Archive for julho \31\UTC 2001

31/07/2001

TACAPE DE OURO

Já começo a ouvir boatos de que o Ecosystem 1.0, vulgo “rave da Amazônia”, deve ser o maior programa de índio do ano.

Vários nomes, como Afrika Bambaataa e Mario Caldato Jr, não confirmaram presença no evento que acontece neste finde, perto de Manaus.

31/07/2001

TÔ FORA

Não será aqui que você lerá nada sobre essa história de George Harrison e Paul Weller estarem envolvidos numa regravação de “Anna Júlia”, dos Los Erramos.

Deixa quieto.

31/07/2001

TÁ EXPLICADO

Em post anterior, pedia que alguém explicasse o que era uma manifestação “antiglobalização”, principalmente em relação àquela em que um “punk” morreu em Gênova. Eis que Contardo Calligaris explica:

“As pedras que os jovens do Black Bloc jogam são uma barragem defensiva contra a irresistível atração de um mundo do qual, por outro lado, eles não gostam. O quebra-quebra é isto: destruir vitrinas para não desejar a mercadoria exposta, ou, melhor, por raiva de ser levado a desejá-la. Queimar carros pelo mesmo motivo.”

31/07/2001

HAVE A NICE DAY, BIP!

Na semana em que fiquei em NY, percebi que os norte-americanos são a imagem e semelhança dos produtos mais populares produzidos por eles mesmos na década passada: os softwares.

O sorriso é programado; o bom atendimento do vendedor é necessário para que o cliente clique na janela seguinte; o carro pára para que o pedestre atravesse e o fluxo seja mantido. A simpatia, quase amor, do americano é cínica e robótica _os EUA devem ser o único país em que os carros de polícia são vendidos como suvenir em pontos turísticos_, essa é a impressão de uma semana.

É o jeitinho que funciona e dá muito dinheiro. Em compensação causa uns bugs, tipo Timothy McVeigh e Puff Daddy.

31/07/2001

WISH YOU WERE HERE

Neste finde rola o Festival Benicassim na Espanha (a 50 km de Valencia, na Costa do Sol, uma beleza), e nem eu nem você estaremos lá.

De sexta a domingo, um line-up de fazer corar qualquer Skol Beats: Orbital, Stereo MC’s, The Avalanches, Fatboy Slim, Basement Jaxx, Flaming Lips, Jon Carter, LTJ Bukem, Pulp, Ladytron, grupos locais de nomes ótimos, como La Habitación Roja, e muito mais. Fora o sol, o mar Mediterrâneo e a Espanha, que são um espetáculo à parte.

Então estamos combinados que um festival *deve* ter atrações eletrônicas e outras nem tanto para ser bem-sucedido.

31/07/2001

DOURADO

Eu vou falar sobre o VMB e suas atrações, mas talvez seja melhor não. Exceto por um motivo: Golden Shower.

O clipe é bem legal (eles já ganharam o Melhor Clipe de Música Eletrônica com aquele do Pitfall etc.), um lance anos 80 pré-New Wave Glitter Gel, o site é bem-feito e talvez seja o único grupo/projeto/dupla que tenha status de cult por iniciativa própria.

Basta ir à seção de fotos ou à de biografia. Eles não se levam a sério, o que é muito saudável nesta terra onde filha de cantor sertanejo é considerada revelação…

31/07/2001

OS TOP

“Homem-Aranha” e “Ice Age” são o Top Trailers deste mês.

Brincadeira…

Quer dizer… Aguarde o Top Clipes de Saídas de Emergência nos Cinemas.

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Depois eu prometo um Top Homepage de Site de Filme.

Ou Melhor Intro

Melhor Ícone de Skip Intro

Melhor e Maior Latest News.

Melhor Site Há Mais Tempo no Ar

Mas o mais concorrido seria o de Melhor Menu (tipo o equivalente ao de Melhor Roteiro Original; não vale muito, mas dá um certo charme).

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E pensar que trailers eram uma boa escusa para chegar atrasado à sessão…. Hoje pode-se rever um trailer, até então a mais volátil das atrações visuais, de um filme que só estréia em 2002. Se jornalista fosse esperto, já teria feito matéria sobre isso.

31/07/2001

CONVERSINHA

Eu assino uma lista de discussão de música eletrônica. Mas não se discute muito, e música eletrônica significa house e tecno basicamente.

É engraçada às vezes. Principalmente quando se apresenta algum DJ gringo sobre o qual reinava, duas semanas antes da “gig”, uma unanimidade de que ele *realmente* era um dos maiores da Terra _especialmente se ele tocar em outra cidade antes de SP, porque há avisos de alerta dos companheiros distantes: “pelo amor de deus naum vaum perder ein!”.

No (mesmo) dia seguinte da apresentação do referido DJ já há loucos que voam para o cpt apenas para dar uma informação absolutamente atualizada _aproveitam-se o calor dos fatos e o efeito das drogas.

Aí ocorre um grande lapso de tempo no domingo e começam a surgir as “reviewzinhas” de quem adorou tanto ou mais que quem postou pela primeira vez. E tome falatório de quatro, cinco linhas elogiosas (in a way). Realmente quem curte ecstasy não se importa se o que foi dito se repete_ é meio marcação de território, mais do que “estive aqui”, mas “fui lá e foi assim”. Webecstasy. O e-e.

Isso acontece com certa frequência quando o DJ é unanimidade. Quando o cara decepciona (sim, porque ele nunca é ruim, ele decepciona, como o Rubinho Barrichello hahaha) há menos email, mas todos com a mesma intensidade de opinião.

A idéia de uma micro-rede assim é bacana, mas, se houvesse mais fluidez do conteúdo e menos dogmas, seria bem melhor. Ou eu deveria assinar outras listas.

30/07/2001

A NA GRAMA

Não diz nada, mas STAR é o contrário de RATS.

Upz.

30/07/2001

TIPO DIALOGA

A partir de agora este blog conta com o indispensável recurso de email, localizado no pé da página.

“Foi mal, mas isso faz parte de um pacote de marketing intermídias do qual faço parte, mas nada muda na linha editorial do Zeitgeist.”

E eu perco todos os meus leitores! Já pensou se não mudasse nunca? Que horrível! Ia parecer jornal e revista: “Somos independentes, apartidários, críticos e pluralistas”. E deviam acrescentar: “E fazemos umas piadinhas de vez em quando”. hahaha.

O eletropop que muda você encontra no Zeitgeist (esse slogan era do pacote…)

30/07/2001

FUNDO, BAIXO E SUJO

“That this ain’t the time

This ain’t the place to test me

This ain’t the face to

Judge nor stress me

This is the place

This is the time”

“Deep Down & Dirty”, música narcótica do Stereo MC’s que bem que poderia servir de trilha pro Zeitgeist.

30/07/2001

OLD SCHOOL

Não consigo parar de ouvir, no último volume, “Bad, Bad Leroy Brown”, de Frank Sinatra. Gravada em 1973, essa música é simplesmente incrível. Pelo menos está sendo especialmente incrível nestes dias sem motivo nenhum.

É sobre a Chicago dos gângsters e jogatina, do trapaceiro que se veste bem (usa costume Continental), é temido pelos caras e considerado um “treetop lover” pelas minas, em cujos narizes gosta de chacoalhar seus _dele_ diamantes. Só por isso esse Leroy Brown já teria tudo para ser meu ídolo.

Mas Leroy gosta de jogar dados e, quando ele viu uma senhora _realmente bonita_ no bar, aprendeu a lição de mexer com a mulher de um sujeito ciumento. Hahaha.

Ele é mau. Pior do que o velho King Kong. Mais malvado que vira-lata. Leroy Brown rulz!

30/07/2001

A FRASE

“É uma trip somente com good vibes para a sua mente”

Release de disco de trance.

Mó legal, bróder.

30/07/2001

OS MANDAMENTOS RAVERS

– Thou shalt not kill the atmosphere with overt sex on the dancefloor.

– Thou shalt not holdest a 40 while dancing, for the other ravers shall not hold him guiltless, who wields a Colt 45 on the dance-floor.

– Thou shalt not covet thy neighbors glowstick, niether his nitrous balloon, nor his ecstasy, nor his spot on the dancefloor.

– Thou shalt smile at the gentleman or lady moving to the beat nearest thou.

– Thou shalt not upset the holy Technics by jumping near or on the DJ.

– Thou shalt not play gabber in the chill room.

– Thou shalt wear extra deoderant so as not to offend thy neighbors nose.

– Thou shalt not touch thine mouth to thine neighbor’s water bottle, as plague and virus thus spread rapidly throughout the community.

– Thou shalt not grimace nor act angry when bumped by a passer-by, but smile and say: “no problemo.”

– Thou shalt blow thy party whistle and wave thine hands in the air when the music lifts thine spirit.

– Thou shalt not pass out chemical concoctions of thine own invention to fellow ravers. Only those tried and true chemical combinations that have been accepted by ravers since time immemorial shalt thou pass out.

30/07/2001

SORRIA, MEU BEM

Os engajados são os mais mal-humorados.

Seja o rapper “pobre-e-preto” da perifa, o BG que ouve Raul, o BG que ouve trance ou o sujeito que gosta de progressivo/hardcore.

Alguém precisa tirar uma com o KL Jay e o Rica. Os outros já são meio cachorros mortos

30/07/2001

CONFESSO

Acho lindo que as meninas gostem de se dedicar às comidas. Primeiro porque cozinhar é um ato de generosidade reservado apenas àqueles seres em cuja alma deve haver flores do campo a enfeitá-la e dar forma.

A minha mãe sempre cozinhou. E mãe é o nome da melhor cozinheira que existe no mundo. Uma mera carne picada (ou carne moída aqui mais ao sul) virava um pequeno manjar. Cresci comendo refeições sob medida, o que hoje em dia se chama de “customizadas”. Fui muito bem tratado, e não há nada de errado nisso.

Mas eis que o bem-estar não vai embora, e são sempre as garotas as resposnáveis por isso _por quê?

Hoje, algumas meninas da minha idade gostam de cozinhar para os amigos e namorados, não é incrível? Quase. Percebo que há um sentimento de inveja, revolta e, claro, orgulho entre os que me cercam acerca do tema. De explorador a sortudo, já ouvi muita coisa boa sobre a minha posição de “namorado de alguém que cozinha”.

Ora sou o mercenário, feitor de alguém que transformei em escrava, ora sou aquele sultão cercado de guloseimas a um estalo de dedos de distância.

Portanto venho a público reafirmar: não sou patriarcal, machista, conservador, acomodado ou nada do gênero. Apenas aceito de bom grado um ato de generosidade que, pra mim, é único _não só se oferece algo, como o que é oferecido alimenta.

E, para aquelas (são opiniões femininas, principalmente) que acham que a mulher na cozinha ocupa uma posição inferior na sociedade ou perante o casal, digo apenas que isso é uma questão de opção (além de, óbvio, discordar do teor do argumento), e não há nada mais contemporâneo do que optar, tcherto?

Aos meninos, sempre desejosos de uma refeição sem garçom, sugiro serem generosos em igual medida às meninas e, err.., botarem a mão na massa.

Agora com licença que eu vou comer. Servidos?

30/07/2001

JABÁ INDIE

Sabe quando jornalistas de música “dão o som” em uma festa/noite bacaninha a convite? Isso tem nome e sobrenome: é o jabá indie, que, prática disseminada no Rio, aparece com força desde o ano passado em SP, basta ver o que aparece entre parênteses nos flyers _meu, é a cena crescendo…

O legal do jabá indie é que recupera o espírito original do jabá, inflar o já inflado ego do jornalista, o que nenhum jabá contemporâneo era capaz de fazer até então.

30/07/2001

POR QUÊ?

Novidades do front: as últimas, modernas, atuais e inovadoras tendências da música brasileira:

1) Samba-rock. Troço do começo dos anos 70 que agora os wannabes muderrnos (detalhe que muderrno é quem vai ao mundo mix e faz disso um programa legal) descobriram só agora que é legal ter um pé na cozinha e uma camiseta das Panteras. Bebeto virou bacana. Por quê?

2) Forró. Se nos EUA os universitários têm rádios próprias, lançam, ouvem e montam bandas [que era conhecido como] indie, o tal college rock, no Brasil, os universitários que pagam R$ 800 de mensailidade têm apenas a audácia e desenvoltura de ouvir, dançar e montar bandas de forró. Os duplos sentidos foram mantidos, e Marinês e Sua Gente tem praticamente o status de uma Cher. Bem, não é à toa que tanto os daqui quanto os de lá ainda estão estudando, hehehehe.

3) Brega véio. Não há nada mais constrangedor do que ir a festas de muderrnos (não os wannabes) em que algum sujeito enfia uns discos que a empregada da vó dele gostava e faz dizsso algo “bacana”. Tipo Elisângela( vi outro dia que ela é tipo “cult” em lounges cariocas. OK, é no Rio, né?), Perla, Sidney Magal e Waldick Soriano. (tenho uma pretensa teoria de que, quanto mais podre a música foi no passado, mais frívolo e menos “engraçadinho” é o seu revival hoje. Este deveria ter durado duas semanas.) Já estou esperando o Mamonas.

Digam-me algo do qual nunca ouvi falar, por favor!!!!

30/07/2001

????

Eu tenho uma pequena impressão de que este blog tem pontos de interrogação demais. Você não acha?

30/07/2001

DECEPÇÃO

Ueba! Recebi hoje um email de um leitor me desancando. Ótimo, fico muito feliz quando alguém relaciona o meu sobrenome à merda, hehehe.

Mas fico meio encabulado de dizer que o cara que escreveu, além de ser de Niterói, gosta de hard rock e rock progressivo…

Poizé, nem os desafetos são dignos de credibilidade…

30/07/2001

TOGETHER

“Bem-vindos” é um filme bacana. Sueco, anos 70, comunidade alternativa (como conseguiam fazer aquilo?), socialismo x capitalismo (“lavar pratos é coisa de burguês”), sovaco cabeludo, 4,5 graus de miopia, álcool, tortura de brincadeira, primeiras vezes e humor inteligente.

E aquela camiseta do homem-aranha do marido bêbado é demais.

30/07/2001

THE DOORS

E hoje leio uma declaração de um suposto especialista em drogas (na verdade ele é da parte de tratamento de drogaditos) dizer que maconha é “a porta de entrada para as outras drogas”.

Todo dia me pergunto: cadê essas tais outras drogas?? Essa porta deve ser giratória!

29/07/2001

BI

Olha a notícia que eu vi:

“A maior parte dos internautas brasileiros tem mais de 30 anos, curso superior completo, é economicamente ativo, ganha mais que 3.600 reais por mês, usa os bancos online e é homem – pelo menos por enquanto.”

Claro, porque daqui a pouco esse homem rico, educado e maduro vai se transformar numa DRAG ONLINE! Isso tudo apesar de ser economicamente ativo, e não passivo, o que é uma revolução nos usos e costumes.

29/07/2001

SCARLET SINATRA

“Frankly, my dear, I don’t give a damn”

“Regrets I had a few, but, then again, too few to mention”

29/07/2001

PRENDA

Tudo bem, estou azedo (azedinho-doce, vai…) nestes dias, mas por que, quando os termômetros baixam, a mídia se comporta como se um vulcão tivesse entrado em erupção em plena avenida Paulista? Não chega a ser um espanto, já que estamos no inverno, mas todo ano sempre há um imbecil que diz que o frio CASTIGA os paulistanos.

Ei, calor não presta, amolece os miolos e dá preguiça. Gottit?

28/07/2001

E AGORA?

Lembra quando grandes astros vinham tocar no Brasil? Todos eles falavam “oubrigadou, Brazil!” e vestiam a camisa da seleção para agradar. E agora uma dúvida me atormenta neste dia de inverno:

Qual será a camiseta que eles vão usar no bis? O segundo uniforme???

Além disso, também estou preocupado com que os diplomatas e empresários brasileiros vão levar de brinde quando visitarem países tipo a África do Sul. Aquelas pedras “semi-preciosas” roxas que se vendem em aeroporto?

27/07/2001

O MUNDO QUIS ASSIM

Os carecas voluntários como o cara do Midnight Oil ou Rob Halford, do Judas Priest, trazem uma agressividade intrínseca às respectivas ausências de cabelo. Os Carecas do ABC idem, apesar de eu ter quase certeza de que o excesso de imbecilidade causou a queda capilar nesse caso.

Mas o Dalai Lama e hare krishnas em geral também são carecas voluntários e transmitem paz e serenidade.

Acredito que Fatboy Slim e Moby fiquem num meio termo.

Afinal, ser rebelde é ser careca ou cabeludo?

27/07/2001

MÁXIMA

DJ bom é DJ com visto.

27/07/2001

DUAS NOTÍCIAS

Amélia, musa que inspirou “Ai, que Saudades de Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago, morreu hoje aos 91 anos.

Confesse que você nem sabia que ela estava viva…

27/07/2001

PICARETAS

Já que tudo aqui neste país é chutado (menos a bola pra dentro do gol), não custa questionar. Não há jornal, revista, site, blog ou manuscrito inédito que não louve os Racionais MC`s até não mais poder. Como diz um amigo meu, pagam pau pros manos.

Mais: O disco “Sobrevivendo no Inferno” (97), de produção independente, portanto sem nenhum “controle” oficial, é tido como sendo um álbum cujas vendas já variaram de “mais de 500 mil” a “1,6 milhão” de cópias vendidas (dados colhidos este ano).

E aí? Vai ficar por isso mesmo? Quantos discos esses caras venderem de fato? Não conheço nenhum jornalista que tenha tentado checar tal informação, talvez por que não há com quem confirmar isso.

Então as vendagens do grupo de rap são escolhidas de acordo com o teor laudatório do texto. Se falar um pouco bem, “500 mil cópias”; se disser que os manos são “o porta-voz da periferia e excluídos” e outras baboseiras, venderam-se “1,6 milhão de cópias”.

E você aí achando que é tudo verdade. Pfff…