’t you know, you fool, you never can win?

Why not use your mentality -step up, wake up to reality?

Frank Sinatra rulz.

28/09/2001

CM

Eu acho que gostei de Tweekend, do Crystal Method. Não é ótimo, mas tenho a impressão de que é bom. Resvala em trilha de refrigerante, mas apresenta algo novo _talvez Tom Morello. Quis ouvir de novo, um sinal claro de aprovação ao menos. Blowout e Wild, Sweet and Cool são indicadas para teclar ou dirigir _qualquer atividade que consista em algo para ser visto à frente e comandos à mão.

Do disco anterior, Vegas, tenho ótimas lembranças. É a trilha do réveillon 97/98 em Brasília, na mais explosiva mistura narcótica que já frequentou o meu organismo. A festa era péssima, de uns playboys do pólo aquático, com umas pessoas uniformizadas de branco e dourado (isso era mais aluciante do que as alucinações que estava tendo) e muita, mas muita axé music.

Era tanta música baiana (e um coquetel na minha mente) que eu escutava tecno. Achava que era remix, não ouvia a bela voz de Ivete Sangalo. Meus amigos estranharam a minha animação na pista e vieram conversar. “Desde quando você gosta de Asa de Águia?” “Desde nunca, odeio essas bostas”, disse eu, sem entender o motivo da pergunta. “Então por que você está dançando?”, perguntaram rindo muito.

Como estava em Brasília, houve briga na festa. Um caos, cadeiras voando, o branco das camisas Brooksfield de alguns começaram a ganhar uns respingos vermelho-sangue e alguém fala em “arma”… Deprimente, mas normal. E eu achava que jamais voltaria às CNTP, ficaria louco para “todo o sempre”, como punição por ter experimentado tudo ao mesmo tempo (educação católica dá nisso). E ninguém conseguia sair dali, pessoas correndo, maquiagem borrada, saltos quebrados, gravatas no chão…

Voltamos para casa às 5h _com o primo português de um amigo meu, engraçadíssimo, fazendo “chistes”, como ele dizia_, completamente Fear and Loathing in Plano Piloto, ouvindo Vegas no máximo (aparecia MAX no visor). Busy Child é o Eixão, o horizonte e seus postes com luzes de açúcar. “Este Crystal Method é vibrante”, dizia o portuga, enquanto batia no vidro traseiro do carro.

28/09/2001

ON ZÉ

Tadinho dos Sandyjúnior. Primeiro mudam o nome do próximo disco, que se chamaria 11, porque acham que aqui é Nashville e todos os brasileiros vão fazer alguma referência àquela história do número 11 e o atentado ao WTC. Essas pessoas, tipo o Gerald Thomas também, se dão uma importância que elas simplesmente não têm _e ainda querem aparecer às custas de milhares de mortos, é nojento.

Mas mais jeca do que a roupinha dos Sandyjúnior é o release do disco, que começa assim: “Depois de 11 milhões de cópias vendidas…”

O fato de uma dupla sertaneja brasileira lançar um CD NADA tem a ver com o atentado em Nova York.

Globalização e picaretagem têm limite, caipirada.

28/09/2001

INFINITA HIGHWAY

Faria Lima, Rebouças, Brasil, Henrique Schaumman, Sumaré.

O caminho de volta pra casa é exclusivamente mainstream.

28/09/2001

TRIBO

Conheci uma categoria nova: Webmasters Que Jantam.

28/09/2001

SANTO REMÉDIO

The New York Dolls são admiráveis. Proto-punks, travestis (de mentirinha, o que é mais legal ainda), drogas, bebidas, deboche, shows alucinados e poucos, viscerais e fracassados discos.

That’s what rock’n’roll was all about.

28/09/2001

PIADA INTERNACIONAL

Max de Castro, 28, um cantor, compositor e multi-instrumentalista que pode simplesmente ser o talento musical mais original surgido no Brasil nas últimas três décadas.

Se isso estivesse numa corrente de emails, já não teria tanta graça. Mas isso está na Time latina, a mesma versão conceituada que botou a Carla Perez na capa. “Talento mais original dos últimos 30 anos” é *implorar* pra ser motivo de escárnio internacional.

E tem mais:

E isso não é pouca coisa. A música no Brasil é como a luz do sol: é natural, é elementar, ilumina todo lugar, toda curva de rio, todo aspecto da vida.

Esse tal de Sérgio Martins é cafona prakarai.

28/09/2001

SUBVERSÃO

Todos juntos somos fortes

Somos flecha e somos arco

Todos nós no mesmo barco

Não há nada a temer


Saltimbancos em 1977

Não é fofo?

28/09/2001

A PROPÓSITO

Cala boca, Bush!

21/09/2001

FUCK OFF!

This Zeitgeist has collapsed.

21/09/2001

BETHÂNIA INDIE

A frase seguinte documenta uma possível reviravolta na história do mercado fonográfico brasileiro: Maria Bethânia acaba de se tornar uma artista independente.

Tipo pára tudo agora! Eu li a palavra “reviravolta” próxima das palavras “Maria” e “Bethânia”? E o mais engraçado é que isso não é uma piada!

No dia em que Maria Bethânia for um assunto *realmente* palpitante a ponto de provocar uma “reviravolta”, eu serei o gerente de uma cadeia de resorts na Lua.

Reviravolta pra onde, for christ’s sake?!?

21/09/2001

KITSCH TO THE BONE

Eu vou rifar meu coração

Vou fazer leilão

Vou vendê-lo a quem der mais


Lindomar Castilho, o nosso gangsta-brega

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Ra! Ra! Ra! Hoje é o meu dia

Eu vou ter! Ter! Ter! O seu amooor

Para ser! Ser! Ser! Feliz ao seu lado

Ououô Ra… ra… ra… Que dia feliz!


Angelo Máximo

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Pela estrada do sol

Pelas ondas do mar

Aos caminhos que me deixe

Sempre perto de você


Perla

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Toda a terra reduzida a nada, nada mais

Minha vida é um flash (flash… flash… flash…)

De controles e botões anti-atômicos

Olha bem, meu amor, é o fim da odisséia terrestre

Sou Adão e você será…. minha pequena Eva


Rádio Táxi

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Soishtudei em ishcola ishperimental

Meu pai era surfishta profissional

Minha mãe fazia mapashtral legal (…)

Mas você não tem muita chance

Não me venha com romance

Porque eu sou free… Free-lance


Sempre Livre

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Lá pelas nove, eu passo láááá

Naquele lance pra te pegaaaaaar

Tô numa de te azarar, gatiiiinha

O sol tá quente a praia tá cheinhaaaa

Ma-ma-ma Mama Maria


Grafite

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Minha mãe me falou que eu preciso casar, pois eu já fiquei mocinha

Procurei um alguém que me disse “meu bem, você quer entrar na minha?”

Acontece, porém, que eu não sei me entregar a um amor somente

Quando ando nas ruas, fico só namorando e olhando pra toda gente

Coração ligado, beat acelerado


Metrô

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Tenho um mundo de sensaço-ões

Um mundo de vibraço-ões

Que posso te oferecer

Sim, sim, sim, sim!

Tenho ternura para brindar-te

Carícias para empregar-te

Meu corpo para te aquecer


Sidney Magal

20/09/2001

YO, ALLAH

Hip hop e o islã.

20/09/2001

CALOUROS

Jeff Mills, David Bowie, Sidestepper, Orishas, Savvas Ysatis, Isolée, Jori Hulkkonen, DJ Cam, New Order, Rolling Stones, Percy X, Tosca, Björk e Peace Orchestra são alguns dos recém-chegados de setembro.

20/09/2001

ROOTS

Vi um cara num programa da TV dizer que escreve o que ele quer, que a audiência não é importante para ele, que não quer “moldar” seu leitor e que não pretende crescer porque o seu ego já está satisfeito com o atual desempenho do que faz.

O estranho é que não é nada relacionado à internet. O cara, que é punk, produz há anos um fanzine de papel mesmo. Blog de raiz.

20/09/2001

7-ELEVEN

Faz idéia do que nos reserva o dia 11/11? Vixe!

20/09/2001

KEEP SWINGING

When you’re a boy

You can wear an uniform

When you’re a boy

Other boys check you out

You get a girl

These are your favourites things

When you’re a boy


David Bowie

20/09/2001

OS BURROS CLUBBERS

Seguindo a cruzada iniciada pelo Ultraman, eu também odeio gente burra (principalmente quando são meus chefes _tem de ser tão burro quanto eu; mais burro não dá).

Eis que eu vejo a seguinte frase aqui: “No começo a música eletrônica era feita para negros, gays e latinos e isso dá pra ver nas letras. Jellybean é muito influenciado pela liberdade da cultura clubber dos anos 80, que era muito gay”, explica Felipe Venâncio.

“Explica” é óptemo! Além de abertamente estúpido, esse DJzinho de merda (é um dos piores do Brasil), casado com uma über-anta caloteira, é PAGO pela Souza Cruz pra ser “consultor” da tenda Cream do Free Jazz. Esse cara não consegue fornecer consultoria nem para produção de fita demo!

O mundo pertence aos picaretas e canalhas, resigne-se.

20/09/2001

DUMB

IDM é a PQP. Já viu que esses tais nomes IDM (o mais boçal dos gêneros eletrônicos) NUNCA são dance?

Quem foi o burro que botou esse nome? E, com a vinda de Aphex Twin pro Free Jazz, não duvido nada que os jornais vão tratá-lo como se fosse um Einstein…

_Boa tarde, seu Aphex, o que o sr. faz?

_Eu faço intelligent dance music, senhora.

_Hmmm, sei. Mas é muito inteligente mesmo ou é um lance meio George W. Bush com biotônico fontoura?

_Não, é inteligente mesmo. As pessoas não entendem nada, daí o inteligente, entendeu?

_Hmmm, sei. E tem mais gente como o sr. que faz esse tipo de música inteligente?

_Tem, tem. Mas eu prefiro não revelar… Mas tem Boards of Canada, Autechre, Pole, Amon Tobin… Opa, esse último não é tão intelligent assim, é mais drum’n’bass, jazzy…

_Hmmm, sei. E isso não é inteligente?

_Mais ou menos. É inteligente, mas digamos que ele tem potencial para ficar de recuperação na escola.

_Mas, me diz uma coisa, seu Aphex, essa música aqui do sr. não é dance, não. Quem é que dança isso?

_Ah, muita gente. Nos meus clipes há muita gente dançando…

_Mas aquilo não é dança!

_Aí é que está o segredo: é dança inteligente.

_Seu Aphex, o sr. é meio sicko.

_Obrigado, senhora. Agora preciso procurar a minha mãe para amá-la.

20/09/2001

COITADO

Cantores que, quando cantam, fazem cara de dor, paixão, emoção e tortura são um saco. De Chitãozinhoexororó a Staind.

20/09/2001

DELÍRIO

“I will wade out till my thighs are steeped in burning flowers”

e.e. cummings que Björk pegou emprestado em Sun in My Mouth.

E os picos de Vespertine são Pagan Poetry, a da caixinha de música e coro da Groenlândia, e Hidden Place e An Echo, a Stain, ambas com Matmos mais visível (ou audível, sei lá).

20/09/2001

PERGUNTINHA

As pessoas “correm atrás” (ou estão “na correria”) para “adquirir bagagem”?

19/09/2001

PIADA PRONTA

E aí uma rádio americana resolve proibir 150 músicas (os EUA adoram números redondos, né?) por considerá-las “inadequadas no momento”. Sei, sei, argumento excelente…

Mas vamos a algumas canções que foram proibidas:

What a Wonderful World – Louis Armstrong (tipo super inadequada mesmo…)

Walk Like an Egiptian – Bangles (sensacional!!!)

Falling For The First Time – Barenaked Ladies (o título é óptemo, adequadíssimo, e a banda é uma canadense chata)

Lucy In The Sky With Diamonds – Beatles (deveria se chamar Boeing in the Sky with Hijackers, hahaha)

Suicide Solution – Black Sabbath (gente, pára com isso…)

And When I Die – Blood, Sweat & Tears (não se sabe se o motivo é o nome da música ou o da banda)

Rock The Casbah – Clash (ahã, todo mundo pensa no islamismo quando ouve essa música. Principalmente se ela tocar nas festas que tocam Kiss, do Prince)

In the Air Tonight – Phil Collins (hahahahahahahaha. E ainda está errada, porque deveria ser In the Air This Morning para ser proibida)

Knockin’ On Heaven’s Door – Bob Dylan e Guns ‘n Roses (deveriam proibir só a segunda)

Fly Away – Lenny Kravitz (ganhamos todos)

Disco Inferno – Tramps (óptemo)

E na lista inteira não tem I’m Afraid of Americans, de David Bowie. Estranho, muito estranho…

Mas já imaginou se fosse no Brasil? As proibidas:

Meu Mundo Caiu – Maysa

Aquela do avião – Belchior (“foi por medo de avião”, haha)

A Cidade – Chico Science (“o de cima sobe e o de baixo desce”)

Rio 40 graus – Fernanda Abreu

Queimando Tudo Até a Última Ponta – Planet Hemp

Asa Branca – Luiz Gonzaga (“quando olhei a terra ardendo, qual fogueira de são joão”)

Ai, se Eles me Pegam Agora, Construção, As Vitrines, Trocando em Miúdos – Chico Buarque

Fogo na Bomba – De Menos Crime

Alegria, Alegria, Meu Bem Meu Mal, Atrás do Trio Elétrico (“só não vai quem já morreu”, hehe) – Caetano Veloso

Bat-Macumba – Mutantes (de Gil e Caetano, mas fica sendo dos Mutantes)

Barata Tonta, Perto do Fogo – Rita Lee

Depois eu penso em mais outras infâmias…

19/09/2001

LUNA USA

Terça-feira besta em SP: friozinho e show do Luna. Pretty cool. Sem histeria indie, sem lotação, boa música, cerveja barata e ótimas companhias. A cerveja estava tão barata que, antes do bis, eu achava que não haveria bis em respeito às vítimas do atentado, hahaha. Ideota….

Mas o detalhe do show eram as roupas. A baixista vestia uma camiseta com a águia dos EUA toda glitter, com lantejoulas, e o guitarrista, uma (bela) camisa de cowboy. Pode ser impressão, mas isso é demonstração de patriotismo? Madonna usava, já antes do antentado, uma blusa da bandeira dos EUA e não chamava tanta atenção assim… Mas agora esses símbolos ganham outra conotação.

Então eles são alternativos até certo ponto, hehe.

O fato é que, em *todas* as vezes que o vocalista Dean Wareham conversava com o público, o assunto era o WTC _a banda foi a última a se apresentar no edifício, em agosto. Teve gente que até entregou uns prints com fotos do Luna se apresentando lá…

Anywaysssssss, o primeiro show a que assisti depois do episódio WTC foi o da banda que tocou lá pela última vez. Kinda weird, eh?